quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Resenha



            Pra ser bem sincera, eu não aguento ler mais nada difícil. Eu sempre li os clássicos e amei-os com todas as minhas forças –o meu drama habitual começa aqui. Entretanto, nesse semestre, a USP e sua leitura diária de 300 páginas derreteram o meu cérebro de um jeito que nunca havia acontecido. Resumo: eu quero livros gostosos de ler. E eu quero narrativas, sem teoria, sem sociologia, política e antropologia nelas –se bem que agora fica difícil não ver esses 3 itens em tudo. Então, comprei O Menino dos Fantoches de Varsóvia.
            Como eu sou APAIXONADA por clássicos, fiquei um pouco insegura. E fiquei mais insegura ainda quando vi que o livro é de 2013, a autora nunca publicou nada antes e é a primeira edição. Odeio primeira edição, elas sempre me gritam que o livro ainda não teve tempo suficiente pra ser considerado bom e que vão ter erros gramaticais no meio da narrativa –e tiveram mesmo, três, mas como três é pouco, eu relevei. Massssss, a minha cara caiu no chão: o livro é maravilhoso. Eu consigo imaginar perfeitamente ele no cinema, aliás, espero mesmo que vire filme, porque têm história pra isso!
            A narrativa gira em torno de Mika, um menino judeu que é mandado pro Gueto de Varsóvia com a sua família, durante o regime nazista. O cenário de caos e desalento, todos nós podemos facilmente imaginar, tendo em vista todos os filmes, imagens históricas e livros que fazem com que nós entremos em contato com a realidade passada. Porém, Mika tem uma maneira especial de trazer um pouco de alegria pras pessoas que vivem naquela situação: fantoches.
            Mika herda um casaco de seu avô, cheio de bolsos e compartimentos secretos, contendo itens misteriosos em seu interior –tinha até um pequeno violino dentro do casaco, eu não consigo imaginar como um casaco desse funcionaria, mas nunca se sabe. Dessa maneira, Mika descobre que seu avô produzia fantoches e continua seu legado. Para isso, o menino conta com a ajuda de Ellie, sua grande companheira, disposta a fazer o que fosse preciso para amenizar o sofrimento do seu povo.
            Os fantoches passam a ganhar vida própria e encorajar Mika a ter boas ações, como defender uma senhora na rua de um soldado, visitar o hospital infantil e o orfanato, entretendo o máximo de pessoas que conseguia com seus fantoches. Quando Mika se apresentava, era como se a dor daqueles indivíduos fosse embora por alguns instantes e tudo se tornasse leve outra vez. Contudo, os fantoches de Varsóvia também trouxeram perigos, uma vez que os soldados também se interessaram pelas  apresentações do menino e o faziam ir mostrar o seu talento uma vez por semana, no quartel.
            Esse ponto da narrativa é interessante, porque apresenta os soldados e uma maneira diferente do que estamos acostumados. Havia soldados bons, que não tinham nenhuma influência dentro do regime e faziam o que faziam porque eram obrigados. Sentiam grande culpa, mas continuavam nos seus postos porque tinham medo de serem considerados desertores –e o tratamento para desertores não era nada agradável. Max, o soldado bom, chega a ajudar Mika a traficar remédios para o gueto.
Nem toda população civil estava de acordo com o regime nazista. Parte da população não sabia dos crimes, pois acreditava na propaganda pública mentirosa e, parte da população que tinha conhecimento das atrocidades ocorridas, entrava na resistência e lutava contra o regime. Por exemplo, havia freiras que recebiam crianças pequenas que eram “contrabandeadas” do gueto. Essas freiras acolhiam as crianças e as entregavam para famílias católicas, livrando-as, assim, da morte.
            O livro está dividido em três partes: a jornada de Mika, a jornada de Max e o reencontro dessas jornadas. Quando a guerra acabou, o tratamento que os soldados alemães receberam por parte dos russos também foi desumano. O trabalho na Sibéria reproduzia o que os judeus viveram no gueto, porém em situação de frio extremo. A jornada de Max nos apresenta que toda história tem dois lados –e que a Sibéria REALMENTE é imensa.
            O Menino dos Fantoches de Varsóvia é uma narrativa sobre dor e esperança e sobre o amor, que floresce em qualquer lugar, ainda que no meio do caos. Todas as pessoas têm seus próprios sofrimentos, seus traumas e carregam dentro de si sentimentos que não podemos imaginar. A alternativa sempre é não julgar, pois não sabemos nada sobre o outro.  Esse livro se mostrou inesperadamente bom e acolhedor. 



Capa


Dedicatória

Eu não comentei antes, porque eu não sei se é meio besteira, mas a arte desse livro é MARAVILHOSA. 




A louca da literatura hahaha




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