sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jorge Amado



Esse ano me rendi à literatura daquele que em pouco tempo se tornou meu autor preferido: Jorge Amado. É certo que meu coração não tem dono fixo, já foi de Clarice e de Machado, mas agora é de Jorge. Nossa distância seria bem menor, não fosse seus livros serem tão caros (muito caros, caros demais).  A literatura de Jorge me encanta por ser simples, gostosa, me apresentar uma Bahia que sonho conhecer. Além disso, suas dedicatórias, sempre para Zélia, me tocam de forma única. Hoje terminei de fazer a leitura de uma de suas obras consagradas, “Gabriela, cravo e canela”, cuja resenha será lançada aqui semana que vem. Hoje, preferi apresentar a história do homem Jorge, sua biografia, seus detalhes.




                Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda de Auricídia em Itabuna, Bahia. Devido à epidemia de varíola sua família foi obrigada a mudar-se para Ilhéus, onde Jorge passou grande parte de sua infância na plantação de cacau de seu avô, ambiente que inspiraria muitas de suas obras. Mudou-se para Salvador onde fez o ensino secundário e iniciou sua vida na escrita, trabalhando em jornais.
                Em 1931 foi aprovado com honra pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, além de publicar seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. Tornou-se amigo de Vinícius de Moraes, Otávio de Faria, José Américo de Almeida, Gilberto Freyre, Amando Fontes e Rachel de Queiroz, a qual o introduziu no Partido Comunista.
Casou-se em 1933 com Matilde Garcia Rosa e publicou “Cacau”, cujos exemplares esgotaram-se em um mês. Encantado com a literatura de Graciliano Ramos, nutriu uma grande amizade com o autor até a sua morte. Preso pela primeira vez em 1936 acusado de participar da “Intentona Comunista”, Jorge é obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai, período em que publica “Capitães da Areia”, retornando ao Brasil em 1944, quando se separa de Matilde.
Em 1945 o Partido Comunista Brasileiro ainda não estava na ilegalidade e Jorge foi eleito o deputado federal mais votado de São Paulo, atuando ao lado de Luiz Carlos Prestes e Mariguella. Durante seu trabalho na câmara foi o autor da lei que permite a liberdade de culto religioso no Brasil, ainda hoje em vigor. Nesse mesmo ano casou-se com Zélia Gattai, com quem viveu até seus últimos dias, protagonizando minha história de amor preferida.
No ano de 1948 o registro do Partido Comunista foi extinto e Jorge perdeu seu mandato na Câmara Federal, tendo seus livros considerados como subversivos e queimados em praça pública. O autor decidiu, mais uma vez, sair exilado, dessa vez rumo à Europa. Retornou definitivamente ao Brasil no ano de 1955, quando se afastou da vida política, após concluir que seria “mais útil ao povo escrevendo do que gastando tempo em atividades partidárias”, sendo eleito em 1961 para a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Letras.
A obra de Jorge, após o afastamento político do autor, sofre uma mudança brusca. Os temas, antes dominados pela luta de classes e declaradamente revolucionários, passam a retratar o cotidiano baiano, com suas mulheres musas, sua culinária, sua religião e hábitos (não deixando, em minha opinião, de também serem revolucionários), enfatizando o lado sensual e bem-humorado da psicologia brasileira. Muitos de seus livros dessa segunda fase tiveram adaptações para a televisão, teatro, escolas de samba e cinema, como “Gabriela, cravo e canela”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Tieta do Agreste”. Além disso, “Terras do sem fim” e “Dona Flor” também renderam indicações para o Prêmio Nobel de Literatura.

Morto em 6 de agosto de 2001, aos 89 anos, Jorge Amado foi traduzido para 49 idiomas, moldando a imagem do Brasil no exterior. É o segundo autor brasileiro mais lido fora do país, perdendo apenas para Paulo Coelho. Após sua morte, Zélia assumiu sua cadeira na Academia Brasileira de Letras.

“‘É possível ser feliz’, parece que Jorge Amado nos dizia. ‘ Apesar de tudo, é possível ser feliz’” – Alberto da Costa e Silva, autor do livro Jorge Amado Essencial.


*Escolhi a apresentação do personagem Sem-Pernas, de Capitães da Areia para representar a literatura de Jorge. Capitães se enquadra na primeira fase do autor e é claramente um livro de alto teor social, atualmente sendo exigido em diversos vestibulares do país.  

“Logo que um novato entrava para os Capitães da Areia formava logo uma ideia ruim de Sem-Pernas. Porque ele logo botava um apelido, ria de um gesto, de uma frase do novato. Ridicularizava tudo era dos que mais brigavam. Tinha mesmo uma fama de malvado. Muitos do grupo não gostavam dele, mas aqueles que passavam por cima de tudo e se faziam seus amigos diziam que ele era um "sujeito bom". No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. E rindo, e ridicularizando, era que fugia da sua desgraça. Era como um remédio. No rosto do que rezava ia uma exaltação, qualquer coisa que ao primeiro momento o Sem-Pernas pensou que fosse alegria ou felicidade. Mas fitou o rosto do outro e achou que era uma expressão que não sabia definir. E pensou, contraindo seu rosto pequeno, que talvez por isso ele nunca tenha pensado em rezar, em se voltar para o céu. O que ele queria era fugir da sua angústia, que estrangulava. Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. No bando, não tardou a se destacar porque sabia como ninguém como afetar a dor."

Fontes:
“1001 Grandes Escritores” –Editora Sextante



*O último recado que quero deixar é que apesar de ter dito e repetido e dito mais uma vez que os livros do Jorge são caríssimos, porque são, isso não impede ninguém de ler as suas obras! Em qualquer biblioteca de esquina encontramos diversos exemplares para alugar. Não se esqueçam de conferir minha resenha de "Dona Flor e seus dois maridos" e comentarem qual o seu livro preferido do Jorge Amado!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Meus canais preferidos no Youtube!

