sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Lobo de Wall Street




                Com 3 horas de duração e 5 indicações ao Oscar (filme, diretor, ator –Di Caprio, ator coadjuvante –Jonah Hill, e roteiro adaptado), definitivamente esse é o filme mais comentado do momento. Biográfico, o enredo conta a história de Jordan Belfort, o chamado “Lobo de Wall Street”, corretor de ações e golpista profissional.  O diretor, Martin Scorsese, destaca a ostentação e depravação que existe no meio financeiro, mostrando que não há o menor pudor em enganar, roubar, se drogar e transar com qualquer coisa que se movimente.  Uma busca constante e desmedida por prazer.
                O filme cumpre com louvor o seu propósito e Di Caprio, como sempre, está impecável –o que não significa necessariamente que ele ganhe o Oscar, porque, como eu disse, nunca vi um filme em que sua atuação não fosse maravilhosa e ele nunca ganhou a estatueta por isso (o que confirma a desconfiança mundial de que o Oscar não é nada além de um jogo de interesses).  Mas não é só de elogios que se constrói O Lobo de Wall Street, a película se torna um pouco cansativa, uma vez que está repleta de passagens e diálogos completamente desnecessários e maçantes.
                Entretanto, o que mais me chamou atenção não foi o enredo, o diretor ou a atuação, contudo a reação do público e da crítica. As pessoas ao meu lado se divertiam e aplaudiam o estilo de vida de Belfort, desejando poder viver parte daquela história.  Belfort não pode ser considerado nada além do que uma máquina de ganhar dinheiro, pois é somente isso que ele sabe fazer. O exemplo perfeito do homem rico, sozinho, sem valores e vazio, o qual não possui nada na vida além de alguns milhões de dólares e quer provar, a todo custo, que é extremamente feliz e completo por isso.
                O Lobo de Wall Street merece o Oscar por conseguir satisfazer todo tipo de público: o ambicioso, apaixonado por luxo, que sonha com o “american way of life”; e o indivíduo que consegue ler nas entrelinhas. A reflexão central não é o poder que o dinheiro exerce sobre as pessoas, mas o poder que as pessoas exercem com o dinheiro. Belfort se fez milionário o suficiente para conseguir sustentar sua frustração, pagou por uma imagem completamente diferente do seu ser interior, sendo esse o principal encanto de ser rico, a possibilidade de dissimular e esquecer quem se é. 

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