quinta-feira, 31 de julho de 2014

Maçã

            Eva acorda. A luz forte e branca que impregna o cômodo a faz lembrar seu cárcere diário. Não sabe se está delirando ou se realmente tenta invocar espectros que não aparecem. Os esquecimentos que guiam os humanos não podem acompanha-la nesse quarto de luz.  Ela escolheu saber, então vai se lembrar. A sinestesia mistura seu olfato, paladar e tato. Nada cheira e nada sente. Está trancada e a saída foi enterrada nas escrituras divinas. Não há mais portas ou janelas.
Eva é um ser de quem não se têm lembranças. Alguns insistem em recordar seus erros, então também devem ser presos. As trevas são as chaves do paraíso e as sombras, anjos guias. Sua época é anterior ao sentido da realidade, ainda que a realidade não tenha sentido. O aceitamento torna o necessário verdadeiro.
Trancafiada. Em um quarto de luz branca. Dentro de uma máquina falha. Não há ar suficiente. E porque não há ar, Eva continua pecando. Todos se esqueceram de lembrar. A luz forte mostra o que existe no mundo além do cômodo secreto. Nada. E porque está presa com as pupilas pouco dilatadas sofre. Não há ar na penitência.

 A tortura continua todos os dias que são noites e todas as noites que são dias. Eles sabem. Saber é pecar. Ninguém quer arriscar. Aceitar é viver. Aceitar é continuar. Aceitar são noites de sono bem dormidas. Eva escolheu sentir o gosto doce.

Livros de julho

Para uma pessoa que ama literatura e ama falar sobre livros, eu tenho um problema sério: eu não consigo ler vários livros em um mês. Eu vejo no Instagram pessoas que já leram mais de 50 livros esse ano e eu morro de inveja. Além do tempo ser limitado, eu não gosto de ler por ler, eu preciso adentrar aquilo que está sendo exposto e entender exatamente o que o autor planejou ao escrever cada palavra. E, geralmente, eu prefiro obras densas -eu demorei um mês pra ler Dona Flor e Seus Dois Maridos. Obviamente alguns livros eu consigo ler rápido, principalmente aqueles que se encaixam na categoria "Y.A.", ou seja, livros para jovens adultos. Masss, eu tô progredindo na velocidade da leitura, aos poucos.


Livros lidos em julho  (na ordem em que foram lidos)
  • O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaner
  • Orange Is The New Black - Piper Kerman 
  • A Culpa é das Estrelas - John Green
  • Con Certeza Tengo Amor - Marina Colasanti
  • O Perfume - Patrick Süskind

Leituras em andamento
  • Adormecendo na Escuridão - K. F. Zacharias
  • Jogos Vorazes -Suzanne Collins (tô querendo largar)





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Orange Is The New Black: livro x seriado