Como eu estou prometendo há algum tempo, vim contar quais são os meus canais do Youtube preferidos . Eu adoro ver vídeos no Youtube, principalmente antes de dormir, quietinha, embaixo das cobertas, esperando o sono vir. Eu acabo priorizando os canais de literatura, mas muitas vezes acabo indo por outras áreas que também me agradam, como humor e moda! Eu assisto a muito mais canais de literatura, porém, no nosso ramo, muitas vezes encontramos pessoas que se sentem detentoras de uma verdade universal e não possuem carisma nenhum. Sendo assim, vou indicar apenas aquelas por quem sinto uma empatia verdadeira. Espero que vocês gostem da minha seleção.



O canal da Tati foi o primeiro que eu conheci e ele é meu preferido de literatura. Ela é professora de inglês e comenta tanto de livros mais populares, livros teen, quanto de obras literárias consagradas. Comprei a quadrilogia das Brumas de Avalon graças a um vídeo dela e também decidi terminar a leitura, maravilhosa aliás, de O Perfume, depois de assistir sua resenha. Um detalhe que eu adoro no canal é que ela abre votação para nós escolhermos um livro para ela ler no mês. A Tati mantém um blog também, o Tiny Little Things, mas demooora pra atualizar. O canal, ao contrário, possui vídeos novos aproximadamente 3 vezes por semana. Fico muito alegre quando aparece o ícone de vídeo novo dela na minha home do Youtube.




A autora do canal é a também professora Juliana Gervason. Apesar de ser muito amiga da Tatiana Feltrin, as duas possuem canais muito diferentes. O canal da Juliana é mais focado em livros com uma carga intelectual maior, ou seja, que não agradam qualquer leitor. Eu mesma adoro livros mais difíceis, mas não consigo ler apenas eles, me interessando muitas vezes por títulos mais populares. Ela não posta com muita regularidade, mas quando posta faz vídeos bem grandes (eu costumo assistir metade em cada dia) com vários livros recebidos e comprados. A Juliana tem as parcerias dos sonhos e ela é extremamente sincera, chegando a beirar o humor muitas vezes, dizendo que recebeu determinado livro de parceria, mas não está com a mínima vontade de lê-lo. Ela também possui o blog O Batom de Clarice e é grande referência em literatura (sem mencionar o Theo, que as vezes aparece nos vídeos, o bichinho mais fofo do mundo em forma de passarinho).






O canal da Pam é extremente popular por ela ser muito simpática e falar apenas de histórias para jovens. Sabe quando a gente tem dúvida sobre determinado livro que os nossos amigos estão falando? É no canal dela que devemos ir!  Adoro o jeito descontraído que ela fala e amo olhar a estante de livros atrás dela. Ela também é autora do blog Garota It. Imagino que por compromissos de agenda, como ela explicou no blog, não está conseguindo gravar muitos vídeos nesse mês. Mesmo assim, vale muuuuuito a pena se inscrever no canal! 




Gente, alguém não conhece a Porta dos Fundos? É o melhor canal humorístico do Brasil! Eles fazem vídeos curtos, o que torna mais fácil assistir e compartilhar. Muitas vezes os vídeos apresentam críticas sociais e econômicas, o que os deixa ainda mais interessante. Em alguns casos são feitas sátiras de situações corriqueiras, nos obrigando a rirmos e nós mesmos. Não perco um vídeo deles (até porque se eu perder, com certeza meu pai e o meu namorado vão vir me contar hahaha). Com Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Clarice Falcão, entre outros, não é difícil ter certeza que o canal é hilário!




Apesar do meu blog ser sobre literatura, tem um lado em mim muito forte que ama dicas de moda e maquiagem. Geralmente eu não consigo me identificar com alguma blogueira desse gênero, porque elas têm muito jeito de “você não pode sentar conosco no recreio”. Não gosto desse tom de “emagreça 10 kg em uma semana e ganhe na loteria”. Foi justamente por isso que me identifiquei com a Rapha. Acompanho o blog dela desde o começo e sinto que ela poderia ser minha amiga. Apesar dela ser super profissional, como deve ser, sinto sinceridade no que ela diz, ela não quer empurrar produtos pela nossa goela. Em agosto ela apostou um vídeo por dia, o que é demais (fico até triste que agosto está acabando)! Me sinto feliz de verdade quando vejo que ela conseguiu parceria nova. Sintonia pura. 


*Vocês também tem um canal no Youtube? Deixem o endereço nos comentários, vou  adorar conhecê-lo!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Bienal do Livro 2014: Primeiro fim de semana!


A Bienal está bombando! Milhares de pessoas passaram pelo evento nesse fim-de-semana e aproveitaram as diversas palestras, atividades interativas, shows, peças de teatro, além de, é claro, comprarem muitos livros. Se você ainda não foi, ou pretende voltar, fique tranquilo, a Bienal ocorre até o próximo domingo, dia 31.

Nesse primeiro fim-de-semana passaram pela Bienal Kiara Cass, Harlan Corben, Cassandra Clare, Paula Pimenta, Bruna Vieira, entre outros. Foi uma loucura. No sábado os corredores estavam lotados, era difícil se mexer e achar algum lugar para poder descansar. Aliás, se você precisasse parar de andar por alguns segundos, para guardar algo na bolsa, era atropelado (aconteceu comigo!). Vi muitas pessoas passando mal com o calor infernal que estava fazendo.
Fiquei um pouco decepcionada ao ver algumas pessoas reclamando da organização do evento por não conseguirem autógrafos de alguns autores citados acima (deixando claro que essas reclamações não foram “normais”. Vi meia dúzia de indivíduos em um grupo sobre literatura do Facebook acabando com a Bienal, o que é uma grande injustiça). Sinceramente, não acho que a organização tenha falhado como um todo, porque acompanhei o processo de montagem e vi o quão responsável toda equipe da Bienal é. Cerca de 2000 pessoas foram apenas para ver a Kiara Cass e, no meu Instagram, vi meninas que estavam na fila desde as 6h da manhã (3 horas antes da Bienal abrir!) para conseguirem o autógrafo do Halan Corben. Pode ter ocorrido uma ou outra falha, devido ao tamanho da demanda, mas não acredito em desorganização total.
Não suporto lugares cheios, então o sábado foi péssimo para mim. Uma dica é, se possível, levar dinheiro e não cartão, porque as filas para cartão davam voltas nos estandes e para pagamento em dinheiro eram imediatas. Entretanto, a sexta-feira foi maravilhosa. Espaço de sobra para andar, fotografar, nenhuma fila quilométrica para os caixas, o banheiro e ônibus, eu amei. Imagino que durante a semana continue assim, o que é ótimo, porque voltarei na quarta.

