quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Gratidão




                Nesse momento, meu desejo é escrever algo que possa expressar minha gratidão por 2014, por vocês e por todos aqueles que eu conheci e amei nesse ano. 2014 chegou de mansinho depois de tanto ter acontecido no ano anterior. Meu cachorro e melhor amigo havia morrido, estava rompida com o Fê e sentia uma daquelas tristezas crônicas que só me permitia ficar deitada dormindo o dia inteiro.  Sem exageros, não esperava poder ser feliz.
                Provavelmente, todo esse papo de psicólogo sobre nós escolhermos a nossa postura e maneira de observar a vida seja verdade. Compreendi que aquilo que eu precisava só poderia ser feito por mim. Entre o último mês de 2013 e o primeiro de 2014 tirei uma força de vontade que nem sabia que tinha (e que também não voltou mais) e resolvi tudo aquilo que só eu poderia realizar e precisava, para saber que eu sou minha dona, capaz de me controlar e realizar meus sonhos.
                Talvez influenciada pelos astrólogos que todo começo de ano dizem que nós vamos viver o melhor ano da nossa vida e que nesse, especialmente, disseram que o planeta regente seria Júpiter (Júpiter é o nome do sistema da USP, olha só!), acreditei que poderia ser diferente. E foi!
                Só no primeiro mês do ano passei na Fuvest, peguei meu namorado de volta, cortei o cabelo curtíssimo e fiz minha primeira tatuagem (uma homenagem ao meu cachorro). Depois, principalmente por conta da USP, foi uma novidade atrás da outra. Conheci pessoas com trajetórias de vida e comportamentos completamente diferentes do meu, o que me trouxe um grande aprendizado. Além disso, estar na USP te possibilita estudar qualquer tema que você tenha curiosidade, assistir palestras de indivíduos que você tanto admira e sempre considerou inacessíveis, ler textos que você nem imagina que possam existir, enfim, um crescimento intelectual muito grande.
                Não pensem que quando digo isso me exibo, porque a USP também me expõe todos os dias o quanto eu ainda não sei em comparação aos meus colegas e o tanto que preciso me esforçar e vencer meus medos para chegar um pouquinho perto dos meus professores. O que quero expor é que era uma pessoa antes de 2014 e hoje, há menos de um mês dos meus 21 anos, me sinto outra completamente diferente.
                Eu cansei de olhar para tudo que eu não tenho e decidi lutar para conquistar o que considero que seria justo para mim. Uma briga diária se forma dentro de mim que sou cheia de medos e inseguranças. O blog foi uma conquista desse ano, algo que pode aparentar ser pequeno, mas pra mim diz muito. Eu sempre gostei de escrever e por muito tempo me entreguei para um pavor que gritava na minha cabeça que era não era boa o suficiente. Ainda me acho extremamente abaixo do que me cobro, mas só de escrever essas palavras aqui, significa que eu tento e me aprimoro todos os dias (um passo de cada vez).
        Sabe, todos nós devemos sentir pelo menos uma vez que somos nossos senhores e, consequentemente, capazes. Empoderar-se é a solução. Nós precisamos tomar consciência do que nós somos, de onde estamos e do que queremos. Vejo muitas pessoas frustradas porque fizeram promessas de ano novo e não cumpriram. 90% desses casos ocorrem simplesmente pelo fato dessas promessas serem impossíveis. Você não pode prometer que em 2015 vai comprar uma casa se nem possui um emprego, entretanto, pode prometer que vai levantar cedo todos os dias e batalhar até ter um emprego. Talvez sua casa não chegue nesse ano, mas, com certeza, estará mais próxima.
                Comecem o ano dizendo para si mesmos que viverão uma conquista por dia, pois cada dia se esforçarão para chegar mais perto do resultado final. Vocês com comentários carinhosos me fizeram não desistir. Já são quase 1000 no Instagram! Acreditem, se eu, a pessoa mais tímida e paranoica que eu conheço conseguiu chegar em quase 1000 seguidores, qualquer coisa podem acontecer!

                Espero que 2015 seja um ano de esperança e que vocês possam dividir comigo parte dele, ainda que seja apenas as leituras! Vivam seus sonhos e esqueçam as neuras. Cada dia que passa é um dia a menos e ponto final. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Livros de dezembro: Book Haul!




Não sei qual foi a impressão de vocês, mas dezembro foi eterno na minha vida! Tive aula, provas, Festa do Livro da USP, Natal e ainda nem chegou o Ano Novo... Os livros acompanharam toda essa turbulência! Li demais e como vocês podem perceber, comprei mais do que deveria. Pensei em fazer um vídeo para mostrar tudo de forma detalhada, mas a vergonha é grande e não daria tempo de gravar, editar e postar antes do fim do mês. Espero que vocês tenham paciência com um post maiorzinho e gostem das minhas leituras e comprinhas!


Leituras Finalizadas (na ordem em que foram lidos)

Apesar de toda correria do mês, consegui finalizar mais livros do que o normal. Isso aconteceu, em boa parte, porque o semestre na faculdade acabou e, assim, os livros que eu li ao longo dos meses terminaram também. 

