quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

.inércia

         Tem mais ou menos um ano que eu não escrevo absolutamente nada além de dissertações sobre o altruísmo do povo brasileiro ou o papel do idoso na sociedade brasileira.  Mesmo. Mas nem por isso eu posso dizer que me dediquei totalmente a isso e que cumpri meu dever de passar na Fuvest ou em qualquer universidade, qualquer lugar que me tire dessa casa que faz a cada dia mais eu me sentir uma cômoda quebrada esquecida em um canto, que nunca vai sair daqui.
         Em menos de 20 dias eu vou fazer 20 anos. 20 anos sem nunca ter saído de São Paulo. Não, nem pra Paraty. O mais longe que eu cheguei de São Paulo foi Ilha Bela, em 2008, mas Ilha Bela continua em São Paulo, de qualquer jeito. No ano passado, o lugar mais longe que eu fui foi o Morumbi. Eu leio tudo o que eu já escrevi, vejo meus sonhos anotados e só consigo pensar em “Onde eu fui parar?”.
Dormi 2013 inteiro, não é um exagero. 85% do tempo eu não tive vontade de levantar da cama. Eu não fui ao cursinho, o que não é de todo mal, porque eu odiava aquele lugar, eu perdi os meus amigos, perdi meu namorado, não li nenhum livro que me interessava. Eu desisti de fazer jornalismo. Meu cachorro morreu. Eu olho pra trás e não consigo nem ver a sombra de quem eu fui um dia.

         Quando eu achei que tudo melhoraria, que eu finalmente tinha vencido Saturno e teria a paz de Júpiter, não posso mais ter certezas. São notícias ruins recorrentes, não sei se vida adulta é ver tudo o que você ama morrer aos poucos, não sei se eu consigo me acostumar com isso.

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