Vou falar sobre alguns pontos específicos: o ônibus, praça de alimentação, melhores estandes, preços. Eu sei que vocês devem estar curiosos sobre as minhas compras, que foram muitas, o que me deixa triste, mas eu pretendo postar sobre isso quando a Bienal acabar. Assim, vocês podem escolher qual livro querem que eu leia primeiro! Por enquanto, estou postando minhas compras com os preços apenas no Instagram.

  • Ônibus
Que ônibus amor! Eu odeio pegar ônibus, mas se pudesse ficava indo e voltando no ônibus da Bienal o dia todo (sério hahaha). Os ônibus saem da estações de metrô Tietê (durante toda Bienal) e da Barra Funda (nos fins de semana). Eles são fretados de viagem, então vai todo mundo sentado e no ar condicionado. Eu peguei o ônibus na estação Tietê, portanto, não sei como está o movimento na Barra Funda. Na sexta a fila era bem pequena e eu embarquei na hora. No sábado o número de pessoas esperando dobrava o quarteirão, mas, mesmo assim, consegui embarcar em menos de 5 minutos, porque são muitos veículos disponíveis e o percurso é curto. Eu adorei, me lembrou muito os passeios de escola, deu até uma saudade leve.

  • Alimentação


Apesar das filas imensas nos fins de semana e os preços muito elevados desanimarem, a praça de alimentação desse ano é a melhor que eu já vi na Bienal. Há opções para qualquer tipo de gosto, com restaurantes que já são nossos velhos conhecidos, como a Casa do Pão de Queijo, o Spoletto, o Amor aos Pedaços e o Mimi Espetinhos. A organização também inovou não deixando todos os restaurantes concentrados na praça. Dessa forma, em qualquer ponto o pavilhão é possível encontrar uma opção de comida. Além dos restaurantes, estão distribuídos pela Bienal vários carrinhos de sorvete, pipoca, batata frita e bebidas. 

  • Meus estandes preferidos e preços

Tenho percebido que muitas pessoas estão decepcionadas com os preços da Bienal. Muitas vezes, os preços são os mesmos das lojas e as promoções são parecidas com as da internet. O que acontece, geralmente, são descontos progressivos, ou seja, quanto mais você compra, mais desconto leva. Acabei não comprando a maioria dos livros da minha lista justamente porque eles são caros nas lojas e continuam caros lá. Entretanto, eu acho que a Bienal é muito válida porque ela nos apresenta uma infinidade de outros livros, muitas vezes mais baratos, que nós não conhecíamos e, além disso, muitos estandes tem promoções sim, basta ter disposição para procurar.


Na Editora Rocco todos os livros estão com 20% de desconto. Quando você consulta o preço nos leitores espalhados pelo estande, você obtém o valor integral do produto, igual aos das livrarias, ou seja, quando você passar no caixa, 20% daquele valor será descontado. Eu consegui um desconto ainda maior porque o caixa não tinha troco, paguei R$20 em um livro que custava R$37. Fiquei apaixonada por essa estante só de Clarice Lispector, uma das minhas autoras preferidas. Não comprei nada dela porque já li a maioria dos livros que estão aí.




A Zahar e a Companhia das Letras compõem o mesmo estande. Salvo algumas mínimas exceções, que possuem adesivo de "mega promoção" na capa, o valor dos livros é exatamente o mesmo. Eles dão desconto progressivo, porém, como os livros das editoras são bem caros, não adianta muito. Fiquei muito sentida por isso, afinal sou apaixonada pelos livros dessas editoras. Além do desconto progressivo, eles estão dando alguns brindes relacionados à compras. Ganhei um caderninho e um bloquinho do livro Carta de Amor aos Mortos. Meninas, no estande também tem 3 vestidos inspirados nas capas de A Seleção pra quem quiser provar e tirar foto.

Enlouqueci com essa estante só de Jorge Amado




A Intrínseca está linda. Os marcadores mais bonitos distribuídos gratuitamente são de lá. Os preços estão alguns reais mais baratos, porém, eles também dão descontos progressivos. Alguns títulos estão em promoção por R$5 cada. Esse estande compensa muito, afinal, geralmente os preços da Intrínseca já são mais baratos que os das demais editoras, os livros deles são ótimos e os marcadores são sobre os livros que nós adoramos. Comprei lá e a minha cunhada também!




A Ciranda Cultural também se tornou um dos meus estandes preferidos, porque possui preços muito em conta. Ela possui um grande acervo infantil e alguns títulos adultos, com preços a partir de R$3 (nesse estande tem a coleção completa dos livros de literatura nacional vendidos na máquina do metrô!). Comprei um box com 5 livros do Monteiro Lobato, adultos, por R$30, sendo que cada livro custava R$27 no estande da Editora Globo.






 Podemos adquirir qualquer título na Top Livros por apenas R$10. Esse estande é maravilhoso, porque tem livros de autores consagrados e de todos os gêneros (literatura, psicologia, economia, biografias, infantis, infanto-juvenil, guias de turismo). O Fê comprou vários livros de economia e em um dos livros veio a etiqueta do preço original, que era R$87. Compensa muito! São muitas opções e é ótimo ir com paciência para olhar tudo e escolher (na verdade, chegou uma hora que eu parei de olhar e fui pra fila, porque não conseguia parar de comprar).

Tem Turma da Mônica espalhada pela Bienal inteira!  Os estandes contam a história da Turma ao longo dos anos e possuem muitas atividades para as crianças, como show de fantoches e contadores de histórias. Os detalhes são apaixonantes!