  • O Capital, Livro 1 - Karl Marx
  • Os Clássicos da Política I - Organização de Francisco C. Weffort
  • O Contrato Social - Rousseau
  • O Presente do Meu Grande Amor - organização de Stephanie Perkins 
  • Tudo Bem Não Alcançar a Cama no Primeiro Salto - John O' Hurley
  • Estação Carandiru - Drauzio Varella 



Queria muito ter feito uma resenha completa de O Presente do Meu Grande Amor antes do Natal, mas infelizmente acabei a leitura muito em cima da data. Porém, não posso deixar esse livro passar sem nenhum comentário. Ele foi SENSACIONAL! Para quem não ouviu falar, 12 autores gringos famosos de livros YA se juntaram e cada um escreveu um conto sobre festas de fim de ano (Natal, Ano Novo, etc.). As histórias ficaram muito bonitinhas, todas com bastante romance. Acabei não gostando de um ou dois contos, porque não curto muito literatura fantástica, porém, a maioria é maravilhosa. Apesar de serem poucas páginas por autor, as personagens são bastante aprofundadas e nós simpatizamos muito com elas (torci por várias!). Se alguém ainda estiver nesse pique de Natal, indico MUITO a leitura. Fiquei com vontade de ler mais sobre alguns escritores que estão na seleção, mas preciso controlar meus gastos por enquanto hahaha




Compras





Esse mês teve a Festa do Livro da USP, uma feira GIGANTE com a grande maioria das editoras e com preços obrigatoriamente 50% mais baratos! Quanto vocês acham que eu comprei? Por incrível que pareça, tive uma postura controlada, surpreendente pra mim (que sou uma gastona de primeira hahaha). Fui com uma determinada quantia de dinheiro e a ideia que levaria, antes de qualquer outro título, livros que usarei no próximo ano da faculdade. Como esses livros são caríssimos, nunca consigo adquirir edições mais detalhadas, então aproveitei e pude escolher os que queria. Com o que sobrou comprei um livro lindo de literatura e 2 de poesia que desejava há tempos. Alguns livros não sei muito o que comentar, porque realmente vou esperar as aulas para saber mais, outros vou tentar explicar um pouquinho.


  • O Suicídio - Émile Durkheim
  • As Regras do Método Sociológico - Émile Durkheim
  • Do Espírito das Leis - Montesquieu

  • Ensaios Sobre o Conceito de Cultura e Amor Líquido - Zygmunt Bauman. O autor desses 2 livros é um sociólogo famoso e extremamente competente, bastante conhecido no meio. Amor Líquido é um estudo sobre a fragilidade das relações amorosas modernas, tema interessantíssimo e que nos possibilita compreender um pouco a efemeridade das nossas relações. Ensaio Sobre o Conceito de Cultura me interessa já pelo título, uma vez que em 2015 pretendo estudar sobre a indústria cultural. 



  • O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, Crítica do Programa de Gotha, Sobre a Questão Judaica - Karl Marx. Depois de um semestre inteiro só estudando Marx em sociologia, ainda sobrou o que aprender com esse homem em Política III (nem sei como hahaha). Quem é estudioso do marxismo sabe que a Editora Boitempo é a melhor no autor (e mais cara também). O estande na feira estava tão lotado que eu nem achei, mas um amigo conseguiu comprar os 3 livros pra mim e eu paguei só R$52 (minha cara ficou no chão hahah). 


  • Antologia Poética - Carlos Drummond de Andrade. Como eu tinha dito na minha wishlist de Natal, um dos meus maiores desejos era ter a Antologia Poética do Drummond da editora CosacNaify. Apesar deles estarem na feira, a antologia ainda era R$100 (sim, com 50% de desconto), então, sem chances. Achei essa edição que é bem bonitinha na Companhia das Letras. Não é tão luxuosa, mas os poemas, obviamente, são os mesmos e a capa é emborrachada. Ou seja, deu pra substituir legal!





  • Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século. Como eu gosto só um pouquinho de poemas e agora todo domingo tem Poesia de Fim de Domingo aqui no blog, me liberei para comprar livros desse estilo. Também já tinha os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século e sei como essas edições são maravilhosas e bem feitinhas. Antes de cada "escola poética" um estudioso escreve um texto sobre as características novas que as poesias adquirem a partir daquele momento. Adorei!





  • Os Maias - Eça de Queirós. Essa edição deslumbrante também estava na minha lista de desejos. Ela é tão maravilhosa que comprei duas, uma pra mim, outra pra minha sogra de Natal. Além de ser uma das obras mais consagradas da língua portuguesa, a edição é ilustrada e comentada, com notas, prefácio e posfácio. A mãe do Fê também ficou doida com o presente! Acho que deve ser difícil não amar um livro desses <3







  • O Primo Basílio - Eça de Queirós. Antes da feira eu acabei comprando esse livro em uma edição de banca linda, com marcador de fita, capa de tecido e algumas notas extras sobre o livro que eu sempre quis. Adquiri na mesinha de "usados" da FFLCH, mas com toda certeza esse livro nunca foi lido (coitado).  Muita sorte achar o livro que sempre quis e pagar só R$10.







*O que vocês acharam das minhas últimas compras e leituras do ano? Me contem quais foram as de vocês e os presentes de Natal literários que ganharam, fico muito curiosa pra saber! Os primeiros posts de janeiro serão nesse estilo de listas, vocês vão adorar, esperem só pra ver. 




domingo, 21 de dezembro de 2014

Poema de Natal - Vinicius de Moraes



 Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado

Assim será a nossa vida:
Dedos para cavar a terra.
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente





Vinícius de Moraes

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sorteio de fim de ano!