Lá estava eu em uma das minhas peregrinações pela Saraiva quando me deparo com um livro intitulado Orange Is The New Black, com as personagens da série do Netflix na capa. Apesar de eu ser uma das poucas pessoas no mundo que não consegue assistir séries assiduamente, porque não tenho paciência para mais de 2 episódios por dia, eu amo com todas as forças Orange Is The New Black, então, me interessei pelo livro achando que era algo relacionado aos bastidores de filmagem. Masssss, quando eu peguei o livro, logo percebi que o nome da autora é PIPER Kerman, ou seja, o mesmo nome da PIPER protagonista da série. E, pra minha deliciosa surpresa, o livro, na verdade, é a história real de Piper Kerman que passou 13 meses em um presídio de segurança mínima norte americano e inspirou a série do Netflix –sim, eu surtei.
Para quem não conhece a série, vou explicar minimamente. Piper Chapman é uma americana loira, de classe média, formada em uma universidade e noiva do Larry. Entretanto, sua vida nem sempre foi tão tradicional e tranquila. Quando ela estava terminando a universidade, se envolveu amorosamente com uma traficante de drogas internacional, a Alex Vause. Durante o romance, Piper viveu no luxo, viajou pelo mundo inteiro e, inevitavelmente, acabou se envolvendo com o crime também, transportando uma mala de dinheiro do tráfico. 10 anos depois, já com a sua vida nos eixos, Piper é condenada e vai para a prisão, onde precisa aprender a lidar com mulheres com histórias de vida, culturas e comportamentos diferentes do seu. Além disso, Piper encontra com Alex na cadeia e passa a ter que conviver diariamente com ela. A série mistura comédia, pois muitas detentas são engraçadíssimas, com drama, pois as histórias de vida retratadas são muito tristes.
Chiquititas está para um orfanato brasileiro assim como a série Orange Is The New Black está para a história real. É tudo diferente, mesmo. Eu ainda não terminei de assistir a segunda temporada, mas até agora, praticamente todos os episódios retratados na série estão no livro, mas de uma maneira exagerada e hollywoodiana. Nenhuma personagem da série existe no livro. Os autores da série pegaram determinadas características de várias mulheres do livro e juntaram em uma personagem só. Assim, cada mulher ficou com características impossíveis de existir em um ser humano, para dar maior dramaticidade e apelo ao personagem.
Algumas personagens, porém, se aproximam da história real. No livro, Vanessa é uma transexual “com seu 1,80 metro, cabelos louros, pele cor de café, seios que pareciam dois balões, uma quase mulher da cabeça aos pés”, mas, ao contrário de Sophia, Vanessa, cumpriu a maior parte de sua pena em um presídio de segurança máxima e, de forma alguma, é a cabeleireira das outras detentas –aliás, o salão de beleza delas não funciona. A personagem Red se aproxima muito da melhor amiga de Piper na prisão real, Pop, porém ela não contrabandeava e nem perdeu seu cargo na cozinha, mas era, sim, uma presa muito respeitada pelas demais e que adorava massagem nos pés.
            A única personagem fiel no livro e na série é a freira. No livro, a Irmã Ardeth Plate foi uma das únicas mulheres que permitiram que seu nome verdadeiro fosse exposto. A permissão ocorreu porque a Irmã foi realmente presa por ter participado de um protesto pacífico. O livro expõe que nos EUA é comum a população de presos políticos, atitude extremamente arbitrária e antidemocrática de um país que se considera livre.
            Quando eu assisti a primeira vez, achei um total absurdo colocarem a Piper junto com a Alex no presídio, afinal, elas são cumplices de um crime, sendo que a Alex acusou a Piper no julgamento. Eu não sei se no Brasil seria proibido elas ficarem juntas, mas imaginei que nos EUA, isso seria impossível. E é mesmo, a Piper somente encontrou com a Alex quando elas foram mandadas para Chicago para testemunhar no julgamento de um chefão do tráfico. De resto, cada uma cumpriu sua pena em um presídio diferente. Além disso, no livro, a Alex é uma mulher no auge dos seus 50 e poucos anos, chamada de “Velhinha” pelas outras presas.
            A série também associa os presídios americanos como um paraíso para o sexo lésbico, outra mentira. No livro, Piper apenas menciona o sexo como algo extremamente proibido dentro do presídio. Assim como na série, existem mulheres que se apaixonam durante a pena, mas, se em decorrência desses romances há relações sexuais, elas são veladas –relações sexuais levam as presas para a solitária.
            Uma verdade convergente tanto na ficção como na vida real é a extrema segregação racial criada pelas próprias presas dentro do presídio. Piper consegue fazer amizade com mulheres de todas as raças, entretanto, fica mais próxima das brancas. As latinas, chamadas “mâmis espanholas” ficam com as latinas, as brancas com as brancas e as negras com as negras. Essa ordem é praticamente respeitada nos dormitórios, com algumas exceções, como a da própria Piper, que foi designada para dormir no “gueto”, nome dado ao dormitório das negras.
            A lista de discrepâncias entre o livro e a série são imensas. Apesar disso, o livro que inspirou a série é muito atraente para os fãs da história de Piper Chapman. Saber os “poréns” é sempre muito interessante. O livro também é um bom panorama da realidade dos presídios estadounidenses, os quais, ao contrário dos brasileiros, cumprem seu papel de reabilitar e reintroduzir indivíduos na sociedade. Para quem já leu ou assistiu “Carandiru”, de Drauzio Varella, as prisões retratadas em Orange Is The New Black se assemelham a uma colônia de férias para funcionários públicos brasileiros.
 Tanto na série quanto no livro somos convidados a não julgar uma pessoa, independentemente de algum erro que ela possa ter cometido durante sua vida. Cada indivíduo é único e possui uma história que nenhum de nós pode imaginar. E se você leu até aqui, vai ficar sabendo que a Piper, na vida real, é casada com o Larry e não teve nada de traição lésbica na cadeia, ao contrário, eles são felizes para sempre, o que me deixou muito feliz #TeamLarry haha


*O livro no Brasil é publicado pela Editora Intrínseca e na livraria me custou em torno de R$20 –mas eu achei na internet por R$14, então pesquisem






quarta-feira, 23 de julho de 2014

23ª Bienal Internacional do Livro São Paulo



            Esse ano ocorrerá em São Paulo a 23ª Bienal do Livro, de 22 à 31 de agosto, no Anhembi. A Bienal é, definitivamente, o acontecimento mais legal do mundo –quem liga pra Tomorrowland Brasil? E eu fui convidada para cobrir o evento e contar tudo pra vocês em primeira mão.  Sendo assim, tudo o que vocês quiserem saber sobre a Bienal, podem me perguntar por aqui, nos comentários, ou nas minhas redes sociais.