 Toda Bienal eu fico louca pelos Menores Livros do Mundo. Pra quem não conhece, são livros beeem pequenos, com títulos consagrados e textos integrais. O trabalho é manual e muito cuidadoso. Eles vendem cada livro por R$25 e mini estantes de madeira, para guardá-los, a partir de R$7. Fiquei maluca pelo Dom Casmurro deles, pra colocar na minha coleção, mas acabei não comprando. 


O estande da Planeta DeAgostini estava lotado. Nele é possível fazer assinatura das coleções e receber os carrinhos em casa. Infelizmente, essas coleções são bem carinhas. Meu pai é apaixonado por esses carrinhos e o Fê ficou maluco por eles também. Não dá nem pra saber qual é o mais fofo!


 O último estande que eu vou favoritar é o da Haikai Design. Eles vendem cadernos lindos estilo Moleskine (beeem mais bonitos e elaborados que os Moleskines) e marcadores de página maravilhosos, estilo de cinema. Fiquei muito apaixonada por esse caderninho rosa de passarinho, mas ele custava R$65 e eu não tinha dinheiro (esses cadernos são muito caros, os preços do estande estavam até bem em conta, por incrível que pareça). Mas eu ainda não desisti, vou implorar pra minha mãe. Meu diário está acabando e esse caderno seria um substituto maravilhoso!




*Espero poder ter ajudado vocês com as minhas dicas. Esses foram os meus estandes preferidos e tenho certeza que todos irão amar. Me contem quais outros estandes vocês adoraram e eventuais problemas que encontraram na Bienal. Estou postando várias fotos das minhas compras no meu Instagram, me segue lá! Lembrando que a Bienal continua, imperdível, até o dia 31 de agosto. 


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Bienal do Livro 2014: É amanhã!!!




Faltam menos de 24h para o início de um dos eventos mais esperados do ano: A 23ª Bienal do Livro em São Paulo. Ontem fui ao Anhembi buscar as credenciais do blog e posso garantir que a montagem está linda! Toda a equipe de trabalhadores está muito empenhada para garantir que essa seja a melhor Bienal que o Brasil já viu. Andei pesquisando pelo Instagram, muitas pessoas estão hoje embarcando em diversos aeroportos para não correr o risco de se atrasarem. Junto com a FLIP, a Bienal do Livro integra a maior festa literária do nosso país.
Desde o mês passado estou dando algumas dicas para vocês, sobre o que esperar do evento, os preços (nesse post aqui), o aplicativo que a produção lançou para ajudar os visitantes, com mapa e programação completa (aqui), e, nessa semana, postei dicas para organizar uma lista de livros desejados, para ninguém sair do orçamento -é difícil, eu sei, eu mesma já mudei minha lista várias vezes, se controlar na Bienal é muito difícil hahaha. Hoje eu vou dar as dicas finais e mais básicas, sobre comida, banheiros, transporte, roupas para usar (não, não sou It Girl literária, é só pra evitar que alguém se sinta desconfortável) e a minha agenda!

  • Alimentação
Dentro da Bienal existe uma praça de alimentação com várias opções de restaurantes, além de carrinhos de pipoca e outros petiscos. Entretanto, a praça sempre está muito lotada, principalmente nos fins de semana, quando há maior número de visitantes. Dificilmente você conseguirá espaço para comer na hora que tiver fome. Eu sempre levo um pacotinho de bolacha na bolsa pra garantir que eu não morra de fome (#faminta). Os bebedouros também são sempre lotados e eu sempre acabei comprando garrafinhas de água que são vendidas lá, mas não quero fazer mais isso, porque elas são bem caras. Assim, vou levar também uma garrafinha de água na minha bolsa e uma na mochila do meu namorado. Não sei se vai dar muito certo, porque eu bebo água o dia todo e como a Bienal é feita pra andar muito, vou querer beber o dobro de água do que normalmente. O que nos leva pra outra questão...

  • Banheiros
Todas as vezes que precisei ir ao banheiro na Bienal eu me ferrei. Sinceramente, esse é um ponto que espero que tenha melhorado esse ano. Os banheiros são MUITO cheios, já fiquei mais de meia hora na fila. Mas em 2010, quando eu dei uma passada rápida no meio da semana, os banheiros estavam vazios. É a tal da lei de Murphy. Então, presta atenção, se você começar a sentir bem de longe uma vontadezinha de ir ao banheiro, já vai pra fila. Até ser a sua vez é capaz de você não estar mais se aguentando. (provavelmente é muito esquisito dizer isso aqui, mas é verdade, é bom ir preparado. Em 2012 eu tinha começado a namorar com o Fê e quase fiz xixi nas calças, isso deve ter levado ele a questionar bastante aonde ele estava se metendo , então tenho que avisar pra não acabar com o romance de ninguém hahahaha)

  • Transporte
O aplicativo que a Bienal lançou é muito bom no quesito "estacionamento". Ele promete que se você tirar uma foto da placa do carro após estacionar, na saída ele te mostra o lugar em que seu carro ficou. Isso é muito bom porque o estacionamento do Anhembi é infinito. Porém, um detalhe importante é que o estacionamento custa R$30. Eu não sei vocês, mas pra mim, R$30 é dinheiro pra caramba, se bobear, eu consigo comprar uns 5 livros com essa quantia. Além disso, as as filas são quilométricas só para entrar no estacionamento e depois mais filas para achar vaga. Todo mundo fica estressado, esquece o amor e fica em um clima ruim. Masss, boa notícia para nós: ônibus de graça, o dia todo, saindo da estação Tietê (durante todos os dias de evento) e da Barra Funda (apenas nos fins de semana). Uma passagem de metrô custa R$3, então, pra ir e voltar pagamos apenas R$6, 5x menos do que o valor do estacionamento (não sou pão dura, mas também não sou palhaça). É excelente essa iniciativa do ônibus, porque assim a Bienal e os eventos culturais que acontecerão nela se tornam acessíveis para todos!

