sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Cartas de Amor aos Mortos - Resenha

Quem me acompanha há um tempinho sabe que não costumo gostar de livros cujas histórias são voltadas para adolescentes ou jovens adultos. Quer dizer, não gostava até esbarrar em Carta de Amor aos Mortos e me apaixonar imediatamente!

Em meados do ano passado, quando o livro chegou aqui no Brasil, só se falava dele. O formato me chamou muita atenção, uma vez que a história é formada por cartas que a protagonista escreve contando um pouco de sua vida e do momento difícil que está passando para seus ídolos mortos, como Amelia Earhart, Kurt Cobain, Amy Winehouse, Janis Joplin, Heath Legder, entre tantas outras figuras lendárias. Arrisquei, saí da minha zona de conforto e não me arrependo nem um pouquinho.

Além da capa ser linda (emborrachada, totalmente diferente do que estamos acostumados), a escrita da autora Ava Dellaira flui, fazendo com que eu terminasse a leitura em 2 dias (apesar de eu não querer que acabasse, me envolvi demais com as personagens!).




Apesar de fluir, Cartas de Amor aos Mortos não possui de forma alguma uma narrativa leve. Eu, que nunca choro lendo, tive que me segurar em muitos momentos. Laurel, nossa protagonista, é uma jovem prestes a começar o ensino médio e passar pelas diversas descobertas e transformações que naturalmente mexem com um jovem dessa faixa etária. Contudo, recentemente Laurel perdeu sua irmã mais velha, May, a quem tanto admirava e via como um espelho. Durante todas as 337 páginas vemos uma tentativa desesperada por parte da personagem de encontrar a si mesma, sabendo qual é seu lugar e onde está o espaço de May em si,

Para fugir dos olhares de piedade do colégio antigo, Laurel muda de escola, começando uma nova vida onde ninguém conhece seu passado e nem sua irmã. Na primeira aula de inglês a garota recebe a tarefa (que nunca entrega) de escrever uma carta a uma figura histórica já morta. Porém, a carga emocional das palavras de Laurel se torna tão grande que ela decide nunca mostrar para professora, mas fazer daquele hábito de escrita seu diário. Começando por Kurt Cobain, ídolo da irmã falecida, Laurel confessa suas indagações, acontecimentos cotidianos, dúvidas e incertezas. 

Não demora muito para a protagonista se enturmar, fazendo amizade com Hannah e Natalie, personagens também muito profundas e que levantam a questão do descobrimento sexual e auto-aceitação. Como não poderia faltar em uma história sobre adolescentes, Laurel se apaixona por Sky, um garoto misterioso e introvertido, revelando-nos uma ligação de alma muito forte com o final do romance.
"Todos nós queremos ser alguém, mas temos medo de descobrir que não somos tão bons quanto todo mundo imagina que somos" 
Essa foi minha única marcação do livro, porque acho que define exatamente a ideia central da autora, além de conversar com todos os leitores. Nós sempre estamos tentando nos encontrar, mesmo que já tenhamos passado pela adolescência. No fundo nunca estamos satisfeitos com o que somos e parece extremamente complicado saber até se somos genuínos ou apenas um reflexo daquilo que pensam sobre nossa imagem.

Sem o devido apoio dos pais, Laurel precisa encarar seus 15 anos e se libertar do fantasma da irmã que a assombra dentro de si. Cheia de culpas, busca sua personalidade perdida no turbilhão que era May e durante essa jornada tropeça com jovens que também estão muito perdidos. As cartas ao longo do tempo se tornam mais íntimas, com os destinatários sendo chamados apenas pelo primeiro nome e com o desenvolvimento da garota, a qual começa a se sentir mais confortável para contar sobre o que realmente aconteceu na noite que May a deixou para sempre. 

Leiam Cartas de Amor aos Mortos. A identificação com as personagens é imediata, a escrita da autora é uma obra de arte, o livro está repleto de poesias e, de sobra, conhece-se sobre a biografia de ídolos (gostei tanto disso que estou até pensando em ler uma biografia da Amelia Earheart). 