Pra quem nunca foi, a Bienal, basicamente, é uma feira do livro IMENSA. Ela  é sensacional porque nela encontramos estandes de todas as editoras, ou seja, as chances de você achar o livro que procura são muito grandes. As editoras também, geralmente, fazem muitas promoções, que podem ser livros bem mais baratos, ou descontos progressivos (quanto mais livros você compra, maior o desconto). Existem estandes que reúnem livros de diversas editoras com preço único, na última Bienal um estande imenso vendia diversos livros a 10 reais –esses estandes são sempre muito interessantes, porque encontramos alguns livros e edições antigas, que não vemos geralmente nas livrarias.
Eu amo a Bienal porque nela há 90% de probabilidade de encontrarmos o livro que queremos mais barato que na livraria. Por exemplo, eu sempre quis comprar Ensaio Sobre a Lucidez do Saramago e os livros dele geralmente têm um preço bem caro. Na Bienal de 2012 eu consegui encontrar esse livro em uma edição especial que a Folha tinha lançado fazia algum tempo, dessas que vendem nas bancas, por 12 reais –eu não ligo muito pra capas, nem se o livro é pocket, então não me importo em comprar edições aleatórias mais baratas.
A Bienal do Livro também possui diversos encontros culturais: muitos autores comparecem ao evento, seja no estande da editora que os publica, ou como convidados palestrantes da própria Bienal. Em 2010 eu vi uma palestra maravilhosa da Lygia Fagundes Telles e foi um dos melhores momentos da minha vida a ouvir contando fatos engraçados sobre a amizade dela e da Clarice Lispector. Esse ano alguns escritores famosos estão confirmados, como Cassandra Clare, Harlan Corben, Kiera Cass, Pedro Bandeira, Bruna Vieira, Paula Pimenta, Thalita Rebouças e o Maurício de Sousa. Para saber se o seu autor preferido vai à Bienal, a hora e o dia que ele estará lá, é sempre bom seguir a editora que o publica nas redes sociais e a própria Bienal, afinal eles sempre atualizam as informações. E, é importante saber se é necessário senha para ver o seu autor –se for, é aconselhável chegar cedo para pegar a senha.
            Minha dica principal pra quem for à Bienal: NÃO VÁ DE CARRO. O evento possui um estacionamento grande, porém ele é caríssimo e é quase impossível encontrar uma vaga –na hora que todo mundo resolve ir embora junto, então, aquilo vira o inferno. Chegar de transporte público será bem fácil, pois a Bienal disponibilizará ônibus gratuitos que saem o dia todo do metrô Tietê.
O ingresso custa R$14 nos fins de semana e R$12 de segunda à sexta. Pagam meia entrada os estudantes, comerciários com matrícula no SESC e quem possuir celular Samsung –a Samsung é patrocinadora do evento, então quem apresentar o celular na compra do ingresso e na entrada paga meia. A venda dos ingressos ocorre online (a venda já começou) ou na própria Bienal –quem puder comprar online, ou antecipado, principalmente nos fins-de-semana, ganha uma estrelinha dourada de esperteza, porque as filas são imensas.
Mesmo que você não quiser comprar nenhum livro, vá à Bienal. Nela você vai encontrar diversas atividades culturais e poderá se divertir com toda a sua família e amigos, pagando bem pouco. A Bienal é um ambiente perfeito para levar as crianças, pois todos os dias haverá atividades infantis programada e não há lugar melhor para incentivar os filhos, irmãos e primos a adquirirem amor pela leitura. Não percam a oportunidade de conhecerem pessoas que admiram, participarem de palestras e aulas interativas, além de adquirirem livros bem mais baratos.


23ª Bienal Internacional do Livro São Paulo
De 22 à 31 de agosto de 2014
Anhembi | São Paulo – SP