  • Como se vestir
Obviamente, não é meu papel ficar escolhendo as roupas dos outros, mas como minha função no blog é ajudar, vou dar dicas para que se sintam mais confortáveis. O pavilhão de exposições do Anhembi é muito grande, os estandes ficam espalhados por toda área e dificilmente encontramos lugares para sentar. Ou seja, é muito cansativo. O ideal é usar roupas que não contribuam para que o cansaço seja ainda maior. Aqui em São Paulo o clima está meio maluco, metade do dia bem quente, metade do dia bem frio. É quase impossível que alguém sinta frio na Bienal, só se o ar condicionado castigar, mas geralmente é calorzão de matar. Na hora de sair, entretanto, vai estar frio e você vai precisar de um agasalho, leve um na bolsa. Eu não entendo de roupa de homens, mas como eles usam sempre as mesmas coisas, é meio certo que o look masculino será bermuda/calça, camiseta e tênis. Agora, meninas, por favor, nada de salto. Camisetas e blusinhas mais soltinhas são muito bem vindas, shorts e calças confortáveis, tipo legging, também. Na maioria dos dias eu vou de camiseta, calça jeans e tênis. Não tem nada demais ir com uma sapatilha gostosinha, mas como eu não gosto de sapatos bonitos no meio de multidão (tenho medo que eles sujem e nunca mais sejam os mesmos hahaha), vou com o meu tênis velhão. Claro, se você tiver coluna o suficiente pra encarar um salto alto, vá toda trabalhada nele, só tome cuidado pra não pisar no pé de ninguém. E sobre maquiagem: eu vou de maquiagem, porque eu não vivo sem e, sim, vai derreter tudo e eu vou ficar toda panda lá no meio (meninas, pensando nisso, a Bienal pode até se tornar uma oportunidade para testarmos se aquela maquiagem que pagamos mais caro é realmente efetiva! hahaha).

  • Agenda
Finalmente elaborei minha agenda. Como eu já publiquei no meu Instagram, vou nos dias 22 (amanhã), 23 (sábado), 27 (quarta) e 30 (sábado). Preciso deixar claro que esses são os dias que eu tenho certeza que vou. Porém, talvez eu apareça mais vezes, sendo que, se isso acontecer, deixarei registrado no Instagram. Ainda não decidi se vou encarar as filas para conhecer muitos autores. Faço questão, apenas, do Maurício de Sousa, que estará na Bienal no dia 23, no estande da Editora Melhoramentos, das 11h às 13h; e também quero participar do bate papo, no Espaço Imaginário, com a Tatiana Feltrin e a Pam Gonçalves, no mesmo dia, às 19h. Não sei se vou conseguir, mas lutarei pra isso.

          

 Também mencionei no Instagram que eu e meu namorado, meu câmera hippo, estaremos vestindo camisetas do blog. Assim, se você nos encontrar lá, venha conversar conosco. Nós adoramos abraçar e ficaremos MUITO felizes de conhecer nossos leitores, afinal, todos nós temos muito em comum. A estampa da nossa camiseta é essa aqui, olha só:





*Quero muito desejar que todos vocês aproveitem ao máximo essa Bienal e que ela se torne um evento inesquecível em suas memórias. Ela é um espaço em que podemos aprender, ensinar e conhecer muitas pessoas. Espero que todos vocês se sintam felizes! Postarei várias fotos no meu Insta (me segue lá!) e farei posts sobre o que teve de mais legal, além dos novos livros pra minha coleção. Comentem e me digam como vocês esperam que seja essa Bienal!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Pague o quanto acha que vale: a máquina mágica


Aqui em São Paulo encontramos espalhadas por muitas estações do metrô máquinas de livros exatamente iguais às máquinas que vendem comida (chocolates, salgadinhos, refrigerantes). A ideia é bem simples: você escolhe um livro e paga o quanto acha que ele vale (a máquina só aceita notas, então o valor mínimo de compra é R$2). Por acreditar que a cultura deve ser acessível a todos, independentemente de classe social e condição econômica, sou completamente apaixonada por essa iniciativa -e, sim, eu compro muitos e muitos e muitos livros dessa maneira.
Eu não acho que o valor de um livro possa ser medido em moeda, aliás, sinceramente discordo totalmente dos valores exorbitantes cobrados e é justamente por isso que o brasileiro não lê -entre outros fatores, como o péssimo acesso à educação, ainda que entre aqueles que podem pagar. No nosso país não existe a cultura do leitor, porque é muito mais barato e prático ir ao cinema do que ser cliente de uma livraria. Sinceramente, com um salário mínimo de R$724, não são todos que se sentem confortáveis em gastar R$60 em um livro do Jorge Amado. Um ponto importante para ser discutido é o fato de que direitos autorais praticamente não existem aqui, eles giram em torno de menos de 5% do valor do produto. Nesse caso do livro do Jorge Amado, de R$60, seria repassado, em média, para aquele que detém os direitos autorais da obra, R$3 (eu não sei como funciona especificamente o contrato do Jorge Amado, mas a média paga por direitos autorais de livros no Brasil é 5% do valor da obra). Dessa maneira, podemos perceber como é quase uma missão impossível viver de escrever no Brasil (o próprio Jorge Amado precisou popularizar a sua obra, fazendo romances com um toque mais comercial, para poder sobreviver de maneira confortável).
Por isso, quando eu vejo iniciativas que propõem disseminar a cultura, fico muito feliz. Entretanto, muitos olham com certo preconceito para essas máquinas. Realmente, a maioria dos títulos oferecidos podem não agradar alguns leitores mais exigentes e as edições, geralmente, são bem simples -afinal, estamos falando de livros que podem ser comprados por R$2. Porém, quase sempre encontro livros que me agradam. Entre muitas opções, temos obras de filosofia, sociologia, antropologia, economia, biografias e literatura. Os mais exigentes devem se lembrar que obras mais simples estão disponíveis em maioria para iniciar aqueles que não estão acostumados com o universo da leitura.
Para conseguir títulos que te agradem é importante passar por estações diferentes. Os livros são trocados periodicamente, mas cada estação possui um lote singular. Eu gosto de comprar livros no metrô para ler durante a minha viagem, ou seja, dificilmente os leio em casa. A minha coleção possui títulos bastante heterogêneos e com ela eu espero “converter” aqueles que olham torto para essa maquininha tão simpática -já convenci muitos amigos que agora viraram "clientes" assíduos.

