segunda-feira, 28 de julho de 2014

Orange Is The New Black: livro x seriado




Lá estava eu em uma das minhas peregrinações pela Saraiva quando me deparo com um livro intitulado Orange Is The New Black, com as personagens da série do Netflix na capa. Apesar de eu ser uma das poucas pessoas no mundo que não consegue assistir séries assiduamente, porque não tenho paciência para mais de 2 episódios por dia, eu amo com todas as forças Orange Is The New Black, então, me interessei pelo livro achando que era algo relacionado aos bastidores de filmagem. Masssss, quando eu peguei o livro, logo percebi que o nome da autora é PIPER Kerman, ou seja, o mesmo nome da PIPER protagonista da série. E, pra minha deliciosa surpresa, o livro, na verdade, é a história real de Piper Kerman que passou 13 meses em um presídio de segurança mínima norte americano e inspirou a série do Netflix –sim, eu surtei.
Para quem não conhece a série, vou explicar minimamente. Piper Chapman é uma americana loira, de classe média, formada em uma universidade e noiva do Larry. Entretanto, sua vida nem sempre foi tão tradicional e tranquila. Quando ela estava terminando a universidade, se envolveu amorosamente com uma traficante de drogas internacional, a Alex Vause. Durante o romance, Piper viveu no luxo, viajou pelo mundo inteiro e, inevitavelmente, acabou se envolvendo com o crime também, transportando uma mala de dinheiro do tráfico. 10 anos depois, já com a sua vida nos eixos, Piper é condenada e vai para a prisão, onde precisa aprender a lidar com mulheres com histórias de vida, culturas e comportamentos diferentes do seu. Além disso, Piper encontra com Alex na cadeia e passa a ter que conviver diariamente com ela. A série mistura comédia, pois muitas detentas são engraçadíssimas, com drama, pois as histórias de vida retratadas são muito tristes.
Chiquititas está para um orfanato brasileiro assim como a série Orange Is The New Black está para a história real. É tudo diferente, mesmo. Eu ainda não terminei de assistir a segunda temporada, mas até agora, praticamente todos os episódios retratados na série estão no livro, mas de uma maneira exagerada e hollywoodiana. Nenhuma personagem da série existe no livro. Os autores da série pegaram determinadas características de várias mulheres do livro e juntaram em uma personagem só. Assim, cada mulher ficou com características impossíveis de existir em um ser humano, para dar maior dramaticidade e apelo ao personagem.
Algumas personagens, porém, se aproximam da história real. No livro, Vanessa é uma transexual “com seu 1,80 metro, cabelos louros, pele cor de café, seios que pareciam dois balões, uma quase mulher da cabeça aos pés”, mas, ao contrário de Sophia, Vanessa, cumpriu a maior parte de sua pena em um presídio de segurança máxima e, de forma alguma, é a cabeleireira das outras detentas –aliás, o salão de beleza delas não funciona. A personagem Red se aproxima muito da melhor amiga de Piper na prisão real, Pop, porém ela não contrabandeava e nem perdeu seu cargo na cozinha, mas era, sim, uma presa muito respeitada pelas demais e que adorava massagem nos pés.
            A única personagem fiel no livro e na série é a freira. No livro, a Irmã Ardeth Plate foi uma das únicas mulheres que permitiram que seu nome verdadeiro fosse exposto. A permissão ocorreu porque a Irmã foi realmente presa por ter participado de um protesto pacífico. O livro expõe que nos EUA é comum a população de presos políticos, atitude extremamente arbitrária e antidemocrática de um país que se considera livre.
            Quando eu assisti a primeira vez, achei um total absurdo colocarem a Piper junto com a Alex no presídio, afinal, elas são cumplices de um crime, sendo que a Alex acusou a Piper no julgamento. Eu não sei se no Brasil seria proibido elas ficarem juntas, mas imaginei que nos EUA, isso seria impossível. E é mesmo, a Piper somente encontrou com a Alex quando elas foram mandadas para Chicago para testemunhar no julgamento de um chefão do tráfico. De resto, cada uma cumpriu sua pena em um presídio diferente. Além disso, no livro, a Alex é uma mulher no auge dos seus 50 e poucos anos, chamada de “Velhinha” pelas outras presas.
            A série também associa os presídios americanos como um paraíso para o sexo lésbico, outra mentira. No livro, Piper apenas menciona o sexo como algo extremamente proibido dentro do presídio. Assim como na série, existem mulheres que se apaixonam durante a pena, mas, se em decorrência desses romances há relações sexuais, elas são veladas –relações sexuais levam as presas para a solitária.
            Uma verdade convergente tanto na ficção como na vida real é a extrema segregação racial criada pelas próprias presas dentro do presídio. Piper consegue fazer amizade com mulheres de todas as raças, entretanto, fica mais próxima das brancas. As latinas, chamadas “mâmis espanholas” ficam com as latinas, as brancas com as brancas e as negras com as negras. Essa ordem é praticamente respeitada nos dormitórios, com algumas exceções, como a da própria Piper, que foi designada para dormir no “gueto”, nome dado ao dormitório das negras.
            A lista de discrepâncias entre o livro e a série são imensas. Apesar disso, o livro que inspirou a série é muito atraente para os fãs da história de Piper Chapman. Saber os “poréns” é sempre muito interessante. O livro também é um bom panorama da realidade dos presídios estadounidenses, os quais, ao contrário dos brasileiros, cumprem seu papel de reabilitar e reintroduzir indivíduos na sociedade. Para quem já leu ou assistiu “Carandiru”, de Drauzio Varella, as prisões retratadas em Orange Is The New Black se assemelham a uma colônia de férias para funcionários públicos brasileiros.
 Tanto na série quanto no livro somos convidados a não julgar uma pessoa, independentemente de algum erro que ela possa ter cometido durante sua vida. Cada indivíduo é único e possui uma história que nenhum de nós pode imaginar. E se você leu até aqui, vai ficar sabendo que a Piper, na vida real, é casada com o Larry e não teve nada de traição lésbica na cadeia, ao contrário, eles são felizes para sempre, o que me deixou muito feliz #TeamLarry haha


*O livro no Brasil é publicado pela Editora Intrínseca e na livraria me custou em torno de R$20 –mas eu achei na internet por R$14, então pesquisem






3 comentários:

  1. Me identifiquei logo no início do que escreveu! também nunca consegui assistir mais de um episódio por dia, mas no Orange eu consigo, a série é muito boa.

    Mas eu sou do team Alex mesmo hahahaha talvez por não ter visto o desenrolar da trama

    valeu pelo post!

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  2. Gostei bastante da sua resenha, but também sou team Alex haha

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  3. Obrigado pela sua postagem, tive una boa leitura.
    Sou TeamHarry igual a você hehe

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