Bem, acho até difícil começar dizendo como 2014 foi especial na minha vida! Foi um ano de concretizar tudo aquilo que há tanto tempo eu planejava: entrar na USP e estudar tudo aquilo que eu amo, montar um blog, conseguir interagir com pessoas de diversos lugares com as mesmas paixões que eu, fazer novas amizades e conhecer tanta gente que eu admiro. Esses 12 meses não foram apenas para realizar sonhos, mas, acima de tudo, para fazer tantos outros nascerem e viverem em mim. Sou muito grata por todo o carinho que tive dos meus leitores, dos pequenos incentivos diários e do apoio que vocês sempre me deram, me fazendo saber que estou no caminho certo! Cada visualização, comentário e seguidor novo me fizeram sorrir um pouquinho! <3


Enfim, vamos ao que interessa antes que eu comece a chorar! Para agradecer todo amor que vocês tiveram por mim, lancei um sorteio no Instagram. São 3 livros lindos da Zahar, edição bolso de luxo, com capa dura, ilustrações e comentários, além de 25 marcadores. Detalhes dos prêmios:










Como vocês puderam ver, os livros são O Mágico de Oz, Peter Pan e Alice (essa edição possui as duas histórias do Lewis Carroll). Escolhi sortear esses livros porque também tenho e sei como são lindos (nunca sortearia algo que não achasse sensacional! hahaha). Para participar é só me seguir no Instagram (@nat_assarito), procurar a foto oficial e comentar marcando 3 amigos! O resultado será divulgado dia 27/12, sábado. 





*Amores, quero ver todo mundo participando, hein! <3

Nunca fui como todos - Florbela Espanca




Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...


Florbela Espanca

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Natal: lista de desejos!




A época mais amável do ano está chegando e eu resolvi fazer uma lista com dicas de querências e presentes legais! Acho lindo quem presenteia com livros, considero quase um elogio. Como meu aniversário é exatamente 1 mês depois do Natal, a lista serve pra ele também hahahaha #ficadica



  • Edições Bolso de Luxo da Zahar. Quem viu meu post de Book Haul da Bienal do Livro sabe que eu comprei aquele box maravilhoso que brilha no escuro, com os livros Alice, O Mágico de Oz, Peter Pan e Contos de Fadas! Fiquei apaixonada por essas edições em capa dura. O box nem vale tanto a pena (porque é uma ova que ele brilha no escuro), mas os livros são super caprichados e fofos! Não tem como não amar clássicos. PS: essa indicação é um spoiler do sorteio de fim de ano aqui do blog, já aviso!



  • Os Miseráveis, Edição Especial da Martin Claret. Eu tenho muita curiosidade em ler esse livro e acho essa edição a coisa mais linda desse mundo todo! Quem já viu de perto sabe, ela é em capa dura e tem dois marcadores de fitas, um azul e outro vermelho (muito francês <3). Acho que quando eu vi achei tão maravilhosa que decidi só ler o livro quando tiver essa edição dos deuses.







  • Os Maias, Edição de Luxo da Zahar. Outro livro maravilhoso, que eu morro de vontade de ler, mas só aceito se for nessa edição. Aliás, que fique claro, quarta o comprarei por metade do preço da Festa do Livro da USP e pronto. Edição comentada é tudo de amor que existe nessa vida. A Zahar é tudo de amor que existe nessa vida <3 (como vocês podem ver, estou realmente muito animada pro Natal e pra Festa do Livro!).






  • Manuel Bandeira: Apresentação da Poesia Brasileira, da Cosac Naify. Pra quem gosta de poesia, esse presente é certo! É incontestável que Manuel Bandeira foi um dos nossos maiores poetas e que a Cosac Naify faz edições lindas. Me sentiria muito querida se ganhasse um presente desse (por isso, também vou me dar ele na quarta hahahaha).









  • Poesia Crítica do Drummond, da Cosac Naify. Esse presente é uma prova total de amor! Todas as poesias do Drummond dos 10 primeiros livros (de 1930 a 1962) em uma só edição é um sonho de consumo para poucos ($$$). Eu amo tudo o que o Drummond escreveu, então sou suspeita pra falar! 









  • Listografia, da Intrínseca. Esse lançamento é mais um daqueles livros para você ir preenchendo um dia de cada vez, só que muito mais legal, porque ao invés de desenhos (não sei desenhar nada), você faz listas de tudo (lugares, comidas, viagens, artistas, sonhos). Essas edições parecem bobinhas, mas eu adoro porque estimulam muito a imaginação enquanto divertem. Eu sempre faço listas, então considero uma ótima opção de presente (além do mais, em comparação ao resto da lista, é super baratinho)!  









*Eu realmente amo essas dicas de presentes! Pra quem ficou curioso com o sorteio, ele vai rolar na quinta lá no meu Instagram (@nat_assarito), então seria legal se vocês já me seguissem, para participarem e saberem de tudo o quanto antes! Tenham uma semana linda, meus amores <3


domingo, 7 de dezembro de 2014

Ausência - Drummond




Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

16ª Festa do Livro da USP



Todos os anos a EDUSP organiza a Festa do Livro da USP e em 2014 ela se inicia a partir da quarta que vem, 10/12, e vai até a sexta, 12/12. Imagino que na maioria das Universidades ocorram feiras do livro, porém, como a USP é amor, ela consegue que a maioria das editoras participem e que os descontos sejam, NO MÍNIMO, de 50%!!! Me responde, quando conseguimos comprar livros pela metade do preço? Isso nem no meu amor, o Submarino!

A Festa vai ser lá na Poli e eu tô MUUUITO animada apesar de não conhecer os prédios por dentro (só imagino que a Poli seja riqueza por causa dos investimentos que eles têm), o que significa que eu vou me perder, mas tudo bem!