(clique nas fotos para vê-las bem grande)

Esses 3 livros foram os primeiros que eu comprei, há 3 anos atrás. São clássicos da literatura, sendo que O Cortiço era minha leitura obrigatória do vestibular e é o meu preferido entre eles. Essa edição é bem simples, ela se assemelha em termos de papel e capa a um gibi. Eu odiei Senhora, não costumo gostar da escola literária romântica e, definitivamente, não gosto de José de Alencar. Uma curiosidade desse livro é que Alencar podia ter iniciado o movimento realista no Brasil, se tivesse escolhido um final diferente para a obra. A escolha errada foi um alívio, porque, assim, Machado iniciou o realismo com Memórias Póstumas de Brás Cubas, uma história infinitamente melhor.


Já que estamos falando em vestibular, comprei essa edição de Folha Explica Drummond devido a ótima explanação sobre a obra Sentimento do Mundo, que também cai na Fuvest. O Homem da Máscara de Ferro, em inglês, comprei na estação Consolação, onde a máquina funciona de maneira um pouco diferente, qualquer livro por R$5. Nela, as edições costumam ser mais elaboradas, mas esse foi o único volume que eu comprei.


Esses 3 livros são meus amores. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado é um clássico da antropologia, escrito pelo Engels -eu uso bastante no meu curso na USP. Pé na Àfrica são "diários" de viagem de um jornalista da Folha que passou por 13 países. A edição é linda, tem muitas fotos e eu adoro saber sobre a África, porque nós temos muita pouca informação sobre o continente. A África não é apenas miséria, existe muita vida ali. O último, O Homem que Era Quinta-Feira é uma sátira teatral sobre política. 


Comprei 2 livros em espanhol e um mini dicionário de espanhol. Não sei se era um especial Copa do Mundo que tava rolando, mas eu adorei. Como eu estudo espanhol, gosto de ler livros na língua para aprender novas palavras. Essa edição dos livros da Marina Colasanti é composta por contos um tanto quanto retóricos com ilustrações da autora lindas. O dicionário, até agora, não me foi útil pra nada, porque não achei nenhuma palavra que precisava nele. 


As máquinas também têm várias opções de livros infantis. Eu não resisti e comprei um exemplar de "Receitas de Herói" da Disney -também tinha "Receitas de Princesa", mas os heróis são muito mais legais, né? Sim, eu gastei 2 reais só por fofura e não me arrependi, porque as ilustrações são muuuuito fofas mesmo e as receitas também. Eles até ensinam a fazer a pizza do Pizza Planet (enquanto eu não ganho dinheiro pra ir até a Disney me empanturrar com a verdadeira, faço em casa e fico feliz hahaha)






Fotos feitas pelo jornalista Fábio Zanini, disponíveis no livro Pé na África



Receitas fofas do Toy Story no livro "Receitas de Herói








*Vocês que moram em São Paulo também costumam comprar livros nessas máquinas? Se quiserem alguma resenha específica sobre esses livros, me avisem aqui nos comentários ou no Insta (@nat_assarito).


Bienal do Livro 2014: Lista de Desejos



Finalmente chegamos na tão esperada semana da Bienal do Livro 2014 em São Paulo! A Bienal tem início nessa sexta, dia 22, e vai até o domingo da próxima semana, dia 31. Eu estou muito animada, principalmente porque esse ano o evento promete ser muito diferente. Além dos famosos encontros com os autores e palestras, a Bienal contará com shows e apresentações de teatro, uma novidade um tanto quanto bem vinda. Apesar de toda essa programação cultural, é claro que nós queremos comprar muuitos livros e é disso que eu vim falar hoje.

Eu já fiz dois posts super completos sobre como a Bienal costuma a funcionar  e sobre o aplicativo lançado para facilitar a nossa vida dentro daquele mundo de estandes e livros (nele temos o mapa e a programação completa). Vou ressaltar que nem sempre os preços dos livros são mais baratos, principalmente quando se trata de lançamento (muitas vezes achamos preços mais acessíveis nessas promoções malucas na Internet), contudo, a Bienal nos oferece um leque de possibilidades de edições que não conhecemos, possibilitando pagarmos menos. 

Para organizar aquilo que queremos comprar na Bienal, é aconselhável fazermos uma lista com nome do livro, do autor, da editora e o preço médio cobrado nas livrarias. Assim, fica muito mais fácil saber onde procurar e se vale a pena comprar o livro no evento, ou esperar uma promoção do Submarino. A minha lista ficou um pouco grande e provavelmente não conseguirei comprar todos os livros que desejo, afinal não sei se encontrarei todos e se terei dinheiro suficiente (além disso, com certeza vou ver uma super promoção e comprar vários outros que não estão na lista). 

  • A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli -Companhia das Letras
  • O Que É Isso, Companheiro?, de Fernando Gabeira -Companhia das Letras
  • Ele Está de Volta, de Timur Vernes -Intrínseca
  • 100 Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez -Record
  • Tereza Batista Cansada de Guerra, de Jorge Amado -Companhia das Letras
  • O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna -Nova Fronteira
  • Carta de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira -Seguinte
  • Para Todos os Amores Errados, de Clarissa Correa -Gutenberg

Não coloquei os preços aqui, para não passar uma ideia errada de que vou gastar rios de dinheiro na Bienal. Pesquisei todos os preços no site da Saraiva, livraria que eu costumo frequentar e, como eu tinha dito, não vou comprar todos se os preços estiverem parecidos, porque extrapola muito o meu orçamento. Aliás, eu sei que eu tinha feito um post sobre não comprar livros esse ano, mas não consegui, tinha esquecido que esse era ano de Bienal (vou refazer o desafio em 2015!).

Como último recado, quero lembrar que é MUITO aconselhável comprar os ingressos do evento antecipados. As filas na entrada são imensas, você fica cansado e não aproveita o melhor da Bienal. As vendas pela internet vão até o dia 21, essa quinta! Você pode adquirir o seu ingresso aqui .



