sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cabe uma penteadeira











Uma tarde de arrumação na minha estante.
Ps: tem porcarias aí (mas até as porcarias são uma parte minha)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O segredo da mulher moderna

Nesse tão sagaz instante revelarei qual o segredo de ser jovem, bonita, solteira e perfeitamente apta para curtir a vida: mentir. Eu não acredito quando garotas assim me juram que são felizes. Aliás, eu duvido, com todas as forças do meu útero que elas não trocariam as noitadas, e os sorrisos, as expectativas e as comédias românticas sozinhas por encontrar logo o tal cara. Eu mesma gostaria de sair na rua agora e encontrar o pai do Vicente e da Clarice. E pular toda essa parte chata de me maquiar e fingir que não me importo com quem eu vou sair, ou não, amanhã. Criar expectativas é garantia de sofrimento. Confesso que tenho inveja das minhas amigas que possuem um único namorado desde sempre. Tão bonitinho a tranquilidade que elas vivem, essa vida conturbada é só um estágio para uma etapa maior. Então não há um motivo racional para gostar dessa confusão toda. Eu queria alguém que ficasse, mesmo quando a beleza não importasse mais e ele percebesse que eu sou louca, mandona, temperamental, impulsiva, infantil e medrosa. Que não desistisse, mesmo quando eu entrasse em uma das minhas eternas contradições e pedisse pra ele sumir da minha frente, porque ser feliz de verdade dá um medo desgraçado. Minha melhor amiga sempre fala que a única coisa que ela pede é "alguém que coloque pasta na minha escova se for deitar primeiro". E talvez seja isso. Eu não preciso de um grande herói, alguém que não fuja é de bom tamanho. E, acima de tudo, eu não quero alguém que me faça perder o fôlego, mas que me dê forças para aguentar todos os outros. Então não acredite quando uma garota jura que é feliz nesse mundo de pegação e desamor. A não ser que elas sejam muito vazias, ou eu muito romântica.

Natália Assarito

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Eu não sei do que eu tô falando

Minha escrita fica cada vez mais míope com o passar do tempo. Sim, provavelmente alguém já disse isso alguma vez, me parece bonito demais para ter sido criado por mim. E míope como sou, continuo apertando meus olhos, mas rejeitando colocar os óculos. Insistir em erros é o bônus da teimosia. E muitas vezes o maior erro é o de querer tapar buracos. Pessoas são insubstituíveis. Acredite, ele pode ter sido o maior babaca do mundo, contudo arrumar o carinha perfeito não fará ele ir embora. E ele não tem que ir. Há uma enorme diferença entre seguir em frente e esquecer. Na minha cabeça confusa não faz o menor sentido simplesmente apagar tudo que se teve com alguém, é necessário preservar o carinho, os momentos bons e os minutos que valeram por cem anos. Discussões e humilhações se apagam naturalmente quando percebe-se que ninguém rouba o lugar de ninguém. Ainda bem! Porque em outro lugar especial dentro de você há espaço de sobra para alguém novo. E depois outro e outro. Essa é a mágica. Existe um infinito dentro de nós. Para se completar é extremamente imprescindível que cometamos muitos erros cruciais. E inapagáveis, graças ao bom Deus que eu não acredito.

Natália Assarito

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

IERECANTALABÁ


Deus, eu sei que a gente tá de mal. Eu sei que a gente não se gosta. Eu sei que eu não acredito em você, afinal você não existe. Mas tem horas que eu queria pedir perdão. Não pra você, pra mim, é claro, mas me sinto estúpida falando comigo. E vou falar com você que nem existe. Perdão pela minha inconstância e por fazer quem eu amo sofrer com isso. Perdão por xingar tanto. Perdão por ter deixado de acreditar nas coisas bonitas da vida por causa do primeiro otário que me apareceu. Acho que é essa a justificativa, eu deixei de acreditar. Perdão por ser tão egocêntrica. Perdão por não escrever melhor, por me acostumar. Perdão por ter preguiça. Eu só queria que você entendesse que essa é uma forma de me proteger. Porque você criou um mundo tão filhodaputa que eu não sei mais o que fazer. E eu não tô falando de matar, roubar e tal. Tô dizendo de todos se desprezarem, e serem falsos e torcerem sempre contra o outro. Até nas amizades não somos totalmente sinceros, Deus, sempre queremos nos sair melhor. Você que deveria me pedir perdão. E desculpa pelo tanto de porcaria que eu comi hoje também. E por estar aqui reclamando enquanto tem criança na rua. Na boa, você escolheu barro podre pra começar essa raça tão tacanha.