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rubem Alves





            É triste pensar que algumas vezes é necessário algumas pessoas irem embora para nos darmos conta da sua grandeza. O homem que gostava de ipês amarelos se foi e eu sinto grande angústia por ter adiado tanto a leitura de “Ostra Feliz Não Faz Pérola”, uma de suas grandes obras. A minha geração vive um pouco de saudades “nossos ídolos ainda são os mesmos (...) e você diz que depois deles não apareceu mais ninguém”, como cantou Elis. Por isso, gosto de ter autores vivos de quem me orgulhar. Sinto grande arrependimento de não ter conhecido plenamente a obra de Rubem Alves enquanto havia tempo de admirar sua grandeza em vida.
            Rubem Alves nasceu em 15 de setembro de 1933, em uma pequena cidade, Boa Esperança, no sul de Minas Gerais. Mudou-se para o Rio de Janeiro e para São Paulo onde faria um curso de teologia e se tornaria pastor. Voltou para Minas Gerais e se casou, tendo 3 filhos.
            Durante o Regime Militar, Rubem Alves sofreu forte perseguição, o que o levou a se exilar nos EUA. Ao voltar para o Brasil foi nomeado professor universitário, profissão que lhe garantiu experiência como educador. Rubem fazia críticas severas ao sistema educacional brasileiro, incluindo o vestibular, medida que considerava absurda para o ingresso nas universidades, uma vez que, para ele, exigia capacidades dos adolescentes que nem os próprios reitores das universidades teriam. Seu jeito irreverente de tratar o vestibular aproximou suas obras dos jovens que passavam por aquele momento.
            Além de professor universitário, Rubem Alves também atuou como psicanalista e abriu um restaurante após sua aposentadoria. Entretanto, ficou reconhecido mundialmente por publicar ficções adultas, infanto-juvenis e infantis e crônicas. Suas obras também abrangeram o campo da filosofia da ciência e da educação, filosofia da religião, biografias, teologia e vídeos. O autor publicou suas obras em edições nacionais e internacionais, deixando um legado imenso aos seus leitores.
            Sua obra mais famosa, ‘Ostra Feliz Não Faz Pérola’, ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti 2009, na categoria crônicas –atrás de “Canalha! –crônicas” de Carpinejar. A publicação está dividida em 11 capítulos, nos quais o escritor discute sobre as diversas maneiras de encarar e levar a vida. O autor definiu seu próprio livro: “Pessoas felizes não sentem necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes, a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi”.
            Como afirmei no post anterior, sobre João Ubaldo Ribeiro, esse último fim de semana foi particularmente doloroso, com a partida de muitas pessoas especiais para a literatura brasileira. Rubem Alves faleceu no sábado, dia 19, mas não antes de atingir a simpatia de brasileiros, ingleses, italianos e americanos. Deixou um marco de protestos em nosso sistema educacional e se aproximou dos jovens que almejam entender esse sistema e garantir para si um futuro melhor.  João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves serão, definitivamente, lembrados por muito tempo entre os leitores brasileiros.



“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves

domingo, 20 de julho de 2014

João Ubaldo Ribeiro

            Esse fim-de-semana foi particularmente triste para nós que amamos literatura. Foi-se João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves. Ambos contribuíram lindamente com a formação de nossa literatura e identidade nacional. Falarei hoje de João Ubaldo e amanhã de Rubem Alves.



           
João Ubaldo nasceu em Itaparica (BA), em 23 de janeiro de 1941, e formou-se em direito, profissão que nunca chegou a exercer, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Trabalhou como repórter, redator, colunista, chefe de reportagem, editorialista e editor-chefe em jornais no Brasil, Alemanha, Inglaterra e Portugal. Além disso, atuou como professor de Ciências Políticas na UFBA. Entretanto, teve sua carreira consagrada como jornalista, tradutor, cronista e romancista.
            Escreveu seu primeiro livro, “Setembro Não Tem Sentido” aos 20 anos e, desde então, não parou de publicar. A publicação contou com prefácio de Glauber Rocha, seu grande amigo desde 1956. O romance também foi apadrinhado por Jorge Amado, com quem manteve contato até a morte do escritor. Em 1994, João Ubaldo Ribeiro adaptou para o cinema a obra “Tieta do Agreste”, em memória ao seu amigo de outrora.
 O segundo livro de sua carreira, “Sargento Getúlio”, publicado em 1971, reúne, segundo à crítica, o melhor da literatura de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, uma vez que se mantém fiel ao regionalismo nordestino. Utilizou em Sargento Getúlio linguagem coloquial, própria do Sergipe, repleta de neologismos criados por ele mesmo. Por conta da linguagem regional, o romance tornou-se quase impossível de ser traduzido para o inglês, tarefa que precisou ser realizada pelo próprio autor. A obra lhe rendeu, em 1972, seu primeiro Prêmio Jabuti e também contou com uma adaptação para o cinema, tendo Lima Duarte como protagonista.
João Ubaldo Ribeiro publicou dezenas de livros adultos e infanto-juvenis, ganhou diversos prêmios, entre eles 2 Prêmios Jabutis e, em 2008, o Prêmio Camões, o maior da língua portuguesa. Dono de uma personalidade peculiar, casou-se 3 vezes e teve 4 filhos. Ocupava a 34ª cadeira da Academia Brasileira de Letras. Sua morte, em 18 de julho de 2014, é uma grande perda para a literatura brasileira, sobretudo a nordestina, deixando milhares de fãs órfãos de suas obras.