Vou citar algumas editoras participantes que mexeram com o meu coração: 

  • Boitempo
  • Companhia das Letras
  • CosacNaify
  • Zahar
Acho importante deixar claro que os livros serão para todos os gostos, ou seja, terão diversas obras acadêmicas (que vão me facilitar a vida ano que vem \O/), mas também literatura para leitores variados. Essa data também é incrível porque podemos comprar presentes da Natal para todo mundo, incluindo nós mesmos! 

A USP pode parecer bem longe para muitas pessoas de São Paulo, principalmente pra mim, que moro há quase 30km de distância. Entretanto, como eu me acostumei a ir de transporte público e voltar todos os dias, acho bem fácil de chegar. A Universidade fica próxima à estação de metrô Butantã, na linha 4 amarela (que faz baldeação com as linhas azul, verde e vermelha e com a CPTM), e, no terminal de ônibus da estação, estão 2 ônibus circulares que percorrem toda a USP (o 8022 e o 8012). Não tem desculpa pra não ir! 




*Eu vou na quarta a noite! Espero encontrar todos vocês lá <3

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Livros de novembro: Book Haul



Preciso confessar: desde que eu comecei a fazer Book Haul aqui no blog sinto o tempo passar MUITO rápido! Dá pra acreditar que novembro já acabou? Eu só não considero 2014 como dado porque, devido à greve que ocorreu esse ano na USP, tenho aula até janeiro praticamente. Medir a passagem do tempo em leituras é realmente algo muito maluco que esse mundo literário me apresentou! <3

Como vocês sabem, eu não gosto de me forçar a ler determinadas quantidades de livros por ano ou mês, a minha meta é sempre ler e é isso o que eu faço, não importa o ritmo. E, sim, as vezes eu fico alguns dias sem suportar pegar um livro por causa da alta carga de leitura que as ciências sociais me impõe. 

Bem, nem sempre é só pelo meu curso. Fim de ano eu sempre fico tristinha. Acho tudo tão maravilhoso e solitário ao mesmo tempo que me dá vontade de ficar quieta no meu canto. Isso refletiu um pouco na baixa quantidade de livros que eu li esse mês e que provavelmente lerei no próximo. Talvez todo esse clima festivo escancare tantas coisas que nós sonhamos e não conseguimos realizar. Um sentimento misto de esperança e caos. 

Mesmo com todos esses pensamentos chatos, tô me esforçando pra manter minhas leituras e todo o resto da minha vida, afinal, tenho um semestre ainda pra fechar! Tô com bastante planos pro ano que vem também, tanto pro blog quanto na minha formação profissional. Sou muito feliz por ter todos vocês para compartilhar os pedacinhos dos meus dias e quero caprichar pra tornar o blog um espaço ainda mais lindo para todo mundo. <3

Masss, o post de hoje não é pra falar de mim e sim dos livros que eu li e comprei em novembro. Vamos lá:






Leituras finalizadas (na ordem em que foram lidas)

  • Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, de John Locke
  • As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia, de Marion Zimmer Bradley
  • O Alienista, de Machado de Assis
  • A Ideologia Alemã, de Marx e Engels
  • Procurando Mônica, de José Trajano


Quero falar um pouco sobre As Brumas de Avalon. Fiquei decepcionada com o primeiro livro, gostei muito da proposta de recriar a história do Rei Arthur pela perspectiva feminina. O tema é realmente interessante e discute bastante como a figura da mulher é formada em nós desde que somos crianças, com os contos de fadas e as lendas. Contudo, o primeiro livro passou arrastado. Foi bem lento e sem ação. Imagino que essa impressão foi gerada porque é um livro de apresentação e que irá melhorar nos próximos volumes. Por vias das dúvidas, preferi dar uma pausa e retomar daqui um pouquinho para não ter um olhar errado da autora. 





Leituras em andamento 

  • O Contrato Social, de Rousseau
Nem preciso dizer que esse livro é leitura obrigatória de política. Enfim, a obra é consagradíssima e é difícil encontrar alguém que não conheça o autor. Algo que me impressionou muito estudando política clássica foi perceber que como os indivíduos agem de maneira semelhantemente destrutiva em relação ao poder e ao próximo, independentemente da época. Rousseau foi contemporâneo do Iluminismo do século XVIII, mas eu estudei Aristóteles que há 2300 anos atrás descrevia um homem grego que pode facilmente ser confundido com o homem de 2014. Acho interessante observar a natureza humana se manifestando e mantendo ao longo dos séculos. Também fiquei impressionada com a capacidade do Rousseau dizer TANTO com poucas palavras escritas. O livro já entrou nos meus queridinhos.



Compras e Presentes


  • Estação Carandiru, de Drauzio Varella. Tava querendo esse livro faz um tempão e consegui comprar na banquinha da história por R$10. A capa tá um pouquinho manchadinha, mas, por esse preço, tá tudo ótimo, tá tudo ótimo, tá tudo lindo! Fiquei felizona e quero ler logo.
  • Revista de Sociologia da USP: Tempo Social. Ganhei essa revista lá na USP, sendo praticamente um livro com vários artigos de pesquisadores consagrados (alguns deles meus professores <3). Apesar de ser uma edição de 2002, acredito que muitos textos são atemporais (porque, infelizmente, muita coisa na humanidade também é).