Gostei tanto tanto do livro que até quis tirar uma foto com ele #aloka haha

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Mundo Segundo Mafalda - Exposição SP






Para amor dos paulistanos, desde dezembro, Mafalda deixou provisoriamente o mundo dos quadrinhos e está comemorando seu aniversário de 50 anos na Praça das Artes, na avenida São João. A exposição O Mundo Segundo Mafalda é uma excelente opção para o finzinho de férias, apresentando o cotidiano, hábitos e indagações dessa figurinha de 6 anos. Perfeita para as crianças, a mostra conta com muita interatividade e desenhos expostos à apenas 1 metro do chão, permitindo a total visualização dos pequenos. 

Visitei Mafalda hoje pela manhã e acho que dizer que amei seria pouco para descrever meus sentimentos. Mafalda é uma criança que compreende que nem tudo é exato, reto e óbvio como os adultos costumam demonstrar. Nosso mundo é cheio de curvas e poréns que não podemos deixar de analisar. Ao meu ver, a grandeza da criação de Quino é justamente essa lembrança constante de que não é porque nós crescemos que sabemos todas as respostas e fazemos tudo da maneira correta. 

Apesar de não ser muito grande (fiquei triste por não haver lojinha da exposição, sempre levo um lápis pra casa), a exibição é detalhada e resume as maiores características da personagem, como o Citroen de seu pai, seus brinquedos, uma réplica de um apartamento comum da classe média argentina dos anos 60 e as "invenções" da menina (capacete que deixa sair as ideias e antena telepática para captar melhor as ideias, por exemplo). A mostra também possui um espaço monitorado para as crianças desenharem e ambiente para assistirem as adaptações televisivas. 

Conservo em mim muito da criatividade e inquietude de Mafalda e imagino que muitos de vocês que estão lendo também. Não percam a exposição e levem seus filhos, irmãozinhos, sobrinhos e afilhados para conhecerem esse universo mágico que só a Mafalda pode proporcionar. Afinal, um pouco de pensamento crítico e de olhar fora da caixa nunca é demais, principalmente para aqueles que estão em processo de formação de personalidade!



Vou deixar só algumas fotos para vocês sentirem o gostinho do mundo de Mafalda e se animarem em visitar a exposição (cliquem em cima das imagens para vê-las em tamanho grande):






















Mundo doente









Apresentação de Quino, autor de Mafalda



Informações:


 O Mundo segundo Mafalda ficará em cartaz até 28 de fevereiro. Entrada gratuita.

Endereço:

Avenida São João, 281. Centro - SP. Próximo à estação São Bento do metrô (linha azul).








*Tenho certeza que vocês amam a Mafalda, porque não é possível amar literatura e não gostar dessa hermana querida, então, não percam a exposição de jeito nenhum. Está tudo MUITO lindo e caprichado, feito com muuito carinho. Me deixem comentários se visitarem, hein? Não esqueçam! (e também deixem para falar qualquer outra coisa sobre a Mafalda ou o universo, sabem que eu adoro conversar e trocar figurinhas com vocês <3)

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Hora da Estrela - Clarice Lispector




“Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava toda atordoada. Olhou-se maquinalmente ao espelho que encimava a pia imunda e rachada, cheia de cabelos, o que tanto combinava com sua vida. Pareceu-lhe que o espelho baço e escurecido não refletia imagem alguma. Sumira por acaso a sua existência física? Logo depois passou a ilusão e enxergou a cara toda deformada pelo espelho ordinário, o nariz tornado enorme como o de um palhaço de nariz de papelão. Olhou-se e levemente pensou: tão jovem e já com ferrugem.”

Clarice Lispector




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Metas Literárias para 2015!




Provavelmente, estou MUITO atrasada para fazer escrever esse post, mas tudo bem, afinal, janeiro ainda não entrou direito em mim (olá, inferno astral!). Eu nunca fui de fazer metas de leitura, até porque acredito que em maio não vou mais querer ler o mesmo livro que desejo hoje. Além disso, parece muito aterrorizante ter um plano para um ano inteiro, logo eu, que sempre faço tudo pra ontem. Porém, observando, vi que as metas são comuns entre os leitores e existem alguns livros imensos que eu sempre tenho vontade de ler, mas me dá uma preguiçona de começar! Resolvi juntar essas minhas querências literárias com o blog e ver se, de uma vez por todas, consigo colocar em ordem algumas leituras!