*Escolhi o trecho de uma crônica em que João Ubaldo Ribeiro lastima a morte de seu amigo Jorge Amado. 


Jorge Amado e Eu


Talvez pareça presunçoso eu querer falar no universo que foi e é Jorge Amado através de meu ponto de vista. Mas para falar na persona literária, política e social dele, haverá quem fale melhor do que eu. De especial no que tenho a dizer existe somente a amizade e o amor fraterno que nos uniu durante uns 40 anos e é disso que posso falar. Posso testemunhar sobre a grandeza e a generosidade de seu gênio. Pois o chamo de gênio, no sentido que esta palavra tinha antigamente, antes de enfraquecer-se pelo uso descomedido.
Quem mais, senão um gênio, teria criado toda uma nação, teria dado forma, expressão e identidade a uma terra e uma cultura como a Bahia, assim legando aos baianos e aos brasileiros em geral, pois a Bahia pertence a todos os brasileiros, um patrimônio inestimável? A Bahia não pode ser compreendida — e, por via de consequência, o Brasil não pode ser inteiramente compreendido — sem Jorge Amado e Dorival Caymmi, esse outro gênio de quem só podemos também ter orgulho. Dois fortíssimos pilares da cultura nacional residem na obra deles e, agora que eles já abriram caminho, tudo parece fácil e até óbvio. É como na história de um ignorante que foi assistir a uma apresentação de “Hamlet” e depois comentou, decepcionado, que não passava de um apanhado de lugares-comuns: ser ou não ser, eis a questão; o resto é silêncio; há algo de podre no Reino da Dinamarca; há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe sua filosofia; e assim por diante. A Bahia desabrochou sob as mãos de artesãos amorosos e de insuperável sensibilidade, como Jorge e Caymmi. Pela primeira vez os negros, os pobres, os humildes, os marginalizados foram trazidos maciçamente, através de uma singularíssima empatia e uma riqueza narrativa incomparável, para o proscênio das nossas artes — e nunca mais a cultura nacional foi a mesma.

Nós aprendemos a nos menosprezar e vivemos treinando isso o tempo todo. Há quem não veja, quem não consiga quase glandularmente não ver, que Jorge Amado não foi um dos mais importantes escritores do Brasil, mas um dos maiores autores do século, sob todos os títulos, a começar pelo fato de que, para o mundo culto e, de certa forma, para o grande público de muitos países, praticamente encarnava o Brasil e bem poucos escritores podem aspirar a esse tipo de galardão. Ele, com altivez e dignidade, nos representava, era como um símbolo da afirmação nacional, era o nosso escritor.

Foi ele que me acompanhou durante todo esse tempo, enchendo minha bola onde quer que chegasse ou a que veículo de imprensa falasse. Foi ele quem me chamou a atenção, sempre carinhosamente, para meus erros, minhas decisões mal pensadas, até para meu descuido com a saúde. A sabedoria e o bem-querer com que sempre me orientou não me deixarão nunca, sou um privilegiado maiúsculo, com essa convivência acima de tudo enriquecedora e enobrecedora. Não posso avaliar tudo o que devo a Jorge, direta e indiretamente. Só sei que tenho saudades dele e das muitas horas que passamos juntos e sei que vou atravessar o resto da vida com estas saudades.

Texto publicado no jornal "O Globo", de 12/08/2001


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Férias em São Paulo: Pinacoteca







São Paulo é uma cidade reconhecida mundialmente pela sua intensa vida cultural. São diversos museus com exposições que agradam todos os tipos de gostos e atraem turistas de diversos países. Muitos paulistanos, entretanto, não conhecem a maior parte dessa riqueza.

A Pinacoteca é um dos museus mais tradicionais de São Paulo. De fácil acesso, conta com obras de artistas renomados, como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. São apresentadas cerca de 30 exposições por ano, além do acervo permanente, localizado no segundo andar.
Eu já havia visitado a Pinacoteca muitas vezes, adorava fazer trabalhos escolares lá. Nessa última visita, na última quarta, notei que houve grandes modificações. Criaram a “sala da memória”, feita pelos próprios visitantes, onde tudo pode ser tocado e cada um cria o seu acervo particular –MUITO legal. Além disso, algumas varandas do casarão histórico foram abertas, que nos dão uma vista maravilhosa do Parque da Luz.