  • 1984, de George Orwell. Esse é o meu segundo livro preferido da vida. Eu já tive um cheio de notas feitas por mim mesma e marcações, mas, a anta aqui, achou que seria legal dá-lo de presente. Uma dica: não foi. Nunca deem seus livros para pessoas que parecem ser especiais, porque nem sempre elas são. Aí o livro vai embora e a pessoa também (as vezes a gente se livra da criatura, pra ser sincera). Nós não queremos nada disso, não é mesmo? Então deixem seus livros preferidos bem guardados no quentinho da estante.
  • O Presente do Meu Grande Amor. Meu grande amor, o hipopótamo Fernando, me deu esse livro de presente. São 12 contos de Natal de autores gringos famosinhos. Tô doooida pra ler, só tô esperando dezembro começar pra não queimar a largada! 



  • O Incêndio de Troia, de Marion Zimmer Bradley. Como eu sou a pessoa mais instável do mundo, em alguns momentos amei a leitura do primeiro livro de As Brumas de Avalon, apesar de no geral ter achado bem maçante. Fuçando na Internet descobri que a autora também escreveu a história de Troia pelo ponto de vista feminino e eu que não sou apaixonada pela Grécia Antiga e nem nada, fui correndo comprar a obra! Achei essa capa bem bonita e a edição é descente em comparação com a das Brumas de Avalon que nem orelha os livros têm! Espero que a leitura seja boa e animada! 





*Essas foram as minhas leituras e compras desse mês! Provavelmente comprarei mais em dezembro, porque vai rolar a feira do livro da USP (ainda vou fazer post contando tudo, fiquem tranquilos) e tem o Natal, cuja maravilhosidade está na possibilidade de ganhar muitos livros de presente (mentira, o Natal é lindo por causa das luzinhas brilhantes em todos os cantos da vida). Espero que todos vocês tenham uma semana linda e cheia de amor <3



Fiquem com a imagem do Fernando me imitando e rindo da minha cara :'( 

domingo, 30 de novembro de 2014

Não Pode Tirar-me as Esperanças - Camões



Que dias há que na alma me tem posto 

Um não sei quê, que nasce não sei onde; 

Vem não sei como; e dói não sei porquê.



Luís Vaz de Camões 

domingo, 23 de novembro de 2014

Aceitarás o amor como eu encaro? - Mario de Andrade



Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.


Mario de Andrade



*Uma semana amável pra todos <3

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Martin Claret, uma conversa sincera





                Martin Claret é o nome da editora mais polêmica do Brasil. Com preços tentadores, publicando livros clássicos a partir de R$14, encontramos leitores que amam e odeiam a marca. As críticas vão desde traduções mal feitas a processos de plágio, enquanto que os elogios envolvem a acessibilidade que os leitores encontram pelos preços baixos e o vasto catálogo de obras.
                Eu nunca havia encontrado problemas nas publicações. Adquiri vários títulos durante o ensino médio, indicados pelos professores, e para o vestibular (eles possuem a maior parte das leituras obrigatórias da Fuvest e da Unicamp). Na verdade, como boa parte dos livros estava voltada para os meus estudos, considerava bem prático o formato pocket, não pesando na mala e permitindo o transporte para qualquer local.
Quando cheguei à USP fiquei um pouco chocada ao ver que o mundo acadêmico despreza a Martin Claret. Os professores, obviamente, indicam os livros caríssimos que foram traduzidos pelos maiores especialistas dos autores em questão. Ao meu ver, não seria um problema usar o mesmo livro de outra editora, uma vez que eu não tenho condições de comprar os indicados. Por exemplo, O Leviatã, traduzido e editado pela minha professora de política custa R$100, enquanto que o da Martin Claret sai por R$19,90 (vale lembrar que em ciências sociais eu preciso ler um livro por aula).
Com uma diferença gritante de valores, fica claro que a editora perde em qualidade. Contudo, não considero que isso prejudique o aluno, apesar de já ter sido questionada por um colega de classe se eu não tinha vergonha de ler Martin Claret! Nós, leitores, sempre prezamos por um prefácio e uma introdução arrebatadora, mas, infelizmente, enquanto estudante, não tenho recursos financeiros para dispor disso. O texto integral, bruto (sem notas), acaba sendo extremamente parecido entre todas editoras, compensando  para o meu bolso comprar Martin Claret.
 Ainda nos prós e contras, um exemplo de tradução péssima foi feita em “O Príncipe”. Quem estuda a obra sabe que Maquiavel elucida que o Príncipe para ser bom dispõe de dois recursos básicos: virtú e Fortuna. A editora traduziu, respectivamente, como virtude e sorte, aproximações no mínimo porcas do conceito (a Editora Saraiva fez o mesmo). Como eu tive uma aula sobre o assunto não considero que perdi conteúdo, porém, se eu fosse uma leitora autodidata teria perdido conhecimento.
Para não ser injusta, também encontrei um exemplo de tradução muito bem escrita, a do Segundo Tratado Sobre o Governo, de John Locke. Sou eternamente grata pela editora ter essa obra em catálogo porque as demais apenas disponibilizam livros com os dois tratados, custando R$90 (paguei R$14,50 no meu, no Submarino). As notas de rodapé são muito bem feitas, sendo que um trecho que o professor leu, da sua edição indicada, era bem menos didático em relação ao que estava marcado na mesma obra da Martin Claret.
Uma professora minha reclamou da marca alegando que “as capas parecem alegorias da Unidos da Tijuca”, observação cômica e que já foi verdade. As capas da editora eram extremamente carregadas, impossibilitando, muitas vezes, o entendimento do título da obra por parte do comprador. Entretanto, no estande da Martin Claret na Bienal do Livro de São Paulo, o diretor da marca me explicou que o design de todos os livros foi modificado, de modo que as produções ficaram mais clean e agora seguem um padrão por autores.
A repaginação da marca extrapolou os limites dos desenhos das capas e, visando atrair o público jovem, lançou diversas opções de obras para adolescentes. Muitos volumes deixaram para trás o ar simplório e adentraram o mundo da “ostentação”, contando com edições de colecionadores primorosas –alguns exemplos são obras de Jane Austen, Victor Hugo e os tão famosos contos de Sherlock Holmes. O valor gasto nessas edições limitadas igualmente extrapolou os padrões da editora (o que não me impede de ter vários desses livros na minha lista de querências de Natal hahaha).