Diários de Leitura:





Dois livros que eu estou absurdamente desejando ler são Amor e Capital, uma biografia do Karl Marx e Os Maias, do Eça de Queirós. A dificuldade que eu encontro está relacionada com o tamanho de ambos. São imensos! Não são os tipos de livros que posso colocar na mochila e ler no ônibus até a USP (não mesmo!). Essa impossibilidade de ler na rua sempre me fazia desistir dos livros, então decidi ler durante o ano, sem pressa, sem culpas e ver no que vai dar!



Eu adoro Biografias, porém, elas não são as minhas leituras mais fáceis, uma vez que esse gênero não costuma prender muito o leitor. Sempre penso que não vai ter nenhuma reviravolta no meio do livro que me fará querer saber o final desesperadamente e isso me desanima. Aliás, geralmente nós sabemos o final, pois quase sempre o retratado é um querido nosso e temos uma noção, nem que seja vaga, do que acontecerá com ele.

Amor e Capital é uma biografia do Karl Marx revolucionária, não só pelo protagonista, mas porque é a primeira obra que explora a família desse personagem famoso, a qual ficou apagada em todas as demais obras semelhantes. Porém, o livro tem 1000 PÁGINAS! Sério, eu não consigo compreender qual a necessidade! Para vencer essa morte lenta, pretendo dividir um pouco da leitura com vocês. A cada 200 páginas +- venho aqui e conto o que está acontecendo com ele, ok? Espero que vocês apoiem a ideia! (porque se vocês não me ajudarem, será um "pouquinho" difícil aguentar haha)





Essa minha edição de Os Maias é tão linda e maravilhosa e tudo nessa vida que merece muita atenção na leitura!  Ela é realmente tão perfeita que comprei uma igual pra minha sogra e dei de presente de Natal (e eu amo a minha sogra <3). Como é um livro grande, acho que vou fazer posts enquanto for lendo também, o que implica spoilers. Então, já fiquem avisados: vai ter spoiler em 2015, spoiler para caramba (mentira!). Também estou torcendo para vocês me acompanharem nessa empreitada sem fim (vocês não tem ideia de como é sofrido para mim planejar algo que demore um ano inteiro pra se realizar, sério! Não vou nem ficar pensando muito porque fico extremamente ansiosa!).







Harry Potter







Será que alguém no mundo que ama a Juliana Gervason não ficou com vontade de ler/reler a melhor série do mundo? A Ju superou o nível de minha booktuber preferida depois de iniciar a leitura de HP. Os vídeos dela atuais estão tão fascinados que eu não consigo me aguentar de ansiedade! Harry Potter é a minha infância, adolescência, meus momentos de solidão acompanhada e minha coleção é um dos meus bens preciosos. Não consigo imaginar como alguém não se apaixona por esse UNIVERSO criado pela J. K. Rowling. Ler agora me traz muito mais maturidade para analisar a obra e dividir isso com vocês, afinal não quero fazer resenhas simples iguais as outras 5000 em todas as línguas do mundo. A cada leitura vou tentar comentar algum detalhe peculiar e que havia passado desapercebido quando eu era criança. Essas postagens eu não preciso nem torcer, porque sei que vocês vão adorar!






*Como vocês sabem eu estou viajando com meu namorado hipopótamo lindo e estou em Ubatuba e em Paraty e em lugares felizes tomando sol e me divertindo! (espero que não esteja chovendo, por favorrr). Quando voltar vai ser meu aniversário, então deixem muitos muitos comentários sobre suas metas para 2015 e tudo mais o que vocês quiserem! Me sigam no Instagram, @nat_assarito  e vejam fotos da viagem e aproveitem o verão também <3

domingo, 18 de janeiro de 2015

Cantiga - Manuel Bandeira



Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia

Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d`alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz

Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

Manuel Bandeira


Quando vocês lerem isso, estarei na praia há um tempinho já! Apesar da foto roubada do WeHeartIt.com, ainda não chegou minha vez de ir à Bahia. Toda vez que eu penso no lugar que mais tenho vontade de conhecer no mundo todo é a Bahia, terra do meu pai e de sua família. Tanta coisa boa vem da Bahia, tanta poesia gostosa! Acho até difícil imaginar um local diferente da Bahia para ilustrar essa poesia. Porém, por enquanto, estou em Ubatuba e vou visitar PARATY (tô muuuito feliz, primeira vez que saio de São Paulo!!!). Enfim, para ver fotos e dicas da viagem, me acompanhem no Instagram, vou atualizar bastante lá! Já sabem, o usuário é @nat_assarito. <3

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Minhas 10 Melhores Leituras de 2014 e sugestões para vocês!