·        História
A Pinacoteca foi fundada em 1905 e é o museu mais antigo de São Paulo, se localiza no antigo edifício do Liceu de Artes e Ofícios, o qual formava artesãos e trabalhadores para as oficinas e comércio. O museu é contemporâneo da industrialização do estado de São Paulo e suas obras contam a jornada dos brasileiros ao longo dos séculos.

·        Como Chegar
Chegar na Pinacoteca é bem fácil. Ela se localiza na estação luz do metrô e tem acesso à Linha 1 Azul, Linha 4 Amarela e CPTM. Na estação existem diversas placas guiando os usuários e a saída do metrô é, literalmente, na frente do museu –você só tem que ter disposição pra subir muitos degraus.

·        Meu Olhar

(clique nas fotos para vê-las em tamanho grande)

























quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Resenha



            Pra ser bem sincera, eu não aguento ler mais nada difícil. Eu sempre li os clássicos e amei-os com todas as minhas forças –o meu drama habitual começa aqui. Entretanto, nesse semestre, a USP e sua leitura diária de 300 páginas derreteram o meu cérebro de um jeito que nunca havia acontecido. Resumo: eu quero livros gostosos de ler. E eu quero narrativas, sem teoria, sem sociologia, política e antropologia nelas –se bem que agora fica difícil não ver esses 3 itens em tudo. Então, comprei O Menino dos Fantoches de Varsóvia.
            Como eu sou APAIXONADA por clássicos, fiquei um pouco insegura. E fiquei mais insegura ainda quando vi que o livro é de 2013, a autora nunca publicou nada antes e é a primeira edição. Odeio primeira edição, elas sempre me gritam que o livro ainda não teve tempo suficiente pra ser considerado bom e que vão ter erros gramaticais no meio da narrativa –e tiveram mesmo, três, mas como três é pouco, eu relevei. Massssss, a minha cara caiu no chão: o livro é maravilhoso. Eu consigo imaginar perfeitamente ele no cinema, aliás, espero mesmo que vire filme, porque têm história pra isso!
            A narrativa gira em torno de Mika, um menino judeu que é mandado pro Gueto de Varsóvia com a sua família, durante o regime nazista. O cenário de caos e desalento, todos nós podemos facilmente imaginar, tendo em vista todos os filmes, imagens históricas e livros que fazem com que nós entremos em contato com a realidade passada. Porém, Mika tem uma maneira especial de trazer um pouco de alegria pras pessoas que vivem naquela situação: fantoches.
            Mika herda um casaco de seu avô, cheio de bolsos e compartimentos secretos, contendo itens misteriosos em seu interior –tinha até um pequeno violino dentro do casaco, eu não consigo imaginar como um casaco desse funcionaria, mas nunca se sabe. Dessa maneira, Mika descobre que seu avô produzia fantoches e continua seu legado. Para isso, o menino conta com a ajuda de Ellie, sua grande companheira, disposta a fazer o que fosse preciso para amenizar o sofrimento do seu povo.
            Os fantoches passam a ganhar vida própria e encorajar Mika a ter boas ações, como defender uma senhora na rua de um soldado, visitar o hospital infantil e o orfanato, entretendo o máximo de pessoas que conseguia com seus fantoches. Quando Mika se apresentava, era como se a dor daqueles indivíduos fosse embora por alguns instantes e tudo se tornasse leve outra vez. Contudo, os fantoches de Varsóvia também trouxeram perigos, uma vez que os soldados também se interessaram pelas  apresentações do menino e o faziam ir mostrar o seu talento uma vez por semana, no quartel.
            Esse ponto da narrativa é interessante, porque apresenta os soldados e uma maneira diferente do que estamos acostumados. Havia soldados bons, que não tinham nenhuma influência dentro do regime e faziam o que faziam porque eram obrigados. Sentiam grande culpa, mas continuavam nos seus postos porque tinham medo de serem considerados desertores –e o tratamento para desertores não era nada agradável. Max, o soldado bom, chega a ajudar Mika a traficar remédios para o gueto.
Nem toda população civil estava de acordo com o regime nazista. Parte da população não sabia dos crimes, pois acreditava na propaganda pública mentirosa e, parte da população que tinha conhecimento das atrocidades ocorridas, entrava na resistência e lutava contra o regime. Por exemplo, havia freiras que recebiam crianças pequenas que eram “contrabandeadas” do gueto. Essas freiras acolhiam as crianças e as entregavam para famílias católicas, livrando-as, assim, da morte.
            O livro está dividido em três partes: a jornada de Mika, a jornada de Max e o reencontro dessas jornadas. Quando a guerra acabou, o tratamento que os soldados alemães receberam por parte dos russos também foi desumano. O trabalho na Sibéria reproduzia o que os judeus viveram no gueto, porém em situação de frio extremo. A jornada de Max nos apresenta que toda história tem dois lados –e que a Sibéria REALMENTE é imensa.
            O Menino dos Fantoches de Varsóvia é uma narrativa sobre dor e esperança e sobre o amor, que floresce em qualquer lugar, ainda que no meio do caos. Todas as pessoas têm seus próprios sofrimentos, seus traumas e carregam dentro de si sentimentos que não podemos imaginar. A alternativa sempre é não julgar, pois não sabemos nada sobre o outro.  Esse livro se mostrou inesperadamente bom e acolhedor. 



