sábado, 28 de junho de 2014

Malévola, a vilã de 2014










              Coloquei a trilha oficial do filme, na voz de Lana del Rey (nunca na minha vida tinha escutado uma música dela e me sentia bem com isso), logo no começo do post pra que vocês já leiam inspirados. Acho difícil que alguém ainda não tenha ido ao cinema assistir Malévola, afinal na maioria dos cinemas já saiu de cartaz. Mas, se você por acaso não viu o filme, vá, agora! Assisti duas vezes no cinema, sim, DUAS, porque uma só não era o suficiente. São muitos detalhes maravilhosos, cenários lindos, se você piscar com certeza perderá algum momento especial. Não é à toa, Malévola já é o maior trabalho e a maior bilheteria de Angelina Jolie como atriz, ultrapassando a meta de 500 milhões de dólares.
            Estava um pouco apreensiva para assistir esse filme, devido à versão da Disney de O Mágico de Oz que foi horrível. Tinha um pouco de medo do filme perder a aura de encanto que o desenho exerceu sobre a minha infância, uma vez que a história é contada do ponto de vista da vilã –a qual, aliás, tem todos os motivos do mundo para ser uma boa vilã. Entretanto, o filme se torna maravilhoso porque aproxima os contos de fadas da realidade humana.
            Existiam dois reinos fronteiriços, o dos homens, governado por um rei ambicioso e o dos Moors, onde viviam criaturas mágicas que não tinham um rei, viviam em um Estado autogovernado, porque nele os seres “confiavam uns nos outros”. Eu, como estudante de ciências políticas, na primeira vez que fui ao cinema já pirei nesse começo e perdi uns 10 minutos de filme pensando nessa frase. Na minha opinião, essa colocação é uma crítica irônica ao comunismo, porque o comunismo idealizado por Marx e Engels atuaria da mesma maneira do reino dos Moors e, consequentemente, só conseguiria funcionar em um mundo de criatura mágicas e honestas, qualidades que definitivamente os homens não têm–vide as tentativas de Estados comunistas.
            Malévola é uma fada que vive em harmonia com a natureza no seu reino. Quando cresce, torna-se protetora dos Moors e precisa aprender a lidar com a ambição do rei humano que deseja tomar seu reino a qualquer custo. Essa dicotomia de ambição x harmonia rende uma cena de batalha maravilhosa, na qual o rei sai ferido. Sabendo que ia morrer, o rei ordena que procurem e matem Malévola, sendo que quem conseguisse o feito seria seu sucessor no trono. E mais uma vez a ambição humana entra na jogada. Malévola, acreditando inocentemente na bondade humana, é traída para que o seu “verdadeiro amor” suba ao trono –e que atuação da Jolie nessa cena de traição, chorei as 2 vezes.
            E o filme fica, definitivamente arrasador, depois da traição. Malévola vira a “bruxa” que nós conhecemos, arruma um corvo, veste preto, decide que vai ser uma ditadora do reino dos Moors –Stalinismo na veia –e invade o batizado pra amaldiçoar a recém nascida –gorda, fofa, gostosa de morder –  princesa Aurora. A partir desse ponto, tudo que nós conhecemos do conto acontece: todas as rocas de fiar são queimadas, a Malévola faz a muralha de espinhos e o rei manda as 3 fadas criarem a Aurora na floresta.
            O rei fica doido e obsessivo para conseguir capturar Malévola. E, Malévola, como continuava a ter uma alma boa, não conseguia deixar Aurora ser criada pelas 3 fadas atrapalhadas e completamente irresponsáveis, sempre dava aquela ajudinha básica. O resto eu não vou contar, porque não vou ser a tia chata do spoiler.


            Malévola é, definitivamente, o filme mais bonito da Disney. Os efeitos especiais são impecáveis, tanto no 3D como no 2D, a trilha sonora linda e, principalmente, conta com um enredo que nos leva a refletir se as pessoas boas e as más são realmente aquelas que sempre nos fizeram acreditar que eram. Malévola te dá cutucão, te apresenta a uma verdade necessária, porque você não é mais criança e precisa aprender que o mundo e os homens não são tão simples assim. Não existe o bem supremo x o mal absoluto. Todos somos bons e maus, sendo que obviamente, existem pessoas mais boas do que outras.

Malévola te faz refletir sobre o seu mundo, sobre suas ambições, seu relacionamento com a natureza e com os outros ao seu redor. Um filme que mostra que você cresceu, mas que ainda existem muitos sentimentos bonitos dentro de você e no mundo. Basta você escolher qual caminho seguir.


Lançando uma maldição de boa



Não sei porque, mas eu digitei "Malévola" no Google pra achar imagens e só tinham fotos da Ticiane Pinheiro vestida de Malévola. Bitch, please!

Pra não esquecer dos velhos tempos <3


Um comentário:

  1. Sensacional Nat!
    Escreveu e descreveu muito bem :)
    Bjokas Carol

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