Eu defendo muito a necessidade de livros a preços populares para tornar os brasileiros leitores e, portanto, não tenho porque não gostar da Martin Claret. Ademais, não é apenas a economia que atrai, mas a propagação dos autores clássicos. Não me imagino entrando na USP sem os meus volumes da editora que cumpriram com excelência a função de leitura obrigatória. Minha única ressalva é expressa quando o leitor possui um autor ou livro preferido. Nesse caso, vale investir em uma capa bonita com comentários e textos especiais sobre a obra. Se não for essa a situação, acho maravilhoso a possibilidade do brasileiro entrar em contato com escritores como Machado, Kafka, Almeida Garrett, entre outros, por menos de R$20.  


Meus livros da Martin Claret

  • O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx
  • O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente
  • Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente
  • Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett
  • O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • Contos Escolhidos, de Machado de Assis
  • Til, de José de Alencar
  • Iracema, de José de Alencar
  • Cinco Minutos, de José de Alencar
  • Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida
  • O Processo, de Franz Kafka
  • Édipo Rei, de Sófocles
  • Antígona, de Sófocles
  • A Mandrágora, de Maquiavel
  • Frankenstein, de Mary Shelley
  • O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson
  • Drácula, de Bram Stoker
  • Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, de John Locke

*Antes de acabar, preciso deixar claro que não sou patrocinada pela editora. Por fim, peço encarecidamente para vocês deixarem comentários dizendo o que acham da Martin Claret e se compram livros deles, tenho me sentido muito solitária por aqui! 



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (Estreia)



Hoje finalmente estreia o primeiro filme do último livro da Trilogia Jogos Vorazes: A Esperança, Parte 1. Acho bem triste e feio ficar esticando o último livro em dois filmes só pra vender mais ingresso, não consigo imaginar de que maneira isso respeitaria os fãs, uma vez que se fosse para prezar por fidelidade à história, todos os livros deveriam ser divididos também. Considero realmente desrespeitoso fazer os leitores esperarem tanto pelo desfecho em troca de alguns milhões de dólares a mais no orçamento. 

Recordo-me de um comercial (acho que de vodka) que dizia algo como "Idaí, se eu gosto mais do filme do que do livro?" que me fez por muito tempo pensar se eu tinha alguma relação dessa. Jogos Vorazes é assim pra mim. Foi o primeiro filme que assisti com o meu namorado no cinema, quando éramos apenas amigos. Eu não dei a mínima atenção para ele (coitado) porque a história chamou muito a minha atenção. Não conseguia tirar os olhos da tela! Esse ano, porém, ao tentar ler o livro, preferi deixá-lo de canto, porque a escrita não me agradou e não queria substituir a imagem incrível que tenho da obra. 

Encoberto em um romance clichê YA (para jovens adultos), Suzanne Collins, a autora, faz uma crítica à nossa sociedade fortíssima. Adorei a proposta de um reality show no qual os participantes devem se matar literalmente, em despeito dos pequenos assassinatos figurados que assistimos nesses programas em troca de prêmios e fama. Além disso, a sociedade distópica narrada é completamente alheia aos problemas políticos que vigoram, vivendo atrás de uma névoa produzida pela televisão (bem, isso no primeiro filme, ocorrendo mudanças com o desenvolvimento das personagens).

Acaba sendo irônico a maneira com que os produtores de marketing estão tratando a estreia desse filme. Tenho trauma de livro dividido em 2 filmes desde Harry Potter. Sofri horrores quando o primeiro acabou em um momento de clímax, restando ao segundo apenas as últimas páginas. Nesse capítulo de Jogos Vorazes, o dinheiro gasto em publicidade foi imenso. Aqui no Brasil, teve holograma do tordo até na exposição do Castelo Rá-Tim-Bum.

Espero que a sequência atinja as expectativas geradas com tanta propaganda. Como minha agenda está do avesso, acabei não comprando ingresso antecipado e imagino que nessa primeira semana não conseguirei assistir. Estou um pouco ansiosa para saber o que acontecerá com a Katniss, mas vou ter que aguardar até a calmaria nos cinemas! 



domingo, 16 de novembro de 2014

O Apanhador de Desperdícios - Manoel de Barros





Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.



Manoel de Barros



*Não tinha como a poesia de hoje ser diferente. Fica aqui minha homenagem ao autor maravilhoso que nos deixou na última quinta, 13/11/2014. Coloquei essa imagem do Facebook do Armandinho porque amo esse personagem (curtam a página, poesia pura)! Uma semana linda para todos <3

sábado, 15 de novembro de 2014

Clube dos Vira-Latas + Brechó FFLCH


Esse post não tem absolutamente nada a ver com literatura, apenas resolvi explicar porque eu "sumi" essa semana e escrevi pouco aqui. Bem, quem me segue no Instagram sabe que eu sou uma espécie de protetora de animais, naquele estilo louco de entrar em briga pra defender bichinhos indefesos. Minha última peripécia, no mês passado, foi resgatar um cachorrinho gigante que estava perdido na rua da minha casa, sendo que eu moro em um apartamento minúsculo, portanto não tinha como adotá-lo, e ficar a noite inteira andando com ele pelo bairro até encontrar um possível dono (e, sim, eu fui até a casa da pessoa para me certificar que aquele filhote fofo e doido seria bem cuidado e feliz!).

