quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Besta - Teatro




                Esse domingo fui ao teatro, uma de minhas maiores paixões, assistir A Besta. Confesso que escolhi meio aleatoriamente a peça que queria assistir. Tinha apenas algumas condições em mente: ser perto do metrô e que não se estendesse após as 23h (para eu conseguir voltar de metrô, obviamente). Logo pensei na Avenida Paulista, região cercada por metrôs e com vários teatros. Entrei no site do Teatro Gazeta e vi que estava em cartaz uma comédia com Priscila Fantin, me lembrei de tê-la assistido no programa do Rafinha Bastos, falando sobre A Besta. Então fui.
            No começo fiquei um pouco insegura, porque as falas são todas rimadas. Mas, em menos de 5 minutos, esqueci-me desse detalhe e não consegui parar de rir. O enredo da peça é bem simples, mas nos faz refletir bastante. Apesar de ter sido escrita em 1991, a história se passa na França do século 17. Elomire (Celso Frateschi), anagrama de Molière, é um diretor de teatro clássico que se vê obrigado a conhecer Valério (Hugo Possolo), comediante de rua, caracterizado como palhaço.
            A peça toda se passa durante esse encontro. Elomire, carrancudo, sério, se recusa a permitir que Valério, “a Besta”, entre em sua companhia. A dualidade entre o clássico e o novo, o erudito e o popular se chocam, rendendo diálogos profundos –e hilários. Entretanto, Elomire não apresenta tanto poder quanto seu ego acredita. A Princesa (Priscila Fantin), mecenas da companhia, acredita que o teatro necessita sofrer uma renovação e que Valério seria um bom instrumento para isso. Sendo assim, Elomire precisa, ao menos, ouvir o que Valério tem a dizer e se tornar flexível –tarefa que não consegue cumprir, nos fazendo pensar quem realmente é “A Besta”.
            O conflito de ideais pode ser adaptado facilmente para o que estamos vivendo no teatro atual. Observamos uma ascensão de musicais e comédias, que causam grande “popularização” da arte –popularização entre aspas, pois o preço dos musicais continua exorbitante para a maioria da população, na qual eu me incluo. Walter Benjamin tem uma teoria sobre a “aura” da arte que se esvai na medida em que ocorre a Indústria Cultural, ou seja, a produção e o consumo artístico deixam de ser restritos à um pequeno grupo privilegiado e se expande por toda sociedade. Em minha opinião, na maioria dos casos, a Indústria Cultural é benéfica. O acesso à música, ao teatro, à literatura não deve ser privilégio. Não existem obras superiores e obras inferiores. Uma música erudita não é superior à Gaby Amarantos, por exemplo, uma vez que a música ouvida está relacionada à cultura do indivíduo e não existe cultura superior e cultura inferior. Da mesma forma, John Green pode fazer mais sentido ao leitor do que Victor Hugo. E, afinal, a arte não serve para ser prestigiada?
            Com direção do “rei da comédia”, Alexandre Reinecke, e com elenco grandioso formado por Ary França, Iara Jamra, Celso Frateschi, Priscila Fantin e Hugo Possolo, que defende bravamente seu Valério, arrancando risadas do público com seu improviso, ‘A Besta’ é uma ótima pedida para o fim de semana. A peça fica em cartaz no Teatro Gazeta até o dia 17 de agosto e as sessões ocorrem de sexta, sábado e domingo. Na bilheteria é vendido um livro maravilhoso com fotos do espetáculo e acabamento cuidadoso, costurado à mão –sério, é muito lindo mesmo. Aproveitem enquanto há tempo!








Detalhe de encadernação lindo









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