sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jorge Amado



Esse ano me rendi à literatura daquele que em pouco tempo se tornou meu autor preferido: Jorge Amado. É certo que meu coração não tem dono fixo, já foi de Clarice e de Machado, mas agora é de Jorge. Nossa distância seria bem menor, não fosse seus livros serem tão caros (muito caros, caros demais).  A literatura de Jorge me encanta por ser simples, gostosa, me apresentar uma Bahia que sonho conhecer. Além disso, suas dedicatórias, sempre para Zélia, me tocam de forma única. Hoje terminei de fazer a leitura de uma de suas obras consagradas, “Gabriela, cravo e canela”, cuja resenha será lançada aqui semana que vem. Hoje, preferi apresentar a história do homem Jorge, sua biografia, seus detalhes.




                Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda de Auricídia em Itabuna, Bahia. Devido à epidemia de varíola sua família foi obrigada a mudar-se para Ilhéus, onde Jorge passou grande parte de sua infância na plantação de cacau de seu avô, ambiente que inspiraria muitas de suas obras. Mudou-se para Salvador onde fez o ensino secundário e iniciou sua vida na escrita, trabalhando em jornais.
                Em 1931 foi aprovado com honra pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, além de publicar seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. Tornou-se amigo de Vinícius de Moraes, Otávio de Faria, José Américo de Almeida, Gilberto Freyre, Amando Fontes e Rachel de Queiroz, a qual o introduziu no Partido Comunista.
Casou-se em 1933 com Matilde Garcia Rosa e publicou “Cacau”, cujos exemplares esgotaram-se em um mês. Encantado com a literatura de Graciliano Ramos, nutriu uma grande amizade com o autor até a sua morte. Preso pela primeira vez em 1936 acusado de participar da “Intentona Comunista”, Jorge é obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai, período em que publica “Capitães da Areia”, retornando ao Brasil em 1944, quando se separa de Matilde.
Em 1945 o Partido Comunista Brasileiro ainda não estava na ilegalidade e Jorge foi eleito o deputado federal mais votado de São Paulo, atuando ao lado de Luiz Carlos Prestes e Mariguella. Durante seu trabalho na câmara foi o autor da lei que permite a liberdade de culto religioso no Brasil, ainda hoje em vigor. Nesse mesmo ano casou-se com Zélia Gattai, com quem viveu até seus últimos dias, protagonizando minha história de amor preferida.
No ano de 1948 o registro do Partido Comunista foi extinto e Jorge perdeu seu mandato na Câmara Federal, tendo seus livros considerados como subversivos e queimados em praça pública. O autor decidiu, mais uma vez, sair exilado, dessa vez rumo à Europa. Retornou definitivamente ao Brasil no ano de 1955, quando se afastou da vida política, após concluir que seria “mais útil ao povo escrevendo do que gastando tempo em atividades partidárias”, sendo eleito em 1961 para a cadeira de número 23 na Academia Brasileira de Letras.
A obra de Jorge, após o afastamento político do autor, sofre uma mudança brusca. Os temas, antes dominados pela luta de classes e declaradamente revolucionários, passam a retratar o cotidiano baiano, com suas mulheres musas, sua culinária, sua religião e hábitos (não deixando, em minha opinião, de também serem revolucionários), enfatizando o lado sensual e bem-humorado da psicologia brasileira. Muitos de seus livros dessa segunda fase tiveram adaptações para a televisão, teatro, escolas de samba e cinema, como “Gabriela, cravo e canela”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Tieta do Agreste”. Além disso, “Terras do sem fim” e “Dona Flor” também renderam indicações para o Prêmio Nobel de Literatura.

Morto em 6 de agosto de 2001, aos 89 anos, Jorge Amado foi traduzido para 49 idiomas, moldando a imagem do Brasil no exterior. É o segundo autor brasileiro mais lido fora do país, perdendo apenas para Paulo Coelho. Após sua morte, Zélia assumiu sua cadeira na Academia Brasileira de Letras.

“‘É possível ser feliz’, parece que Jorge Amado nos dizia. ‘ Apesar de tudo, é possível ser feliz’” – Alberto da Costa e Silva, autor do livro Jorge Amado Essencial.


*Escolhi a apresentação do personagem Sem-Pernas, de Capitães da Areia para representar a literatura de Jorge. Capitães se enquadra na primeira fase do autor e é claramente um livro de alto teor social, atualmente sendo exigido em diversos vestibulares do país.  

“Logo que um novato entrava para os Capitães da Areia formava logo uma ideia ruim de Sem-Pernas. Porque ele logo botava um apelido, ria de um gesto, de uma frase do novato. Ridicularizava tudo era dos que mais brigavam. Tinha mesmo uma fama de malvado. Muitos do grupo não gostavam dele, mas aqueles que passavam por cima de tudo e se faziam seus amigos diziam que ele era um "sujeito bom". No mais fundo de seu coração ele tinha pena da desgraça de todos. E rindo, e ridicularizando, era que fugia da sua desgraça. Era como um remédio. No rosto do que rezava ia uma exaltação, qualquer coisa que ao primeiro momento o Sem-Pernas pensou que fosse alegria ou felicidade. Mas fitou o rosto do outro e achou que era uma expressão que não sabia definir. E pensou, contraindo seu rosto pequeno, que talvez por isso ele nunca tenha pensado em rezar, em se voltar para o céu. O que ele queria era fugir da sua angústia, que estrangulava. Mas o Sem-Pernas não compreendia que aquilo pudesse bastar. Ele queria uma coisa imediata, uma coisa que pusesse seu rosto sorridente e alegre, que o livrasse da necessidade de rir de todos e rir de tudo. Que o livrasse também daquela angústia, daquela vontade de chorar que o tomava nas noites de inverno. No bando, não tardou a se destacar porque sabia como ninguém como afetar a dor."

Fontes:
“1001 Grandes Escritores” –Editora Sextante



*O último recado que quero deixar é que apesar de ter dito e repetido e dito mais uma vez que os livros do Jorge são caríssimos, porque são, isso não impede ninguém de ler as suas obras! Em qualquer biblioteca de esquina encontramos diversos exemplares para alugar. Não se esqueçam de conferir minha resenha de "Dona Flor e seus dois maridos" e comentarem qual o seu livro preferido do Jorge Amado!

3 comentários:

  1. Respostas
    1. É difícil não amar Jorge Amado, um exemplo na literatura e na vida. Obrigada pela visita.

      Beijos

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  2. Flor,
    O livro citado no final do post é o 501 Grandes Escritores?
    Bjs

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