*Vocês também tem uma lista de livros para comprar na Bienal? Me contem nos comentários!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

TAG: Livros Opostos


Eu sou aloka das TAGs, adoooro ver vídeos desse gênero -aliás, eu adoro vários canais literários no Youtube, talvez eu faça um post sobre isso. Apesar de eu não gravar vídeos, resolvi fazer um teste, respondendo as perguntas em forma de post. Se vocês gostarem, faço mais posts desse estilo.

Essa TAG foi elaborada pelo Bruno, do Na Minha Estante. Resolvi começar por ela porque é a minha preferida. Vejam o vídeo dele, é demais


1-Primeiro livro da sua coleção/último comprado

Antes que eu nascesse minha mãe já fazia coleção de livros pra mim, então essa resposta é meio difícil. Eu vou escolher O Mundinho, porque é o primeiro que eu me lembro de comprar, eu tinha uns 6 anos e a autora estava na feira do livro da minha escola. Hoje em dia, O Mundinho virou febre entre os livros infantis e eu ainda me lembro da dedicatória da Ingrid "Natália, que você ajude a construir um mundinho melhor". As ilustrações são muito fofas e a história e sobre sustentabilidade. Com certeza comprarei pros meus filhos no futuro.
O último que eu comprei foi a coleção de As Brumas de Avalon -eu ainda não li. Eu comprei esse livro por indicação de uma amiga da USP que adorou e porque eu paguei 30 reais nos 4 volumes (quem nunca, né?). Os livros contam a história do Rei Arthur pela visão das personagens femininas e parece ser bem intrigante. Estou louca para iniciar a leitura.



2-Um que você pagou barato/ um que você pagou caro


Eu sou a maníaca das máquinas do metrô de São Paulo. Pra quem não sabe, aqui temos algumas máquinas espalhadas pelas estações em que são vendidos livros pelo preço que nós quisermos pagar (esse vai ser o primeiro post da semana que vem). Entre os vários que eu comprei por 2 reais, um dos meus preferidos é A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Ele é um livro um pouco mais específico pra minha área de ciências sociais, não deixando de ser muito interessante para qualquer um. Por ser técnico, a leitura é pesada, mas nada demais também. E eu amo ter pago baratinho nele, porque uso bastante no meu curso.

Paguei uns 80, 90 reais nessa biografia do Marx de, sei lá, 1000 páginas. Eu lembro de ter lido até a  página 400 e não estar nem na metade. Não foi dinheiro jogado fora, porque eu me interesso pelo tema e pretendo voltar a ler. Essa biografia difere das demais do Karl Marx porque é a única em que está presente a história da sua família. E os escritos têm peculiaridades muito divertidas, por exemplo, conta que o Marx era super gastão, torrava todo o dinheiro que conseguia com coisas desnecessárias e depois tinha que recorrer ao Engels (o cara do livro de cima) para viver e sustentar sua família.

3-Com protagonista homem/ com protagonista mulher 

Eu TINHA que escolher o Bentinho de Dom Casmurro como protagonista homem, simplesmente porque não existe um protagonista homem melhor que o Bentinho. Ele é doido, é advogado, tenta vender o caso dele pra nós, leitores, e nos leva, muitas vezes, a acreditar na loucura dele. O Bentinho é brilhante, eu amo esse doido de pedra mais inteligente do mundo. (post da minha coleção de Dom Casmurro)
Minha personagem mulher é a Macabéa de A Hora da Estrela, o primeiro livro da brilhante Clarice Lispector que eu li. A Macabéa é datilógrafa e passa por um intenso processo de busca de identidade. Vamos dizer que ela é uma daquelas pessoas que nós olhamos e pensamos "Por que você nasceu?". Ela não se esforça no trabalho, não tem ambições na vida, é, literalmente, alguém que não sabe porque veio ao mundo, apenas existe. Mas, no meio do processo, ela se olha no espelho e uma série de inquietações começam a surgir na sua mente. Muitas pessoas não gostam desse livro, mas eu adoro a escrita da Clarice e esse enredo de dúvida existencialista, com uma personagem nada carismática que ela propõe.

4-Leu rápido/ demorou pra ler

Eu li muito muito muito rápido A Culpa é das Estrelas. É um livro pequeno, de escrita fácil e previsível. Você já sabe o que o autor vai dizer na próxima página e não tem absolutamente nada para se refletir no enredo. O que o John Green pretende dizer, ele vai lá e diz. E, como eu não gostei nem um pouco, apesar de todo mundo amar essa história, li de uma vez só pra acabar rápido.
Demorei, sei lá, um ano pra ler Ensaio Sobre a Cegueira. Estava no cursinho, então passava mais de 12h por dia estudando e quase não tinha tempo. Além disso, esse livro é do Saramago e o Saramago é a praga da língua portuguesa. Aliás, eu nem sei se ele escreve em português, ele escreve em Saramago mesmo. Ele costuma a fazer um parágrafo de muitas páginas e no meio desse parágrafo coloca diálogos,  volta ao narrador, tudo misturado e sem aviso. E, obviamente, quando ele quer dizer algo, ele não diz, ele sugere de uma maneira louca e faz a gente acordar de madrugada pensando "ENTEEENDI". Mas, enfim, esse livro é maravilhoso, propõe uma reflexão genial sobre a vida moderna e sobre tudo que nós ignoramos no dia-a-dia, tudo o que nós fazemos questão de não ver, de nos cegar.

5-Com capa bonita/ com capa feia

Capa bonita eu escolhi Marley & Eu, porque o Marley era bonito e fofo e gostoso de apertar, então a capa do livro com a foto dele é bonita. Eu li o Marley em 2007 e ele marcou muito a minha vida. O livro não conta só a história do cachorro, mas a história do John Grogan (o dono do Marley) e da família dele em formação. Eu lia o livro e desejava ter uma vida de jornalista também, na qual eu pudesse viver dos meus escritos e ser muito feliz. Foi tão especial pra mim que eu obriguei meu namorado a ler ele nessas férias. Tenho muita vontade de reler, mas o meu Napoleão foi embora há pouco tempo, então não estou ainda preparada para esse tipo de emoção.