Capa


Dedicatória

Eu não comentei antes, porque eu não sei se é meio besteira, mas a arte desse livro é MARAVILHOSA. 




A louca da literatura hahaha




terça-feira, 8 de julho de 2014

"Aí vindes outra vez, inquietas sombras...?" - Minha coleção de Dom Casmurro

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  •        Dom Casmurro

                Paixão. Todos amam muito algo e não tem vergonha disso. Eu amo Dom Casmurro. Amo demais. Amo mais que a minha vida. E como toda apaixonada, tenho minha pequena coleção de Dom Casmurro. Meus amigos no ensino médio falavam que eu tinha cara de Capitu –e os da faculdade também falaram isso, sem saber deles, o que é esquisito pra caramba. Não, eu não acho que tenho cara de Capitu. Talvez um pouco. Talvez toda mulher seja um pouco de Capitu.
                Em 2008 a folha lançou uma daquelas coleções maravilhosas de livros clássicos em capa dura baratíssimos. Eu tinha 14 anos e o primeiro volume –eu sempre compro o primeiro volume e paro nele –foi Dom Casmurro. Foi amor à primeira vista.  Ler Machado é realmente uma delícia: os capítulos são curtos e incisivos, sempre nos deixando com vontade de ler o próximo –e o próximo, e o próximo, e o próximo até você morrer. Como todas as obras realistas de Machado de Assis, o que conta em Dom Casmurro são as entrelinhas e elas são alucinantes.
Vou contar a história porque, como eu disse, ela é secundária. Bentinho era uma criança rica, vizinho e melhor amigo de Capitu, moça pobre e com nome da família arruinado.  Os dois foram criados em plena convivência e, com o tempo, descobrem se amar. Existem empecilhos para a relação se consolidar, a mãe de Bentinho, Dona Glória, prometeu que ele seria padre, acontecem idas e vindas, o amor juvenil e puritano permanece intacto. Só que a obra apresenta um detalhe primordial: Bentinho sempre foi um ciumento paranoico e completamente inseguro.
  Obviamente, o amor triunfa e eles se casam. Mas, lembrando, essa é uma história que faz parte da escola realista e não da romântica. A partir desse ponto do enredo, o ciúmes atinge níveis estratosféricos. Bentinho cisma que Capitu tem um caso com seu melhor amigo, Escobar, e que o filho deles na verdade é filho do Escobar. Bentinho passa a sentir asco da criança, chegando ao ponto de tentar envenená-lo. Em suas paranoias, a criança tinha os trejeitos, a voz e a aparência de Escobar. Mas, calma, não tome conclusões precipitadas.  Nesse momento, precisamos lembrar do detalhe mais importante do livro, aquilo que não foi deixado claramente exposto, mas que faz toda a diferença: nós não podemos acreditar no narrador da história.  Bentinho é o narrador protagonista, cuja ocupação é a de advogado renomado. Ou seja, Bentinho enxerga a traição de Capitu como uma causa e nós, os leitores, como jurados que ele precisa convencer. Além disso, tudo que ele nos conta é prerrogativa dele. Ele enxerga os atos de Capitu de uma certa maneira, mas pode ser que eles não signifiquem absolutamente nada, afinal, Bentinho é doente de ciúmes por Capitu.
                Entretanto, na minha visão, Dom Casmurro não se resume ao Bentinho e o seu ciúmes louco. Dom Casmurro é Capitu. Capitu “cigana oblíqua” e dissimulada. Capitu inteira. Capitu e seus olhos de ressaca, que puxava e tragava quem ousasse se aventurar em suas águas.  E a dúvida eterna se Capitu traiu ou não Bentinho.
Eu acho que Capitu traiu. Ou, pelo menos, duvido na veracidade do seu amor. Devemos frisar que a narrativa tem como cenário o século XIX, um tempo não muito favorável para a autonomia da mulher. Capitu agarrou, como ninguém, a chance que lhe foi oferecida. Sem deixar de ser livre e mostrar sua força.
O livro têm detalhes que passam despercebidos em uma leitura superficial, pois Bentinho não dá ênfase a eles. Será que nem Bentinho percebeu? Talvez acreditar nessa inocência de Bentinho seja subestimar sua capacidade de advogar, mas não há advogado que não falhe. E eu leio e releio esse livro em busca dessa falha.
Capitu era uma cigana sedutora e sonhadora, que amava a arte da conquista, sentir-se amada e ter Bentinho aos seus pés, fazendo suas vontades sem nem perceber. Para ela, Bentinho era a oportunidade de uma vida. Ele permitia que ela salvasse o nome da sua família, vivesse confortavelmente e frequentasse a alta sociedade carioca. Logo depois de se casar, o maior desejo de Capitu era sair na rua exibindo seu marido. Não sei se Capitu traiu Bentinho com Escobar, porque Capitu era inteligente demais pra perder o que lutou pra conquistar desde a adolescência. Mas que ela não morria de amores por Bentinho, ah, ela não morria mesmo –e quem morreria??? A única coisa que sabemos é que Escobar direta ou indiretamente foi vítima fatal de um mar de ressaca.
Encontrar um adjetivo para defender Dom Casmurro é tarefa impossível. A riqueza dos detalhes é exuberante. Muitas vezes eu me pego pensando que Machado os escreveu por acidente, porque não é possível alguém planejar aquilo. Talvez na cabeça dele a resposta da traição estivesse muito certa, mas ele não conseguiu expor isso da maneira correta –Graças à Deus. Dom Casmurro te leva para o encanto do Rio de Janeiro do século XIX e nos mostra que quando uma mulher quer algo, não tem homem que a impeça.