Como eu realmente não tenho condições de adotar outros animais (eu já tenho a Dolly que foi achada na rua), gosto de contribuir mensalmente com uma ONG de confiança. O Clube dos Vira-Latas é uma organização independente que acolhe, trata quando necessário e realiza feiras de adoção para animais sem donos. Eu AMO essa instituição! Há 13 anos eles fazem um trabalho extremamente honesto e repleto de amor.

A estrutura do Clube é maravilhosa, conta com canis, ambulatório e até UTI para os animais. O problema disso tudo é que eles vivem apenas de doações, as quais cessam no fim-de-ano, quando o abrigo mais precisa (é época de pagar o 13º dos funcionários). A previsão para esse mês é um saldo negativo de +- R$80000, ou seja, dinheiro pra caramba. Fiquei muito tempo pensando o que fazer para conseguir mais dinheiro e doar, até que eu lembrei que as meninas da minha faculdade estavam querendo fazer um dia de "Bota Fora" da nossa página do brechó. 




Eu me joguei nessa ideia do brechó! Ajudei a organizar o evento e vendi algumas roupas minhas pra juntar grana. Eu estudo na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP e lá nós somos totalmente livres para fazermos o que quisermos no nosso espaço, afinal, ele é público. Então, na quinta, nós ficamos o dia todo vendendo. Foi muito lindo e fofo (tirando a parte que doeu no coração ver minhas roupas indo embora). 

Desde que o meu cachorro morreu, percebi que precisava fazer algo para ajudar os animais. Sinto muita saudade do Napoleão, mas não gosto de lembrar dele com tristeza. Acho que quando perdemos alguém que amamos, não devemos trancar esse amor dentro de nós e o transformar em sofrimento em solidão. Ao contrário, devemos externalizar todos os sentimentos bons, sendo anjos nas vidas daqueles que ficaram e precisam. Eu fiz tudo o que eu pude para salvar meu cachorro e agora faço tudo o que eu posso para permitir que todos os animais sejam felizes como ele foi. 

Sei que pra muitos tudo isso que eu escrevi é uma bobagem sem limites, porque ainda tem gente demais que pensa que os animais não merecem ser respeitados ou amados. Porém, não é com essas pessoas que eu quero dialogar nesse post, mas, acima de tudo, com você, que assim como eu, ama todo e qualquer bicho. ADOTEM! Não importa o que digam por aí, mas CACHORRO NÃO É MERCADORIA. Não deixem fazer vocês acreditarem que amor tem preço. Os filhotinhos de petshops (ainda que das grandes redes) possuem um histórico de crueldade: suas mães ficaram amarradas durante boa parte da vida cruzando indiscriminadamente para gerar bebês "bonitinhos". Se o mundo fosse baseado apenas em beleza, será que todos nós atingiríamos os requisitos necessários  e seríamos escolhidos para receber amor?







 Adote. Ajude. Ame. Não compre. 



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sebos da Sé + Compras

Sebo do Messias



                Estou para escrever esse post há MUITO tempo! Pra quem não sabe, a USP teve a maior greve da história esse ano (foram 4 meses) e, por isso, as minhas aulas voltaram só na segunda metade de agosto. Não sei se foi pra descontar, ou se o segundo semestre de ciências sociais é pesado mesmo, mas os professores passaram livros demais. A carga de leitura ficou imensa e não compensava recorrer à xerox, porque eram obras inteiras e o preço acabaria (em teoria) saindo mais caro do que comprar os livros em sebos. Por conta de toda essa confusão, chamei meu pai, conhecedor da Praça da Sé (São Paulo), para irmos procurar esses livros.
                Nunca tinha ido a um sebo. Minhas expectativas (pra variar, pra variar) estavam na estratosfera e, mais uma vez, eu me decepcionei (eu não aprendo nunca!). A maioria dos leitores ama sebos e, realmente, eu consegui comprar várias coisas legais. Mas a imagem “sebo” me chocou muito. Não sei, na minha opinião, livro usado não precisa ser livro amontoado pegando pó. Eu fiquei com dó de tanta coisa boa jogada e sozinha, sem ninguém pra dar atenção e ler (mundo, me interne hahahaha).
                Entrei em 3 sebos no total. O primeiro foi o Red Star, indicação de um amigo da USP.  O segundo foi o Sebo José de Alencar e o terceiro o tão famoso Sebo do Messias. Em todos eu senti aquele vazio de falta de pertencimento. O Messias, por incrível que pareça, foi o que eu menos gostei, por não encontrar NADA do que estava procurando (apesar de ter encontrado outras coisas legais).  Para facilitar, vou listar o que eu precisava:

  • ·         Segundo Tratado Sobre o Governo, John Locke
  • ·         A Ideologia Alemã, Karl Marx
  • ·         O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx
  • ·         O Capital – Livro I, Karl Marx
  • ·         Comentários Sobre a Primeira Década de Tito Lívio, Maquiavel
  • ·         O Leviatã, Thomas Hobbes
  • ·         O Contrato Social, Rousseau



