domingo, 9 de fevereiro de 2014

Idade das Trevas

            Ontem li uma reportagem sobre os maiores instrumentos de tortura inventados pelo homem. A maioria se relacionava à Idade Média e Inquisição. Aceitamos nosso passado com a certeza de que esses atos desumanos, tempos de controle e intolerância religiosa ficaram para trás, pelo menos nas sociedades Ocidentais, “Graças a Deus”. Afinal, atualmente, temos o direito de buscar por conhecimento, somos culturalmente e ideologicamente livres, não há preconceito, não existe mais tortura.
            Idade das Trevas é o que vivemos hoje em dia. Nós, humanos, somos tão engenhosos que não precisamos mais de instrumentos específicos. De improviso conseguimos fazer uma corrente de bicicleta virar arma. “O que resta ao cidadão de bem, que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, claro!”. Eu me pergunto como alguém capaz de atacar em bando um adolescente que estava indefeso pode ser considerado um cidadão de bem.
            As justicativas compõem-se dos mesmos clichês de sempre “Tá com dó? Adota um bandido”. E antes dele ser bandido, ele era o que? O que ninguém percebe é que se tem gente roubando na rua, a culpa é de todo mundo. É muito fácil culpar o prefeito, o governador, a falta de competência da polícia. Mas quantas vezes alguém se preocupou em olhar as tantas crianças sujas que perambulam pelas nossas ruas. Quantas vezes levantou cedo em um domingo e foi ler pra uma criança carente?
            A jornalista em questão, famosa por “falar o que o povo pensa” nada mais é do que uma caricatura caprichosa da nossa classe média. Suas afirmações em nada contrariam o que Marcelo Rezende e Datena dizem há anos. A diferença primordial é o respaldo de sentar atrás de uma bancada, importantíssima, assim como a classe C adora se sentir.  Suas ideias e aparente coragem nada têm de original: direitista ferrenha, cristã que desconhece o significado do perdão, extremamente preocupada em criar um mundo de desenho animado para os seus filhos viverem.

            A humanidade caminha no sentido contrário da história. A cada dia damos um passo na contramão da sociedade civil, em direção ao Estado de Natureza, cuja característica principal é um constante Estado de Guerra, a chamada guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes). Em teoria esse Estado de Guerra ocorre quando não há um governo forte o suficiente para controlar os instintos humanos. E é nesse ponto que se concentra o maior problema. Quem conhece o mínimo de história sabe que população descontrolada, violência desmedida e indivíduos sem o mínimo amor à sua nação são os ingredientes básicos para um golpe político e ascensão de um governo totalitário. Será esse o nosso tão aclamado destino?

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