Natália Assarito

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A terrível história de Mariazinha

Cansada de dormir, levanta-se quando o sol já está farto de trabalhar e iluminar todos os cantos sujos da cidade que nunca para. Com a sua graça de menina esperta, e preguiçosa, se desfaz das roupas com a mesma facilidade que manda seus amores embora. Não se penteia, não se encara, não se atormenta. Sua comida é industrializada, seu sorriso pacato e seus olhos distantes. Na rua não cumprimenta. Atrás de seus óculos wayfarer é uma pedra intocada. Não desperta simpatia e, muito menos, alimenta esperança por alguém. Cada semana arruma um amor pra sua vida diferente e, se dois caras legais aparecerem ao mesmo tempo, sem dúvidas ficará com os dois. Apenas dois, é claro, porque ainda lhe restam princípios. Sendo assim, opta sempre por números ímpares, aprendeu duramente que na vida todos estão sozinhos, sempre alguém sobra. Mas, quando acorda, no fundo do seu desprezo e desacato a qualquer autoridade, sabe-se que se esconde uma alma. E um desejo leviano de melhorar. E se importar. Tira fotos imaginárias com a câmera que não pode comprar, leva a mão à boca e sorri, escondida, quando vê um bebê. "Miniaturas de gente que acham que têm o direito de existir por aí". Não é nenhuma mentira que os momentos de comoção costumam ter a duração de 5 segundos, nada além. Carrega consigo o mistério da mulher moderna, cresceu tentando mesclar as obrigações da sociedade que integra com os seus sonhos (ambos tão diferentes). E por ter se entregado tanto e sofrido o dobro, hoje Mariazinha não dá a mínima, literalmente. Deixa o telefone tocar, a casa por arrumar e as unhas mal feitas. Se perdeu em um universo de anos atrás, entrou por um caminho que ninguém pode encontrar. E, acredite, isso não é estar bem.



Natália Assarito

Clarice, Clarice



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Juro que não foi por querer

Prendo a respiração como se fugir desse lugar fosse me livrar da dor de ser eu. Eu espero, desesperadamente, pelo momento de sentir menos, da intensidade diminuir e da bússola voltar a apontar para o norte. Atualmente só as sombras se sobressaem e, caso nunca tenha percebido, sombras tendem a serem maiores do que o objeto propriamente dito. Consequências assustadoras e maiores do que as ações. E nem por um instante meu corpo consegue ter alguma folga. Se fosse só o estômago latejando, mas é o olhar não retribuído, o esforço que não se reconhece e as tentativas falhas de mudar algo que já nasceu escrito e predestinado. Não tem como se transformar pedra em algodão doce, seria um trabalho de Sísifo. O que importa é que Sísifo só era infeliz nos poucos rompantes de lucidez que tinha, quando a pedra rolava morro abaixo. O problema é quando esses espasmos se tornam constantes. “Não deixe a guerra começar”. Tão difícil não permitir uma batalha externa quando internamente tudo desmoronou. Não lembro mais se o ar já voltou, na minha rotina asmática ar sempre faltou, então não difere tanto. Mas eu me pergunto o que eu faço aqui, parada, despida de todas as minhas armas esperando o primeiro a me atingir. Quase um marinheiro rodeado por três sereias, cada qual com o seu irresistível poder de destruição. Sucumbir no paraíso, isso não existe. É mais uma daquelas histórias contadas no primário, acreditar nisso seria o mesmo que confiar que Cabral se perdeu durante sua expedição, vindo parar nessa longínqua terra habitada por gente pelada. Falta só mais uma faixa pro cd acabar, se o Renato me abandonar, todo o resto dessas linhas acabam também. Eu podia escrever palavras amáveis, denunciar a podridão social ou, simplesmente me queixar de como a vida passa sem deixar nenhuma dica do que está por vir. Eu podia exprimir as mesmas indignações de sempre, esperando que algum indivíduo bom lesse e ficasse com uma pontada do meu tormento. Se fosse só a dor de estômago latejante e a incapacidade de criar algo novo, eu podia, contudo nada disso é mortal. A indiferença domina. Ninguém nessa droga é feliz e ninguém percebe que é infeliz. Eu não quero ver a desgraça alheia para diminuir a minha, e, muito menos, gosto de ser esquisita. Sou do tempo em que homens tinham palavra e não se jogavam em um rio de impulsividade, achando que sabem nadar em águas desconhecidas. O meu tempo não existe. Se pudesse afogava minha mágoa, por tudo que não se concretizou e na minha imaginação foi lindo. Certos sonhos nunca acontecerão, não me venha com essa filosofia de Eliana. E a quantidade imensa de comprimidos ingeridos, visando um dia mais ensolarado, acabaram com o que sobrou do esôfago. Eu aperto meus olhos esperando por uma resposta, tentando sufocar o que há tempos me domina. Tento aprender a lidar com o meu eu, ou pelo menos, exterminá-lo, antes de ser vencida pela minha força maior.

Natália Assarito

Mudança

Talvez porque o outro layout fosse rosa e impossível de se mudar, talvez porque cansei da mesmice que me seguia no outro blog há 7 anos (sim, desde que eu NÃO me entendo por gente), talvez pela minha sede de mudança ou, ainda, talvez porque cansei de ficar parada resolvi mudar meu endereço. E como ninguém me lê não faz diferença mesmo. Enfim, aqui vou eu, tentar a sorte em um domínio desconhecido, literalmente. E se você me lê, não prometo postar com mais frequência.