segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Eu Não Gosto de Ateus - Resenha

Capa com uma colagem envolvendo Nietzsche, o ateu mais famoso da história


O que você faria se o diabo em pessoa batesse na sua porta e te pedisse ajuda para viajar pelo mundo coletando provas para processar Deus? Foi isso que aconteceu com Al Pacino, um jovem de 18 anos, estudante de Direito e ateu convicto. O livro Eu Não Gosto de Ateus narra de maneira divertida as indagações de um adolescente, oriundo de uma cidade do interior da Bahia, que se joga Brasil afora ao lado de Luciffer.
                No enredo polêmico, todos os deuses da história do planeta Terra são alienígenas pertencentes ao planeta Ding, o qual sofreu com bombas e intervenções perdendo toda a sua reserva de oxigênio. A partir desse desastre ambiental, os dingirs desenvolveram um sistema que envolvia captações de preces, ou seja, quando um ser pensante rezava em outro planeta, havia conversão de oxigênio para Ding. As religiões passaram a ser desenvolvidas pelos habitantes de Ding em todos os planetas que continham pensantes, gerando grandes lucros para as empresas envolvidas.
                Uma dessas grandes empresas de captação de preces era a YAHFFER GRTTWAN, regida pelos irmãos Grttwan, Deus e o Diabo. Essa empresa agia aplicando a religião duoteísta em todos os planetas. Porém, Deus, com um ataque de ciúmes e inveja infantil, deu um golpe em Luciffer, transformando o planeta Terra em monoteísta, onde apenas ele próprio seria venerado e seu irmão se tornaria o maior vilão entre os terráqueos.
                O dingirs conseguiam manipular facilmente os pensantes dos outros planetas por serem os seres mais antigos do universo. Dessa forma, a tecnologia que existia no planeta colocava tudo que nós já desenvolvemos no chão.  Apesar da proposta do livro parecer um pouco estranha, a verossimilhança aplicada pelo autor Melik Silva Brün é impecável, fazendo com que todos argumentos que estão ali colocados façam sentido.
                Al Pacino é o destaque da história, afinal, Luciffer, o Rei das Trevas é seu total oposto. O Diabo se veste com ternos Armani impecáveis, não come demais, não bebe, é educado, adora arquitetura, arte sacra e, principalmente, ama visitar igrejas. Para um jovem roqueiro, recém-chegado em Brasília que dispõe dos seus primeiros momentos de liberdade vivendo em uma quitinete, o choque e o conflito são grandes. Al quer usufruir dos R$6 milhões trazidos pelo diabo, indo a um show em Nova Iorque e em baladas em Ibiza, aproveitando cada segundo as suítes maravilhosas em Estocolmo, Roma, Singapura e Jerusalém, além de, é claro, apreciar, até demais, a culinária de cada país visitado.
                Conheci o autor, Melik Silva Brün, na Bienal do Livro, aqui em São Paulo. Ele estava em um estande completamente independente, assim como seu livro, que é de publicação própria, sem contar com nenhuma editora. Ele foi muito atencioso e, quando soube que eu tinha o blog, me ofereceu seu livro. Entre todo meu book haul daBienal, escolhi Eu Não Gosto de Ateus para começar devido à confiança depositada em mim e no meu trabalho. Contudo, após as primeiras páginas, Al Pacino me prendeu com sua simpatia e seu jeito cômico. Não consegui mais largar a leitura e terminei as 516 páginas em tempo recorde (5 dias, o que pra mim é muito haha).
                Eu Não Gosto de Ateus não é apenas mais uma história com título polêmico. Ela discute, através do ponto de vista do jovem que começa a se descobrir como ser independente, noções que envolvem economia, ambientalismo, política e religião. A obra é um convite para sermos abertos e lembrarmos que tudo é questão de ponto de vista. E que toda moeda tem dois lados que não podemos ignorar.








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