segunda-feira, 20 de outubro de 2014

As Mulheres do Nazismo




                O livro “As Mulheres do Nazismo” não é literatura e nem ficção, mas um estudo feito por uma historiadora sobre mulheres que participaram ativamente na Alemanha nazista, como enfermeiras, secretárias, professoras, esposas e amantes de homens importantes dentro do partido. Vou contar alguns fatos sobre essas mulheres que estão contidos nas páginas e, obviamente, se você tiver interesse, recomendo a leitura de todo volume.
                Eu adoro histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, esse ano já li e resenhei “OMenino dos Fantoches de Varsóvia” e “Ele Está de Volta”, ficções que abordam o tema. Entretanto, estava com vontade de ler algo real (apesar desses outros livros exigirem uma grande pesquisa histórica por parte dos autores, sentia carência de um estudo completo). Como durante esse ano estou lendo alguns livros sobre as mulheres em diferentes momentos e “Revoluções” históricas (não acredito que o nazismo tenha sido uma revolução, mas um acontecimento que quebrou com a lógica do mundo de antes e de depois), fiquei radiante quando achei esse livro de Wendy Lower.
             Normalmente, em filmes ou livros que tratem do nazismo e do fascismo, as mulheres são deixadas em segundo plano, com uma imagem de inocentes, incapazes e enganadas. Eu, particularmente, nunca vi a mulher da Alemanha nazista retratada como cúmplice do genocídio. Essa ideia é totalmente quebrada pela autora, que expõe que muitas dessas mulheres tinham consciência e voz ativa. Muitas, inclusive grávidas, cometiam atrocidades com crianças judias. A escolha para esse Mês doHorror foi acertada, foi o livro mais “pesado” e difícil de continuar a leitura, uma grande história de terror real.

                Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi devastada e tanto a economia do país como a autoestima dos cidadãos estavam no chão. A situação era ainda pior para as mulheres, as quais normalmente já possuem maiores dificuldades de reconhecimento profissional e independência (ainda mais nos anos 30). A ascensão do partido nazista foi a chance que muitas mulheres tiveram de sair de suas casas e “cair no mundo”, a chamada emancipação feminina. A criação de vagas de emprego como professoras, secretárias e enfermeiras cresceu exponencialmente, principalmente no Leste (países ao leste da Alemanha que foram conquistados durante a expansão do país). Contudo, ao chegarem nesses países, muitas dessas mulheres tiveram um choque de realidade, sofrendo uma grande decepção e, até mesmo, desenvolvendo doenças psicológicas. Outras, por outro lado, se encantaram com a possibilidade de demonstrar força e poder, se igualando com os homens da sociedade.
                As enfermeiras trabalhavam em condições insalubres no front de batalha e, quando não estavam lá, eram obrigadas a participarem das tão famosas experiências nazistas, nas quais a crueldade era imensa (vale lembrar que vários avanços da medicina foram obtidos através desse uso absurdo de cobaias humanas –crianças, adultos, grávidas. Reza a lenda que alguns desses “médicos” tentavam até criar homens de duas cabeças e, é claro, anestésicos nunca foram usados). As professoras eram as responsáveis por tornar alemães nacionalistas e nazistas desde o começo de suas vidas, ensinando sobre a ideologia partidária. As secretárias datilografavam ordens de extermínio a centenas de judeus, homossexuais, deficientes (alemães mesmo! Eles matavam todos aqueles que não eram considerados aptos para formação de uma raça ariana pura) e ciganos.
                Por outro lado, muitas mulheres conquistaram posição social através do casamento. Os pedidos eram enviados ao governo, com fotos dos noivos para análise racial (parece piada, mas não é). Geralmente, as esposas de altos comandantes do nazismo eram as mais cruéis. Nessa parte ficou complicado continuar a leitura, teve mulher grávida atraindo criança judia com doce e matando-as com as próprias mãos, mulher pisoteando criança até a morte, mulher que construiu sacada em casa pra fazer tiro ao alvo em judeu, mulher que soltava judeus em floresta pra promover “caçadas”. Enfim, todo tipo de atrocidade inimaginável.
                É importante ressaltar que não havia a opção de largar o emprego e fazer oposição aos horrores cometidos (quem fazia isso morria). Porém, ninguém era obrigado a compactuar ideologicamente com os crimes. Quando algumas secretárias mandavam ordens de extermínios, muitas sofriam e desejavam poder voltar pra casa, enquanto outras se realizavam e buscavam cada vez mais interagir nos assassinatos.
                Não entrei em casos específicos, não revelei os nomes dessas mulheres e seus destinos, pois seria o máximo do spoiler. Considero o estudo de Wendy Lower importante, porque muitas vezes temos mania de santificar mulheres, principalmente nesses casos, o que é uma concepção errônea. Durante o nazismo existiram mulheres ruins o suficiente para se divertirem e sentirem prazer em decidir sobre a vida e a morte do outro. Essas mulheres, muitas vezes mães, eram capazes de esganar crianças na frente dos seus filhos pequenos. Cheguei a ter pesadelos com os casos relatados. O holocausto foi uma história de terror que a humanidade nunca será capaz de apagar e de se perdoar.


“Ao comparar os perpetuadores nazistas a animais, nos lembramos de Yehuda Bauer, eminente historiador do holocausto, dizendo que aplicar termos como bestial e bestialidade aos nazistas é ‘um insulto ao reino animal.. porque animais não fazem coisas assim. O comportamento dos perpetuadores era muito humano, não desumano’. O genocídio, enquanto uma ideia e um ato, é um fenômeno humano.”

O livro apresenta algumas imagens com o cotidiano das mulheres nazistas



*Aconselho muito a leitura de "As Mulheres do Nazismo" para aqueles que desejam ter um panorama real do que foi o holocausto e que não se impressionam facilmente. Me contem o que vocês têm achado desse mês do terror e deixem sugestões de Filmes. Toda quarta feira tem postagem sobre filmes, não deixem de conferir. Também não deixem de me seguir no Instagram, @nat_assarito, porque lá estou mais próxima de vocês!


Nenhum comentário:

Postar um comentário