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade, do estilo, o que eles foram e o que me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava pra dentro, como a vaga que se retira da praia nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me”.



·         Amor de Capitu

Escrito por Fernando Sabino, importante autor da língua portuguesa, o livro se propõe a ser uma recriação literária da obra Dom Casmurro. Na verdade,  o autor copia e cola o Dom Casmurro e retira todas as digressões do Bentinho, ou seja, as partes em que ele fica falando com a gente sua opinião sobre os fatos e não conta história nenhuma. Ele tira o romance da primeira pessoa e passa para terceira, tentando distanciar Bentinho da narração.
Pra ser bem sincera, eu não enxerguei utilidade nenhuma nesse livro.  Eu não conhecia o título, meu namorado viu na livraria e me deu de presente. Fiquei animada pra caramba e depois super decepcionada. Não faz muito sentido passar o romance para a terceira pessoa, se no romance original quem conta tudo é o Bentinho. Tudo foi narrado por ele, então quando o autor passa para a terceira pessoa, ele transcreve utilizando o ponto de vista do Bentinho, o que não altera em nada a história. O livro não atinge seu objetivo de elucidar a dúvida central da trama, apenas reescreve a história.  É mais do mesmo.



·         Capitu

Imagino que eu e o resto do Brasil tenhamos críticas sérias à Rede Globo, mas verdade seja dita: quando eles querem fazer minissérie boa, eles fazem e ninguém segura. Capitu passou em 2008 também, foi uma daquelas microsséries de 5 capítulos, cada um em um dia da semana.
Com a direção de Luiz Fernando Carvalho, foi a minha série preferida na vida inteira e nada vai mudar isso. Obviamente, o foco da história foi a Capitu, seus trejeitos, detalhes, seus olhos oblíquos, a destruição que causou na vida de um homem fraco que morreu atormentado por suas memórias. A roupagem da série foi totalmente nova, misturava passado com presente, Bentinho pegava metrô, a Capitu era tatuada, uma loucura. E, detalhe: a Capitu foi interpretada por Maria Fernanda Cândido –não preciso falar mais, eita mulher maravilhosa. O cenário é lindo, um casarão carioca. Eles colocaram Beirut na trilha sonora! Aquele tipo de sucesso que tem baixa audiência na televisão e que, por isso, você sabe que é bom.

Eu ganhei o DVD da série logo que lançou, minha mãe me trouxe de surpresa e eu quase surtei de emoção. A capa é linda, os desenhos dos DVDs são lindos, os atores são lindos, os extras contam cada detalhe dos bastidores. E o melhor, tem TODOS os capítulos no Youtube, é só procurar. 



A cena da minissérie correspondente à citação que eu coloquei ali em cima <3






Poucos post its no original <3



Da esquerda pra direita: Dom Casmurro, Editora MEDIAfashion; Amor de Capitu, Editora Ática; Capitu, Globo Marcas






Montagem fofa que o meu namorado fez misturando a capa do DVD e o título do livro do Fernando Sabino