domingo, 29 de abril de 2012

Somatizar (meu querido diário ¬¬)

Perdi as contas de quantas vezes tentei equacionar o que sinto. Nunca consegui, não sou boa em relações matemáticas, aliás, não sou boa em nenhum tipo de relação. Todos os meus erros são motivados por uma teimosia atrevida que insiste em me dizer que é possível, mesmo quando todos os números e experiências e meu estômago me dizem que não vai acontecer. E vai desgastar e atrapalhar e desmotivar e preocupar. Eu sinto falta de quando as noites eram simples e eu não passava o resto do dia lutando contra o sono. Minha única certeza é que minha maior ausência é o tempo perdido correndo atrás de quem não valia a pena, minutos preciosos que não trouxeram nada. Jogar uma parte da vida no lixo, tudo morto e apagado, apenas mágoa e uma série de arrependimentos, os quais eu viveria muito bem sem. E quando finalmente me acostumo com o fato de ter confiado meus sentimentos mais preciosos a quem não deu o mínimo valor, não me sinto capaz de escrever porque passo 10h dos meus dias debruçada em apostilas que provavelmente também não me levarão a lugar algum. Minha teimosia me faz remar contra a maré,  deve ser esse o termo certo. E nem nadar eu sei. Então eu te vejo e lembro de tudo que deu errado da última vez. E o meu esôfago, pernas, braços e cérebro querem que eu fuja e não volte nunca mais. Alerta geral. Mas eu paro e não penso, porque você tem o cheiro de casa limpa que eu sempre quis encontrar em alguém. E quando eu olho pra sua barba torta eu realmente imagino que teria potencial pra ficar ali, parada, olhando, o resto da vida. E eu nem lembro mais que existe vestibular, pais separados, mãe estressada, tarefa atrasada e vírgulas fora do lugar. Então eu canto Kid Abelha e ignoro meu pessimismo mais primitivo. Meus motivos pra reclamar vão embora. De um dia pro outro o errado se torna o único acerto da minha vida. E eu esqueço de me importar com a tragédia que isso um dia vai se tornar. 

Um comentário:

  1. 'o errado se torna o unico acerto da minha vida'. É destas frases que se lembra depois, no ônibus talvez,ou na fila do banco... Quando, num estalo, algo faz sentido.

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