Sei que não são livros fáceis de encontrar, mas são bem comuns nos cursos de humanas (direito, ciências sociais, economia, história), então achei que poderia ter uma chance. Não quis levar pra casa nada que estivesse em mal estado, pois, devido a minha rinite extremamente forte, seria impossível realizar a leitura. As minhas compras foram: 





O Leviatã, de Thomas Hobbes

A coleção "Os Pensadores" é bem famosa entre os alunos de humanas. São títulos dos mais diversos autores com uma das obras de maior destaque de cada escritor (porém, é sempre bom ficar esperto, porque algumas vezes as obras vem cortadas). Essa minha edição do Hobbes é a do Leviatã, tem capa dura e folhas brancas. O livro está novinho, nunca deve ter sido lido! Paguei R$20 na Red Star, o que é um preço excelente. A edição disponível pra venda nas livrarias custa R$100 e é editada pela minha professora de política clássica, Eunice Ostrensky (queria muito ter uma dessa, afinal é da minha professora preferida da grade, masssss R$ R$ R$ R$ R$).





   O Capital, de Karl Marx


Que dificuldade encontrar o livro mais popular do Marx! Na minha inocência, achei que seria o mais fácil de adquirir. No Red Star tinha uma edição velhíssima por R$70, o mesmo preço que estava um novo nas livrarias. Achei esse no José de Alencar. Também está igualmente novo, deve ter sido usado apenas para alguma consulta. Paguei R$50, o que na época era um preço bom, entretanto, 1 mês depois (antes que eu precisasse usá-lo na aula), a Saraiva lançou uma promoção por R$40. Não me arrependi porque ele é super novo e acabou saindo mais barato do que eu  pagaria se fosse comprar na loja, mas o novo tem as páginas amareladas (as minhas são brancas).





O Contrato Social, de Rousseau

Esse foi o único livro que eu comprei sem pesquisar o preço e foi uma GRANDE burrice, porque não sabia que todas as edições eram pockets. Na minha cabeça absurda, imaginei que o livro fosse grande, com umas 300 páginas (igual aos demais que a professora passou na lista). Fiquei muito tempo rodando até me convencer que o texto era integral. Comprei na José de Alencar também por R$8. Uma edição nova sai por R$16. Compensou porque eu tinha comprar vários livros, mas se fosse pra buscar apenas esse, era melhor comprar um novo pela internet.






Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século

Eu não consegui encontrar nada que eu procurei no Messias. Os livros do Jorge Amado estavam por R$3, mas as folhas chegavam a cair de tão velhos que estavam. Como tudo fica muito amontoado, fiquei muito confusa. Quando estava indo embora, passei por uma prateleira escrito "mais vendidos" e essa coisa linda estava no meio! Eu fiquei radiante de felicidade. Amo contos e amo autores brasileiros. Essa edição tem capa mais ou menos dura e está muito bem conservada. Paguei R$25 no escuro e depois, em casa, ao pesquisar, descobri que um novo sai por R$80. Um achado dos deuses!






Turma da Mônica Jovem, "O Casamento do Século"

O Messias tem uma parte dedicada à gibis e mangás SENSACIONAL. Como o passeio já estava terminando e meu pai tinha que trabalhar, não pude olhar com muita atenção. Eu sempre quis esse gibi que narra o casamento da Mônica e do Cebolinha e fiquei alucinada quando encontrei. Quando já estava em casa um amigo disse que se procurar bem na internet dá pra encontrar um novo. Paguei R$5, sendo o preço da banca R$7,50. Não me arrependi porque tá novinho e me poupou o trabalho de procurar. Eu ainda não li, mas vou fazer isso amanhã! (aquelas, tinha esquecido completamente da existência desse gibi, vê se pode)







1968, do sonho ao pesadelo

Esse livrão é uma edição do Estadão com as principais capas de 68, um ano muito conturbado na história mundial. A violência da ditadura militar se acirrava no Brasil, o que rendeu excelentes reportagens. Além disso, a Guerra Fria tava que tava, com corrida espacial e divisão do mundo em comunismo x capitalismo. Nesse ano, Martin Luther King também foi assassinado. Enfim, 1968 marcou a história de maneira única. Achei esse livro na escada do Messias e custou R$5. Fiquei bem feliz.








Ainda sobre o Messias, lá tem uma parte para CDs e LPs INCRÍVEL. São muitos títulos raros e os preços são bem baratos (pelo menos dos CDs, dos LPs eu não faço ideia!). Lá na FFLCH esse cantinho do Messias é sucesso entre os alunos! Eu não comprei nada, porque a compradora oficial de CDs da família é a minha mãe e fiquei com medo de trazer algo que a gente já tem. 







Sebo Red Star: Rua Benjamim Constant, 48. Tel: (11) 3101-3125
Sebo José de Alencar: Rua Quintino Bocaiúva, 285. Tel: (11) 3112-1882
Sebo do Messias: Praça Dr. João Mendes, 140. Tel: (11) 3104-7111



*Como vocês podem perceber, eu não achei metade do que estava procurando. Contudo, comprei títulos muito bons, a preços agradáveis e em ótimo estado. O passeio foi bastante divertido e eu planejo voltar nas férias e tentar vender algumas revistas que eu tenho. Espero que o post tenha ajudado vocês a entenderem um pouco do universo dos sebos ao redor da Praça da Sé e os motive a conhecê-los. São lugares mágicos em que você nem vê o tempo passar. 


Eu e O Leviatã. Dois maus por natureza!