Eu também comprei essa coleção de livros clássicos da literatura brasileira no metrô e também paguei 2 reais em cada um. Como os livros são muito baratinhos, na maioria das vezes as edições são mais simples. Entretanto, eu não ligo muito pra edição, eu gosto mesmo é de pagar barato (sincericídio mode on). É difícil escolher qual a capa mais feia dentre esses 3, mas acho que Senhora ganha. Essas duas alianças em cima dessas pedras que parecem arroz são o ó.

6-Um livro brasileiro/ um livro internacional 

É muito difícil pra mim escolher um livro brasileiro, porque eu amo literatura nacional, então eu posso citar vários. Escolhi Gabriela, Cravo e Canela porque é o livro que eu estou lendo e porque Jorge Amado é um dos autores mais brasileiros que eu conheço. As histórias do autor são sempre na Bahia. Gabriela se passa em Ilhéus e essa protagonista carrega muito da sensualidade da mulher brasileira.  É muito difícil não se apaixonar pelo jeito inocente de Gabriela. Jorge Amado é impecável para descrever mulheres, descobri essa sua faceta lendo Dona Flor e Seus Dois Maridos (post aqui)
1984 é meu segundo livro preferido. Já faz um tempinho que eu fiz sua leitura, mas ele é impecável. George Orwell narra a história de uma sociedade futurista, que existiria em 1984, dividida em classes e comandada pela ditadura do Grande Irmão, na qual todos os indivíduos perdem sua liberdade e são vigiados 24h por dia (sim, foi esse livro que iniciou o conceito do BBB). Nessa sociedade as pessoas não refletem sobre sua situação, se sentem felizes e aceitam o regime sem maiores problemas. Por incrível que pareça, as pessoas nem mesmo se apaixonavam mais, casando-se com quem o Grande Irmão escolhia. Até que O'Brien, funcionário público, se apaixona e passa a questionar se aquele modelo de vida era realmente justo. É também um daqueles livros que nos leva a repensar muito a nossa vida.


7-Um livro fino/ um livro grosso

O Pequeno Príncipe é um livro bem fino, com 94 páginas, mas a letra é imensa e tem várias ilustrações lindas do autor. Eu não considero o Pequeno Príncipe como um livro infantil, na verdade, acho que ele é uma leitura para todas as idades. Eu li a obra com 8 anos e adorei. Esse ano, aos 20, reli e adorei também, porém percebi detalhes existencialistas e fiz interpretações que seriam impossíveis na infância. Provavelmente, se eu reler esse livro daqui 12 anos vou notar outras tantas coisas novas. Infelizmente, não tenho ele, todas as vezes que li peguei emprestado. Queria muito um Pequeno Príncipe pra chamar de meu, mas tenho dó de comprar livros já lidos.

Eu sou muito fã de Legião Urbana, então é óbvio que eu li a biografia de 500 páginas do Renato Russo. Apesar de 500 páginas não ser muita coisa, para uma biografia eu acho bem pesado. E eu ainda li duas vezes, porque no último ano de colégio  resolvi fazer um trabalho acadêmico relacionando a Legião Urbana com a indústria cultural.  Essa biografia do Renato narra, principalmente, a adolescência do músico, o que fez muito sentido pra mim, uma vez que eu li quando também era adolescente. Eu fazia várias marcações em trechos em que o achava parecido comigo, chorava, era uma vergonha alheia. Eu tenho certeza que Legião Urbana foi a única banda que eu gosto e sou fã de verdade, é um amor incondicional.
8- Um livro de ficção/ um livro de não ficção

O Menino dos Fantoches de Varsóvia foi um livro que eu li mês passado (resenha aqui) e que narra a história do Mika, um menino judeu que foi mandado para viver no Gueto de Varsóvia durante a 2ª Guerra. Apesar de ter demandado muito estudo e pesquisa da autora, Eva Weaver, sobre a guerra, é uma obra de ficção. Esse livro também entraria facilmente na categoria de capa bonita. 

Anne Frank foi uma menina judia que viveu escondida dos nazistas em um sótão, com toda a sua família. Sua distração em meio ao horror de sua vida era escrever em seu diário, o qual compõe integralmente o livro. Eu parei a leitura e odiava o livro porque a Anne, apesar do cenário em que vivia, era uma adolescente normal e pensava como uma adolescente normal (ficava incomodada porque ela escrevia coisas muitos ruins da mãe dela e me irritava esse jeito dela não entender que aquele era o momento mais difícil da vida dessa mãe). Talvez agora, com um pouco mais de maturidade eu consiga gostar da leitura, vejo trechos na internet muito tocantes -mas eu ainda implico com ela desejar que a mãe morra no meio de tanta desgraça acontecendo.
9-Um livro meloso/ um livro de ação

Eu poderia citar facilmente qualquer livro do Nicholas Sparks como livro meloso, mas quando eu tô inspirada e quero relaxar um pouco até que eu recorro aos livros dele, confesso. Contudo, Desculpa Se Te Chamo de Amor, de Federico Moccia, já é meloso desde o título, por favor. O livro conta a história de uma adolescente, a Niki, que se apaixona por um quarentão, seduz ele, eles sofrem poucas e boas e vivem felizes para sempre. Eu li esse livro porque uma amiga me disse que eu parecia com a Niki, apesar de eu não ter nada a ver com ela e isso me ofender um pouco. Não lembro muito, mas acho que não gostei quando li, não só por ser meloso, mas por não ter um enredo cativante na minha opinião. 


Adormecendo na Escuridão foi o último livro que eu li e escrevi post (aqui). Esse é o primeiro volume de uma trilogia que reescreve a história da Bela Adormecida. O conto original é, praticamente, virado do avesso, com muita ação e magia. Aurora vira uma princesa guerreira e a sua maior inimiga é Radassa, conhecida como Rainha Malévola. Não tem um capítulo nesse livro sem que algo aconteça e te obrigue a ler o próximo. Além disso, o enredo conta com muitas reviravoltas. Como eu adoro contos de fadas adorei essa nova visão de A Bela Adormecida e mal posso esperar pelos próximos volumes. 



*O que vocês acharam sobre esse tipo de post? Acho legal porque é meio que um resumão de vários livros e eu posso comentar de um modo mais informal. Deixem comentários e obrigada pela leitura!