terça-feira, 28 de outubro de 2014

Frankenstein - Resenha




O livro Frankenstein foi criado após uma viagem da autora, Mary Shelley, com seu marido e o consagrado Lorde Byron, um dos maiores poetas ingleses de seu tempo. Em uma noite sombria, Byron desafiou que escrevessem histórias de horror para serem lidas. A princípio, Shelley não conseguiu escrever nada, chegando a ficar fatigada de tanto pensar. Contudo, após ter um pesadelo, Frankenstein e todos seus detalhes surgiram na mente da autora, o que permitiu que ela escrevesse uma história infinitamente superior à dos dois companheiros, originando um livro até hoje aclamado e cultuado.
                É quase impossível esperar algo diferente de horror e asco de uma história feita a pedido de Lorde Byron. O poeta, um dos representantes máximos da segunda fase do Romantismo, era conhecido pela sua vida de hábitos nada saudáveis (a qual incluía, inclusive, relações sexuais com a própria irmã). A escola literária romântica, na qual Frankenstein está inserido, é marcada pela exaltação do feminino e pelo drama, muitas vezes sendo usado como recurso a fuga através da morte (esses autores glorificavam a morte, o suicídio e a boemia –álcool,  drogas e sexo). Recomendo a leitura de Frankenstein nesse clima e com essas expectativas.




Durante sua viagem pelo Polo Norte, o aventureiro Walton troca cartas com sua irmã, Margaret, contando os seus desejos de andar por terras nunca pisadas e as dificuldades que encontrava no caminho, inclusive em relação ao controle de sua tripulação. Em uma dessas cartas, Walton descreve ter resgatado um homem perdido e debilitado em uma placa de gelo, sendo esse indivíduo completamente fascinante, tornando-se seu único amigo nessa jornada solitária. O nome desse novo companheiro de viagem era Victor Frankenstein e a história que o levou até o fim do mundo, literalmente, era repleta de horror e angústia.
                Frankenstein fora um jovem ambicioso e sem nenhum talento natural manifestado durante sua vida. Gostava de ler sobre cientistas e alquimistas, há muito tempo ultrapassados pelos avanços científicos. Quando atingiu determinada idade foi enviado para a universidade, onde percebeu que precisaria se esforçar muito para conseguir algum destaque e, assim, construir um nome que não fosse apenas a sombra de sua família. Nesse período, uma ideia lhe perseguiu: criar uma vida, vencendo, assim, a morte.
                Passou a frequentar o submundo para recolher peças (pedaços de gente morta) para seu experimento e permanecia a maior parte do tempo trancado em seu laboratório. Depois de muitas tentativas e passados alguns anos, em uma manhã de tempestade e com ajuda da recém-descoberta eletricidade, Frankenstein consegue dar vida à sua criatura. Ao ver o ser gigantesco e retalhado se mexer, com uma força descomunal, o Criador foge de medo e nojo, abandonando a Criatura solta e sozinha no mundo.
“Ah, nenhum mortal poderia suportar o horror daquele rosto. Uma múmia que fosse devolvida a uma animação não seria tão medonha quanto aquele desgraçado. Eu o examinara quando ainda inacabado: ele já era feio, mas quando aqueles músculos e articulações se tornaram capazes de se mover, se transformou em uma coisa que mesmo Dante não poderia ter concebido.”
        


        Logo depois de fugir, Frankenstein encontra seu amigo de infância, Henry Clerval, que havia partido ao seu encontro a pedido do pai de Victor, aflito sem notícias do filho. Após o encontro, o Criador passa por uma crise nervosa (uma mistura de transtorno de ansiedade com esquizofrenia) e cai doente, ficando entre a vida e a morte. Quando se recupera recebe uma carta de seu pai lastimando que o seu irmão mais novo, William, estava morto e que ele devia voltar imediatamente para casa.
                Frankenstein sofre, mais uma vez, um momento dramático devido à morte de seu irmão. Além de ter perdido a criança que mais amava, sabia que a empregada, Justine, estava sendo injustiçada pela condenação ao assassinato. Voltando à cena do crime, teve a pior surpresa ao ver a Criatura, a quem deu vida, correndo: o monstro havia matado o irmão de seu criador para, assim, ter a sua atenção.
                Muitos encontros e desencontros se passaram até que o criador e a criatura consigam se enfrentar. O drama, então, fica por conta da narrativa do monstro, o qual sofrera muito tentando encontrar pessoas para se relacionar. O ser, por possuir a aparência horrenda, causava terror por onde andava, levando os homens a agirem com violência e nunca tendo encontrado um companheiro e um amigo. O seu sofrimento era angustiante e compreensível.
Decidido, a criatura faz um pedido, ao criador, crucial para o andamento de sua vida. Caso a exigência fosse negada, promete destruir todos aqueles que Frankenstein amava, fazendo-lhe sentir na pele como seria existir sendo o único de sua espécie.  O final da narrativa instiga leitores de todos os tempos espalhados por todo mundo.
               
                Apesar de romantismo não ser a minha escola literária preferida (não tenho muita paciência para dramas sem nexo que não sejam os meus), Frankenstein foi uma das melhores leituras do ano. Eu reconheço uma crítica da autora na briga entre Criador e criatura que vai muito além de um cientista e seu monstro, porém expõe um conflito entre Deus e os homens. Tenho certeza que muitos de nós já sentimos não pertencer ao local que vivemos e me perguntamos o que estamos fazendo aqui, sem nunca obter uma resposta. Assim como a criatura não pediu para ser criada e não pediu para sofrer, nós também não. O que torna a nossa vida menos sombria, todavia, é a capacidade de mudar nosso destino e ter esperança, algo que a criatura não poderia nunca obter.





*O livro que eu coloquei na primeira imagem antes da resenha NÃO é o que eu li! Como eu já disse no book haul do mês do horror  eu comprei uma edição especial (e linda!) da Martin Claret que conta com 3 clássicos do terror: Frankenstein, O Médico e O Monstro (que já foi resenhado) e Drácula. Escolhi colocar essa imagem aqui no blog porque achei a capa linda e evidencia bem o livro. Estamos na reta final do Mês do Horror, agora só falta a resenha de O Iluminado. O que vocês estão achando? Deixem comentários, vou adorar saber e conversar um pouquinho com vocês. 

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