segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O projeto de comprar pouquíssimos livros em 2014

Sim, é exatamente isso o que vocês leram: em 2014 minha meta é não comprar livros - a não ser que se faça extremamente necessário, ou que seja objeto de estudo que usarei por muito tempo. Obviamente, o que proponho não é diminuir a leitura, aliás, o contrário, também quero aumentar significamente a quantidade de obras lidas (tenho todos os livros que eu li, desde 2008, catalogados, com nome do autor e data que eu terminei -mania de louco). 
Tenho um motivo central pra isso: a elitização da leitura no Brasil. No nosso país livros são produtos caríssimos, basicamente devido à baixa procura (você pode entender melhor sobre isso aqui) e eu tenho pensado muito sobre o papel do Estado perante à sociedade. E é obrigação do Estado garantir cultura à sua população. Na minha reflexão, percebi que nós nos acomodamos pensando que o nosso país é uma porcaria e nada funciona (tudo bem, no mínimo 70% do que o governo se propõe a fazer não é realizado), mas nunca percebemos o que há de bom ao nosso redor. 
Perto da minha casa tem uma biblioteca muito boa, certamente a melhor da Zona Norte de São Paulo, a Biblioteca de São Paulo (BSP). Ela se localiza ao lado do metrô e de várias linhas de ônibus, ou seja, tem fácil acesso. A infraestrutura não deixa absolutamente nada a desejar: ar condicionado, sofás confortáveis, banheiros limpos -tem até copo nos bebedouros! Conta com um acervo imenso e os livros estão em perfeito estado -me impressionou as renovações poderem ser feitas pela internet.  Além disso, ocorrem várias palestras e atividades diversas, com programações que envolvem desde a primeira infância aos idosos. Entretanto, o melhor de lá é o atendimento: muitos funcionários, sempre simpáticos e dispostos a te ajudar (dá de 1000 na Saraiva). Enfim, é um lugar gostoso pra passar a tarde, estudar, se reunir com amigos. 
Infelizmente são poucos ainda os que têm acesso à bibliotecas desse nível e muito sobre a elitização da leitura no Brasil nada relaciona com o preço absurdo dos livros, mas pela falha do nosso sistema educacional, o qual não incentiva o indivíduo a ler e pensar por si próprio. Um dos meus maiores desejos e objetivos de vida é tentar mudar isso, por isso eu escolhi ciências sociais, mas eu ainda não posso, então eu vou modificando a mim mesma. Esse foi o jeito que eu encontrei, usufruir do bem público da maneira que eu consigo (e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo). Todos os meses eu vou à biblioteca e pego 5 livros, o máximo que eu consigo ler em 30 dias. Falamos muito sobre o altíssimo nível cultural europeu, mas na Europa ninguém se preocupa em possuir o livro, o primordial é ler.


"Menos livros, mais histórias"






PS: sobre os elogios e descrição da BSP, quero deixar claro que de maneira nenhuma pretendo fazer apologia ou qualquer tipo de incentivo ao PSDB. Até porque, não vejo motivos para elogiar quem não fez mais do que a obrigação -como eu disse anteriormente, garantir acesso à cultura é obrigação do Estado. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário