quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Martin Claret, uma conversa sincera





                Martin Claret é o nome da editora mais polêmica do Brasil. Com preços tentadores, publicando livros clássicos a partir de R$14, encontramos leitores que amam e odeiam a marca. As críticas vão desde traduções mal feitas a processos de plágio, enquanto que os elogios envolvem a acessibilidade que os leitores encontram pelos preços baixos e o vasto catálogo de obras.
                Eu nunca havia encontrado problemas nas publicações. Adquiri vários títulos durante o ensino médio, indicados pelos professores, e para o vestibular (eles possuem a maior parte das leituras obrigatórias da Fuvest e da Unicamp). Na verdade, como boa parte dos livros estava voltada para os meus estudos, considerava bem prático o formato pocket, não pesando na mala e permitindo o transporte para qualquer local.
Quando cheguei à USP fiquei um pouco chocada ao ver que o mundo acadêmico despreza a Martin Claret. Os professores, obviamente, indicam os livros caríssimos que foram traduzidos pelos maiores especialistas dos autores em questão. Ao meu ver, não seria um problema usar o mesmo livro de outra editora, uma vez que eu não tenho condições de comprar os indicados. Por exemplo, O Leviatã, traduzido e editado pela minha professora de política custa R$100, enquanto que o da Martin Claret sai por R$19,90 (vale lembrar que em ciências sociais eu preciso ler um livro por aula).
Com uma diferença gritante de valores, fica claro que a editora perde em qualidade. Contudo, não considero que isso prejudique o aluno, apesar de já ter sido questionada por um colega de classe se eu não tinha vergonha de ler Martin Claret! Nós, leitores, sempre prezamos por um prefácio e uma introdução arrebatadora, mas, infelizmente, enquanto estudante, não tenho recursos financeiros para dispor disso. O texto integral, bruto (sem notas), acaba sendo extremamente parecido entre todas editoras, compensando  para o meu bolso comprar Martin Claret.
 Ainda nos prós e contras, um exemplo de tradução péssima foi feita em “O Príncipe”. Quem estuda a obra sabe que Maquiavel elucida que o Príncipe para ser bom dispõe de dois recursos básicos: virtú e Fortuna. A editora traduziu, respectivamente, como virtude e sorte, aproximações no mínimo porcas do conceito (a Editora Saraiva fez o mesmo). Como eu tive uma aula sobre o assunto não considero que perdi conteúdo, porém, se eu fosse uma leitora autodidata teria perdido conhecimento.
Para não ser injusta, também encontrei um exemplo de tradução muito bem escrita, a do Segundo Tratado Sobre o Governo, de John Locke. Sou eternamente grata pela editora ter essa obra em catálogo porque as demais apenas disponibilizam livros com os dois tratados, custando R$90 (paguei R$14,50 no meu, no Submarino). As notas de rodapé são muito bem feitas, sendo que um trecho que o professor leu, da sua edição indicada, era bem menos didático em relação ao que estava marcado na mesma obra da Martin Claret.
Uma professora minha reclamou da marca alegando que “as capas parecem alegorias da Unidos da Tijuca”, observação cômica e que já foi verdade. As capas da editora eram extremamente carregadas, impossibilitando, muitas vezes, o entendimento do título da obra por parte do comprador. Entretanto, no estande da Martin Claret na Bienal do Livro de São Paulo, o diretor da marca me explicou que o design de todos os livros foi modificado, de modo que as produções ficaram mais clean e agora seguem um padrão por autores.
A repaginação da marca extrapolou os limites dos desenhos das capas e, visando atrair o público jovem, lançou diversas opções de obras para adolescentes. Muitos volumes deixaram para trás o ar simplório e adentraram o mundo da “ostentação”, contando com edições de colecionadores primorosas –alguns exemplos são obras de Jane Austen, Victor Hugo e os tão famosos contos de Sherlock Holmes. O valor gasto nessas edições limitadas igualmente extrapolou os padrões da editora (o que não me impede de ter vários desses livros na minha lista de querências de Natal hahaha).

Eu defendo muito a necessidade de livros a preços populares para tornar os brasileiros leitores e, portanto, não tenho porque não gostar da Martin Claret. Ademais, não é apenas a economia que atrai, mas a propagação dos autores clássicos. Não me imagino entrando na USP sem os meus volumes da editora que cumpriram com excelência a função de leitura obrigatória. Minha única ressalva é expressa quando o leitor possui um autor ou livro preferido. Nesse caso, vale investir em uma capa bonita com comentários e textos especiais sobre a obra. Se não for essa a situação, acho maravilhoso a possibilidade do brasileiro entrar em contato com escritores como Machado, Kafka, Almeida Garrett, entre outros, por menos de R$20.  


Meus livros da Martin Claret

  • O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx
  • O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente
  • Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente
  • Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett
  • O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • Contos Escolhidos, de Machado de Assis
  • Til, de José de Alencar
  • Iracema, de José de Alencar
  • Cinco Minutos, de José de Alencar
  • Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida
  • O Processo, de Franz Kafka
  • Édipo Rei, de Sófocles
  • Antígona, de Sófocles
  • A Mandrágora, de Maquiavel
  • Frankenstein, de Mary Shelley
  • O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson
  • Drácula, de Bram Stoker
  • Segundo Tratado Sobre o Governo Civil, de John Locke

*Antes de acabar, preciso deixar claro que não sou patrocinada pela editora. Por fim, peço encarecidamente para vocês deixarem comentários dizendo o que acham da Martin Claret e se compram livros deles, tenho me sentido muito solitária por aqui! 



56 comentários:

  1. Oi Natália. Não tenho livros dessa editora, mas não teria problema em adquiri-los. Também acho que temos que democratizar e facilitar o acesso aos livros. Já comprei livro na bienal do Rio da Ciranda cultural, com edição bem simples, e não tive problemas. Bjs

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    1. Adoro alguns livros baratinhos da Ciranda Cultural! Comprei alguns na máquina do metrô de São Paulo e na Bienal do Livro por R$3, eles são super práticos.

      Beijos

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  2. Faço letras e nunca ouvi reclamações da editora, até porque até agora foi tratado da literatura brasileira, acho bom ter edições em preços mais em conta para facilitar o incentivo a leitura.

    http://www.eucurtoliteratura.com/

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    1. Tainan, os meus preferidos da editora são realmente em língua portuguesa. Assim, não dá nem pra questionar as traduções!

      Beijos

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    2. Mas seria interessante publicar os livros em lingua portugueza com a mesma orthographia em que foram originalmente escriptos.

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    3. Oi, Natália! Não querendo 'colocar' pimenta na conversa, mas, não pude deixar de notar no teu comentário sobre os teus livros 'preferidos' serem na Língua Portuguesa, porém, dos teus títulos, somente seis (06) dos dezenove (19) é que são originariamente na Língua Portuguesa do Brasil! Até porque, os livros que são de Língua Portuguesa de Portugal - como no caso do Gil Vicente - tendem a sofrer adaptações que não deixam de ser traduções, já que há palavras que não são correspondentes em cada uma das duas variações (entre o Português do Brasil e de Portugal)... ;)
      O.: Peço desculpas, mas, 'tô postando como anônimo, por não achar uma conta que eu use pra associar aqui!

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  3. Adorei o post e concordo com tudo que você disse! Não tenho nenhum livro da editora, mas acho ótimo obras clássicas estarem disponíveis para todos. Obras de escritores como Oscar Wilde e Kafka precisam ser propagadas! Sinto falta das edições baratinhas da extinta editora Ática!

    Bjos

    http://bymiih.blogspot.com.br/

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    1. Mih, a editora Ática era muito amor! Sinto falta também.

      Beijos

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  4. Gosto da editora da mesma forma que você, por ser barato afinal tem livros que pedem na faculdade e a gente usa um semestre só. Mas sobre tradução sempre reclamo e sempre vou reclamar, acho descaso com o leitor independente que ele prefira pagar barato.

    Beijos

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    1. Luana, comecei a perceber que as piores traduções são de livros antigos e em línguas diferentes do inglês. Acho que, infelizmente, a editora não consegue manter um baixo preço se contratar os melhores tradutores, o que é uma pena. Os leitores têm sempre que ir se virando nesses casos :/

      Beijos

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  5. Eu particularmente adoro essa editora. Inclusive comprei seis livros por dez reais cada numa promoção de uma livraria daqui (todos com as capas novas). Nunca tive nenhum problema. Todavia, tem uma edição de Assim falou/falava Zaratustra que a tradução está péssima, isso tirando o fato de que, segundo teorias de conspiração, é um plágio.

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    1. Eu estava pensando, talvez algumas línguas mais simples tenham traduções mais precisas, por exemplo o inglês ou livros mais recentes. Obrigada pelo comentário!

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  6. Martin Claret, para mim, é uma editora muito boa no quesito acessibilidade, porque já li vários clássicos nas edições dela, sem ter problema algum com a tradução, apesar de que, obviamente, com a queda no preço a qualidade jamais será a mesma que uma edição de luxo que custa quatro vezes mais. Confesso que não aaaamo os livros por dentro (acho meio apertadas as bordas) mas é algo que a gente se acostuma e economiza páginas. Então sem dúvidas, concordo muito com você e seu post! Uma pena que a equipe de marketing é o ponto fraco, pelo jeito.
    Beijos!
    Isa.
    Portal dos Livros

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    1. Isa, concordo com tudo o que você disse! É exatamente isso, a gente vai se virando com o que pode e tem a Martin Claret como uma opção. Beijos!

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  7. Sou Professor de Língua Portuguesa e Literatura e, confesso, acho uma hipocrisia deslavada esta postura ranheta dos tradutores e acadêmicos contra a Martin Claret e outras Editoras. Levando-se em conta o baixo interesse da população brasileira pela leitura, estas Editoras tentam resgatar uma coisa preciosa que se perdeu no Brasil, junto com as histórias em quadrinhos e outros gêneros: o livro de bolso.

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    1. Concordo muito com seu comentário, adoro encontrar edições antigas de bolso em sebos... Livros a preços populares estimulam muito a leitura. Obrigada pelo comentário!

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    2. Aplaudindo de pé!!! Eu faço é custear traduções de livros por editoras pequenas que se interessam em fazer o trabalho. Cultura custa dinheiro! Ponto!

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  8. Eu acho realmente belas algumas edições da Martin Claret. Mas o problema é o tradutor, Por exemplo,em Orgulho e Preconceito,e Razão e Sensibilidade,do mesmo,eu não gostei da tradução. Agora Emma,para mim,estava muito melhor,além que havia notas! Fiquei indignada pelos outros dois não terem.

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    1. Algumas edições parecem meio fora de padrão, né? Você já viu a nova coleção da Jane Austen que eles lançaram? Talvez tenham melhorado... Agradeço o comentário :)

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  9. Sem maiores comentários, depois que li um dos livros desta editora, concluí que ela me enganou por um tempo, mas não conseguiu enganar para sempre.

    Para mim, essa editora está morta e enterrada. Não tenho mais nenhum título que venha dela.

    Sem mais. Obrigada pelo espaço.

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    1. Adoro ler opiniões contrárias... Algumas traduções apresentam grandes problemas mesmo e os livros em alguns casos estão literalmente caindo aos pedaços. Obrigada pela contribuição!

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  10. Ela é especialmente boa quando publica literatura nacional.

    Por não envolver tradução, ela tá simplesmente disponibilizando o mesmo texto a um preço acessível.

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    1. Isso é verdade, a Martin Claret arrasa nos livros nacionais! É ótimo ter literatura brasileira clássica. Agradeço a visita!

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    2. preço acessível e erros gramaticais. Parei de comprar Martins Claret.

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  11. Concordo com os que afirmam ser bons os títulos em português, eu compro os títulos da obra do saudoso Prof. Humberto Rhoden, todos de excelente qualidade, inclusive as traduções, como por exemplo o novo testamento extraído diretamente do grego, considerado um trabalho primoroso por especialistas. Cada caso é um caso. Quanto ao preconceito dessa professora, infelizmente não se trata de excessão no meio acadêmico. Siga sempre a sua intuição e não liga pra "torcida".

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    1. Obrigada pelo seu comentário! Acho que as opiniões são bem divergentes sobre a editora justamente porque ela tem muitas facetas... Algumas traduções são boas e outras são péssimas mesmo. Temos que acertar.

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  12. Olá Natália,

    é uma pena que só tenha visto o seu post sobre essa editora agora, mas ainda assim ele é muito pertinente. Concordo com tudo que você disse, sem tirar nem por uma única virgula; quando comecei a me interessar por leitura, ainda que seja tardio, foi essa editora que me garantiu uma grande facilidade de obras. Meus primeiros livros, Os Miseráveis de Victor Hugo e Crime e Castigo de Dostoievski foram desta editora. Como você eu também encontrei grande repulsa e preconceito quando cheguei na faculdade, pois os professores historiadores preferiam e indicavam os livros da Cosac Naify (e nem preciso citar os seus preços mega-abusivos) ao invés da outra, mas mesmo assim isso não me causou nenhum problema de consciência, todos os meus do Marx são dessa editora, somando hoje creio que oito livros. Como você também, a minha única queixa seria referente a um processo de plágio ainda no começo dos anos 2000 em que a editora assumiu rapidamente a culpa, alegando ter plagiado alguns dos livros mais procurados de outras editoras.
    Ademais, ela é uma boa editora e faz muito bem o papel de fácil acesso, ainda mais no nosso país hoje quase extinto de leitores.
    Quero parabenizá-la pelo blog e continuarei acompanhando.
    Abraços.

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    1. Deison, muito obrigada pelo comentário e pelo interesse no blog. Escrevi esse texto há um tempo, mas mantenho minhas opiniões, ainda considero a Martin Claret muito importante no cenário editorial brasileiro. Precisamos muito de marcas que tenham compromisso com acessibilidade à leitura. Abraço!

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  13. Eu gostava d'essa editora, agora estou em duvida por causa das innumeras accusações de plagios e dos erros de portuguez. Mas seria uma lastima perder uma empresa como ella, livros que são facilmente transportados e por um preço quasi bom...

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  14. Natalia, gostei muito das suas observações e também concordo com seu ponto de vista, tinha visto muitos comentários maldosos contra essa editora, no mais deixo uma pergunta se você poder me responder claro, sabe algo referente a tradução deles para o livro Os Miseráveis ? obrigado.

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    1. Olá, Rodolfo. Eu tenho a edição de luxo da Martin Claret de Os Miseráveis e não tenho absolutamente nada contra a tradução... Acho o texto gostoso de ler e é uma das minhas leituras preferidas. Não sei se a edição comum foi feita pelo mesmo tradutor, mas acho que vale dar uma olhada na livraria e ver se você se adapta. Obrigada pelo comentário!

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    2. Muito obrigado por sua atenção rs, é justamente essa edição que eu quero, além de ser volume único é uma edição muito linda, já salvei seu blog aqui nos favoritos :)

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  15. Olá! Eu tenho alguns livros da Martin Claret e particularmente é uma das minhas editoras favoritas no quesito acessibilidade. Porém, como em alguns casos as traduções decepcionam (bem como o próprio design), passei a "migrar" para outras editoras que também tenham preço acessível e melhores traduções (o que infelizmente parece um contraste no Brasil: ou o livro é barato, e consequentemente sem qualidade, ou tem qualidade respeitável, mas pesa no preço, como nas traduções das obras russas). Enfim,mas uma boa opção para quem deseja preço baixo e boa tradução é a L&PM Pocket, minha predileta.
    Respondendo à dúvida do Rodolfo, (meio tardiamente, eu sei!) eu tenho "Os Miseráveis" na edição de bolso da Martin Claret (em dois volumes) e sim, é a mesma tradução adotada na edição de luxo da editora: creditada a Célia Regina de Oliveira. Já encontrei algumas falhas em outros títulos da editora, mas não tenho nada do que reclamar da tradução de Os Miseráveis (e nem de "O Corcunda de Notre-Dame", que é de outro tradutor). Por ser meu clássico favorito, talvez futuramente eu adquira uma outra edição de Os Miseráveis , mas nesse caso será mais por uma questão de "fanatismo" mesmo, porque por ora, essa da Martin Claret está ótima para mim. :)
    *Um conselho: Evitem a edição de "Moby Dick" da Martin Claret: é a pior edição de um livro que já li, repleta de erros gramaticais, incoerências, "picotes" de outras traduções e outras falhas. Nesse livro, a editora decepciona horrivelmente.
    Opa, me estendi demais no comentário, desculpe, haha! :D
    Uma última dúvida: Natália, vi que você tem a edição em volume único de Drácula/Frankenstein/O médico e o monstro da Martin Claret. Poderia me informar quais são os tradutores creditados nesse livro? Eu tenho Drácula e Frankenstein dessa editora, mas estou pensando em me desfazer deles e comprar essa edição.
    Obrigado pelo espaço. ;)

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    1. Olá, Fábio! Obrigada pela informação sobre as duas edições de Os Miseráveis conterem o mesmo texto!! Eu queria muito saber isso!!

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  16. Oi! Eu fico com muito receio de comprar livros da Martin Claret porque também já ouvi muito falar das traduções serem ruins e tal... Acabo evitando, pois nunca sei se a edição estará boa ou não. :(
    Como mancionaram aí acima, a L&PM Pocket parece ser uma boa alternativa. Nunca vi ninguém falar mal dela... Os preços são acessíveis e eu já li um livro deles e foi tranquilo.

    PS.: também tenho um blog literário, estou começando agora.
    http://ametistabooks.blogspot.com.br/

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  17. Olá!
    Então, a respeito da Martin Claret,eu já tinha ouvido falar muito mal, porém nunca tinha levado as críticas a sério. No entanto quando resolvi ler a obra Fausto do autor Goethe, o desserviço que essa editora faz para a literatura ficou evidente. É inacreditável o que foi feito com a obra... As frases estavam escritas ao estilo mestre Yoda nível 10000 (um hipérbato atrás do outro) e as rimas que compunham o poema se tornaram praticamente inexistentes; parece que o tradutor jogou o texto original no google translate e mandou imprimir. Resultado: fui obrigado a interromper a leitura na página 200, porque simplesmente haviam partes incompreensíveis na edição. Portanto, fica aqui meu desabafo para a editora de um livro que me custou 90 reais e ficará juntando poeira na estante.

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  18. Olá, Natália! Há alguns anos atrás, cheguei a comprar algumas edições da Martin Claret devido ao baixo custo das mesmas e só mais tarde fui descobrir os diversos casos de plágios cometidos pela editora. Fiquei decepcionado na época e deixei de adquirir seus produtos.
    No entanto, de 2014 pra cá, tenho percebido um grande esforço por parte dela em se redimir com o mercado editorial brasileiro e decidi dar-lhe uma nova chance. É notável que a Martin Claret passou por uma reforma digna, principalmente, na intenção de superar/sanar os pesares ocorridos no passado. Atualmente, voltei a acompanhar a editora e confesso que estou gostando bastante das novas traduções e dos projetos gráficos empregados nas obras publicadas. Os preços dos livros em formato pocket continuam sendo muito satisfatórios, o que facilita o acesso a pessoas que, assim como eu, não tinham muitas alternativas condizentes com seu bolso. Eu, pessoalmente, sempre dou prioridade àquelas traduções que considero sendo melhores e mais fiéis ao texto original, o que às vezes, me motiva a fazer certos sacrifícios para adquirir algum exemplar da Cosac Naify ou da Editora 34, por exemplo, mas ainda assim, no que diz respeito a algumas obras de domínio público, tenho preferido optar pela nova fase da Martin Claret, pois constatei que muitos de seus novos tradutores são competentes e estão dentro do nível de qualidade esperado.

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  19. Olá, Natália! Há alguns anos atrás, cheguei a comprar algumas edições da Martin Claret devido ao baixo custo das mesmas e só mais tarde fui descobrir os diversos casos de plágios cometidos pela editora. Fiquei decepcionado na época e deixei de adquirir seus produtos.
    No entanto, de 2014 pra cá, tenho percebido um grande esforço por parte dela em se redimir com o mercado editorial brasileiro e decidi dar-lhe uma nova chance. É notável que a Martin Claret passou por uma reforma digna, principalmente, na intenção de superar/sanar os pesares ocorridos no passado. Atualmente, voltei a acompanhar a editora e confesso que estou gostando bastante das novas traduções e dos projetos gráficos empregados nas obras publicadas. Os preços dos livros em formato pocket continuam sendo muito satisfatórios, o que facilita o acesso a pessoas que, assim como eu, não tinham muitas alternativas condizentes com seu bolso. Eu, pessoalmente, sempre dou prioridade àquelas traduções que considero sendo melhores e mais fiéis ao texto original, o que às vezes, me motiva a fazer certos sacrifícios para adquirir algum exemplar da Cosac Naify ou da Editora 34, por exemplo, mas ainda assim, no que diz respeito a algumas obras de domínio público, tenho preferido optar pela nova fase da Martin Claret, pois constatei que muitos de seus novos tradutores são competentes e estão dentro do nível de qualidade esperado.

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  20. Sempre evitei ler edições lançadas pela Martin Claret. Faço letras, e parece até um complô: TODOS os professores dizem que ler títulos lançados pela Martin Claret é andar em terreno perigoso. Até que um dia, eu pude ler Moby Dick (texto integral), e não vi problema algum. Diga-se de passagem, estava muito bem traduzido, e como toda leitura deve fazer, me proporcionou grande prazer. Ainda não pude ler nenhuma outra obra cujo lançamento é proveniente dessa editora, mas eu o faria sem preconceitos, visto que a primeira impressão que tive foi muito boa.

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  21. Muito do que a editora Martin Claret publica já está em domínio público, então fica difícil dizer que uma tradução foi plagiada aqui ou acolá; até porque qualquer tradução que haja por aí, mesmo que mude um ponto ou uma vírgula já é outra tradução e quem poderá se dizer dono dessa ou daquela? Como conseguirá provar, pois se formos traduzir à risca o que foi escrito no original, todas as traduções serão iguais, por via de regra.
    Acho pura mesquinharia ficar brigando por traduções, se ao menos fosse por originais...

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  22. Nos últimos anos tenho notado que a Martin Claret passou por uma reformulação bastante incisiva. É perceptível que a mesma mudou muito e que suas publicações tiveram um considerável aumento de qualidade tanto nas traduções quanto nos projetos gráficos. Por ser uma das poucas editoras com preço mais acessível no mercado editorial nacional, vou continuar comprando seus produtos não só pelo "custo-benefício", mas também porque ela voltou a ganhar minha confiança após esse "upgrade". Sobre os processos de plágio, se os mesmos já foram comprovados e resolvidos, não vejo porque continuar com essa "inquisição" contra a editora.

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  23. Mesmo que a Martin Claret fechasse suas portas hoje, teria cumprido gloriosamente sua missao como editora somente por ter publicado as obras de Huberto Rohden, o maior filosofo cristao brasileiro, talvez mundial.

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  24. Olá, Natália! Suas observações no post são bem interessantes! E os comentários me ajudaram muito também! Obrigada!

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  25. Natália adorei o que você escreveu pois na minha universidade os professores falam muito mau da Martin Claret, ja adquiri vários títulos que estão me ajudando muito pois não tenho dinheiro para comprar as obras de outras editoras

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  26. A editora foi julgada por plagio, inclusive confessou e pagou indenizações. Não é torcida contra kkkkk Ela tem um passado negro. A partir do momento que soube disso (e pesquisei para saber a veracidade) resolvi "boicotar" a editora, ela não me faz falta mesmo. Existem editoras bem melhores.

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  27. Boa tarde. Eu também tenho alguns títulos da editora em questão. A princípio, achei muito interessante a proposta de livros com preços mais acessíveis, principalmente considerando que não temos incentivo pra leitura de conteúdo realmente aproveitável. Eu me introduzi na filosofia do Nietzsche, numa época em que não se achava obras dele tão facilmente, pelo menos aqui onde moro, adquirindo os mesmo pela editora. Depois, tive interesse em ler os mesmos em outra traduções, e então, percebi a diferença. Realmente, algumas traduções são malfeitas, outras, são bem feitas (particularmente, gostei da tradução do 'O Anticristo' e 'Assim Falava Zaratustra'. No entanto, a questão de direitos autorais tem que ser levada a sério mesmo.

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  28. Natália,

    Sempre comprei livros da editora, principalmente pelo preço e pela variedade de títulos clássicos que eram e continuam sendo difíceis e caros de se encontrar em outras editoras. Me incomodei bastante ao saber dos casos de plágio que envolviam a editora, mas acredito que uma ou outra acusação possa ser também pressão de uma editora para tirá-la do mercado, tendo em vista o sucesso que ela conseguiu entre o público. Me lembrou o caso de uma editora que notificou o administrador do site ebooksbrasil.org de distribuir arquivos PDF de obras traduzidas, quando na verdade o direito autoral sobre as traduções das obras em PDF distribuídas haviam vencido há anos, e a editora não conseguiu provar a acusação de plágio.
    Quanto às traduções, acredito que nenhuma será perfeita. Sempre haverá maior ou menor alteração na construção da frase, de modo que a idéia principal do texto seja facilmente compreendida pelo leitor. Se o alvo da editora é o público "vulgar", é natural que o público "nobre" manifeste qualquer tipo de preconceito.
    Só para aumentar a discussão: repararam que muitos títulos que anteriormente foram publicados pela Martin Claret agora estão sendo publicados pela Saraiva e justamente com a mesma política de preços acessíveis?

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  29. Post interessante, mas gostaria dar meu posicionamento. Existem outras editoras que possuem catálogos com preços tão ou mais acessíveis do que a Martin Claret e que possuem traduções bem melhores, algumas delas diretamente da língua original da obra. A L&PM é um bom exemplo disso. Ela possui um catálogo com milhares de livros, muitos deles clássicos, com preços bastante acessíveis, mais acessíveis do que a própria Martin Claret inclusive. A maioria do catálogo dela é composta por livros com preços entre 5 e 20 reais. A Companhia das Letras tem um selo próprio para livros de bolso que também é acessível (a maioria entre 15-35 reais) e tem o selo Penguin, também da Companhia, específico para obras clássicas, com traduções excelentes e preço baixo, dependendo do livro. Além disso, a Martin Claret é conhecida pelos casos escandalosos de plágio. Portanto, a Martin Claret é uma péssima pedida, principalmente para quem quer se aprofundar na obra de algum escritor, como pode ser o caso de quem faz faculdade ou pós. A L&PM possui grande parte dos livros que você tem da Martin Claret, pelo mesmo preço e com melhores traduções. E faça um favor a você mesma, não leia os livros do Kafka pela Martin Claret. Compre os da Companhia das Letras, com tradução do Modesto Carone. Essa questão do preço de fato é complicada e é muito importante falar sobre isso. Sua iniciativa é louvável. Mas quase sempre é possível comprar livros bons e baratos, depois de uma pesquisa exaustiva é claro. Eu comecei a adquirir o hábito de leitura com os livros da L&PM, comprados a 5 reais em uma banca de jornais na minha faculdade. Hoje tenho maior condição para comprar livros e estou atualizando minha biblioteca com edições melhores, da Companhia das Letras, Editora 34 e Cosac(que infelizmente faliu), mas continuo dando valor à L&PM por colocar no mercado livros de bolso baratos e de qualidade. Por isso entendo sua preocupação e a parabenizo pela atitude de abordar esse tema, mesmo não concordando com a questão da Martin Claret.

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  30. Gente, isso aqui é hilário! =)
    http://desciclopedia.org/wiki/Editora_Martin_Claret

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  31. Acompanho a editora e pelo que vejo ela não vende mais livros com traduções plagiadas, as edições com problemas passaram por novas traduções e normalmente eles tem destacado quem é o novo tradutor.
    A questão que eu fico refletindo é: devo comprar livros de uma editora que fez algo tão errado no passado?
    Eu refletia sobre isso, depois de um tempo conclui que a editora deve ter passado por julgamento pela justiça brasileira, e deve ter pagado pelo seus erros. Todos tem oportunidade de mudar e melhorar, e eles tem feito edições maravilhosas no quesito gráfico, como por exemplo Os Miseráveis, Sherlock Holmes, Norte e Sul etc (não quero julgar se a tradução é magnífica, mas não é plágio e normalmente feita por profissionais com currículo).
    Mas pesquisando na internet não encontro notícias que ela tenha pago indenizações, na verdade encontrei matérias que a editora processou a dona do blog que fez as denúncias de plágio, pra tentar inibir essas denuncias, o que acho uma atitude extremamente errada, se fez errado era para ter assumido na época.
    Ainda tenho essas dúvidas se devo comprar as edições novas ou não dessa editora.

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  32. A palavra Fortuna, traduzida do latim e do italiano para português, pode significar Sorte. A palavra Fortuna também existe na língua portuguesa e nela também pode significar Sorte.

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  33. Li coisas bem ruins a respeito da Martin Claret, porém não consegui encontrar o desfecho de acusações como o caso dos plágios de traduções por exemplo. Realmente parece que a editora se “redimiu” e saiu dessa vida rs. Pelo menos perante a lei, parece que pagou o que devia. Parece...
    Quando vi o livro Grandes Contos de HP Lovecraft, fiquei doido e imediatamente comprei, arrisco dizer até que nunca ouve no Brasil uma publicação tão portentosa da obra do grande Lovecraft. Na contracapa inclusive tem o nome dos tradutores, dando a entender o p*** trabalho que tiveram (quem conhece a história da tradução de Lovecraft no Brasil sabe do que estou falando). Somente após a compra é que fui pesquisar sobre essa editora até então estranha para mim, e acabei sabendo dos casos onde a editora está envolvida.
    Se ainda está no mercado, mesmo após a sabatina que teria acontecido, então me parece ok...

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  34. Acabei de ler 'A Apologia de Sócrates' e logo procurei outras versões do livro de Platão, e admito não ter encontrado erros de tradução, acredito que a editora tem melhorado no quesito tradução!

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  35. Eu comprei alguns. O Do espírito das leis eu li quando não entendia o frances, mas conferindo alguns trechos essas semanas vi que a tradução tá boa, afinal de contas montesquieu é fácil de traduzir. Os do Kant vi muitas diferenças com as outras, e parei de ler. O A República fiquei satisfeito também

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  36. Adoro a Martin Claret! Ainda não encontrei nenhum problema nos livros que li!

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