domingo, 19 de janeiro de 2014

Como Se Não Houvesse Amanhã - o livro


Quando eu vi esse livro na BSP eu fiquei louca! Na verdade eu nem sabia do que se tratava, eu estava alugando outro livro e um moço parou do meu lado pra devolver esse. E, sério, pra mim o livro podia ensinar como lavar os pés da sua avó, mas só por ter esse título deveria ser lido. Eu sou pirada por Legião Urbana desde que eu me entendo por gente, foi amor à primeira vista e não vou ser hipócrita de dizer "ah, gostei de cara porque eu me identificava com as músicas", quando se tem 8 anos você não se identifica com músicas como as do Legião, mas eu lembro que eu ouvia e falava pra minha mãe como aquele moço das músicas dizia palavras bonitas. E gostando de poesia você já nasce, não adianta. Mas, enfim, eu cresci e Legião Urbana dizia tudo o que a minha alma sentia, traduzia minhas emoções mais íntimas. Li a biografia do Renato Russo e tudo que podia ser lido sobre ele, sinto meio que uma identificação de alma com ele, sei lá, nós pensávamos muito parecido na nossa adolescência. Renato e o Legião são muito do que eu sou e do que eu penso. Eles são meus ídolos e gênios.
Enfim, voltando ao livro, a proposta era bem simples: Henrique Rodrigues convidou autores fãs da banda para escreverem crônicas inspirados nas suas músicas favoritas do Legião Urbana. Juntou as 20 melhores e publicou o livro. Eu sou MUITO exigente quando o assunto é Legião, muito mesmo. O Renato dizia que nós somos a Legião, então pra você ser parte disso e fazer uma homenagem, tem que ser à altura da banda, precisa merecer. E nesse ponto eu fiquei decepcionada, as crônicas são boas, mas tem muitos temas repetidos (são 8 contos cujo tema central é separação e divórcio, fora outros que têm isso no meio, mas não é o assunto principal). Ficou maçante.

Meus contos favoritos:


Será - A protagonista é uma menina, ainda criança, que não se adapta muito bem ao perfil que esperam que ela tenha. Na escola ela tem aula de costura, mas prefere ficar escondida na biblioteca até a hora do recreio, quando pode fugir de vez da escola. Depois de fugir da escola ela costuma visitar uma amiga alguns anos mais velha, já adolescente. Essa sua amiga tem os anseios e desejos normais da idade, mas é severamente reprimida pela mãe. A história brinca entre o papel da mulher na sociedade e a busca pela liberdade.

Tempo Perdido - Esse conto trata sobre o período da ditadura militar. A protagonista era uma militante ativa, importante e extremamente perseguida. Vivia um amor muito forte, com um homem que lutava ao seu lado. Um dia a casa que lhes servia de esconderijo foi descoberta pelos militares. Ela fugiu, ele foi pego e nunca mais apareceu. Detalhe: ela nos conta sua história nos dias atuais, relembrando o seu passado, consequentemente, durante a narrativa aparece toda a culpa que ela carrega por ter vivido todos esses anos, reconstruído sua vida, se casado, tido filhos, enquanto ele foi morto e dado por esquecido. O amor deles nunca vai acabar, porque foi interrompido da maneira mais cruel possível (esse é meu conto preferido, disparado).

Giz- Esse é um dos infinitos contos sobre separação, mas eu gostei porque ele tem um fiozinho de esperança. Também fala sobre o vazio, como todas as coisas acabam e como a gente se sente perdido com isso, mas é o único em que o protagonista quer desesperadamente a mulher de volta e faz alguma coisa pra ela voltar. Os outros são basicamente assim "tudo na vida acaba, é triste, mas é inevitável", nesse é "desgastou, a gente não soube lidar com isso, mas eu te amo e eu preciso de você na minha vida". E eu acredito nisso, em amar uma pessoa, querer ficar com ela apesar das dificuldades. Na verdade eu queria que as pessoas acreditassem também.



Os que eu não gostei:



Eduardo e Mônica - Eu criei a maior expectativa do mundo pra esse conto, obviamente, mas quando eu vou ler a história trata do DIVÓRCIO do Eduardo e Mônica. PQP, como assim? Eu odiei, odiei MESMO, odiei muito. Tudo bem todas os outros contos falarem de divórcio, eu mais do que ninguém entendo como é difícil fazer uma relação ficar viva com o passar do tempo, eu sei que se não houver muita força o divórcio é inevitável, mas é o Eduardo e a Mônica, o casal perfeito, o casal inspirador, o casal utópico. O Eduardo e a Mônica nunca se divorciariam porque eles são o exemplo de amor e companheirismo, todo mundo sonha com um amor como o do Eduardo e da Mônica. E não tem como ser assim, eu sei, por isso existem divórcios, porque nós não somos como Eduardo e Mônica. 


Monte Castelo - Vou ser o mais sincera possível: eu não gosto dessa música. Acho chata demais. Eu sei a letra de cor, eu consigo entender a intenção do Renato, mas, no fim, pra mim é tudo chato.






O livro custa em média R$35, mas ele está disponível em algumas bibliotecas - de graça é muito melhor, né? A minha conclusão é que apesar de não atender minhas expectativas, todo mundo que é fã do Legião deveria ler. Os contos estão distribuídos de acordo com as ordens das músicas nos CDs, o que é muito bonitinho e, além disso, eu acho muito bacana ver as impressões que pessoas diferentes podem ter com as mesmas músicas que nós gostamos tanto. 

Um comentário:

  1. Oi Natália. Eu também adoro Legião. Boa dica! Eu tenho um blog também, quando quiser, faça uma visita: www.mardevariedade.com bjs

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