São meus 10 livros preferidos, mas só tenho 8 na foto porque outros 2 peguei na biblio haha


Se vocês leram meu post sobre as minhas leituras de 2014 saberão que eu li MUITA COISA BOA no ano passado! Pra falar a verdade, é muito difícil eu não gostar de um livro e, mesmo quando a obra não me agrada muito, tento levar em consideração o estilo do autor que pode não fazer meu estilo, mas não torna o livro ruim como um todo. Dos 45 livros do ano passado, não gostei de apenas 3 (que eu não vou falar quais são), o que torna as leituras bem produtivas como um todo.

Para montar essa seleção de apenas 10 títulos foi bem difícil, porque sempre fico com dó dos que não foram escolhidos (vergonha alheia hahaha). Tentei colocar livros que mudaram um pouquinho minha vida nesse ano e foram extremamente especiais (eles não são necessariamente lançamentos de 2014)! Indico as leituras para qualquer um, algumas são mais difíceis e pesadas, outras mais simples e leves. Elas abarcaram muito bem vários momentos e fases vividas por mim em 365 dias. Espero que vocês gostem!


(eles não estão em ordem de melhores ou piores, coloquei aleatoriamente para não ser injusta)







Olhai os lírios do campo. Esse foi o primeiro livro do Érico Veríssimo que eu li na vida e posso dizer que não podia começar melhor! O título por si só já é maravilhoso, mas a história consegue ser ainda mais cativante. O enredo gira em torno do amor de Olívia e Eugênio que se conhecem na faculdade de medicina nos anos 30. A história é cheia da idas e vidas, uma vez que Eugênio se coloca como uma pessoa extremamente ambiciosa e muitas de suas escolhas na vida são guiadas pelo dinheiro e interesse. A sinopse acaba lembrando muito Senhora, do José de Alencar, tirando a parte que Olhai os lírios do campo é um livro maravilhoso e Senhora é péssimo (na minha opinião, claro). Quem se interessar em ler, indico alguns lencinhos, porque são páginas super tristes!



Noite. Eu gostei tanto de Olhai os lírios do campo que resolvi passar horas na biblioteca lendo diversas obras do Erico Verissimo. Noite é um livro pra ler em uma sentada, mesmo (demorei algumas horas para terminar). Ele difere um pouco dos demais livros do autor, tendo um enredo bastante existencialista, lembrando muito Kafka. O protagonista, chamado de Desconhecido, está perdido em uma rua sem se lembrar absolutamente nada (seu nome, endereço, etc.), apenas sente uma culpa imensa por ter cometido algum crime que não se lembra. Durante toda a trama, que ocorre em uma noite, você passeia com o Desconhecido tentando entender o que está acontecendo - em alguns momentos ele não sabe nem ao certo quais são suas dúvidas. Noite é daquelas leituras para fazer nas entrelinhas e a maior parte da interpretação cabe ao leitor, ou seja, nunca duas pessoas lerão Noite da mesma maneira.



Dona Flor e Seus Dois Maridos.  Esse livro entrou em segundo lugar dos meus livros preferidos da vida (o primeiro é Dom Casmurro) de tão INCRÍVEL. Foi uma leitura arrastada porque eu simplesmente não queria que terminasse, uma vez que era emprestado da biblioteca (depois comprei um velhinho no sebo só pra não deixar de ter em casa <3). A história é completamente brasileira, eu conseguia sentir os sabores e cheiros da Bahia sem nunca ter chegado perto de lá, além de ser extremamente cômica e inteligente. Discute sobre o papel da mulher, os esteriótipos, sonhos e, principalmente, sobre libertação sexual. Não é à toa que o Jorge perdeu por pouco o Nobel de Literatura com a Dona Flor (merecia muito!). LEIAM ESSE LIVRO!!!



Remédio Forte. Já que estamos falando de Bahia, Remédio Forte foi mais que especial para mim em 2014. O autor, Gláuber Soares, também é meu tio. O livro é recheado de contos que conversam sobre a vida de um baiano paulistano que sente saudades de sua terra e divide com o leitor histórias de sua infância, mas ao mesmo tempo ama a loucura, a agitação e as desigualdades da cidade que o acolheu tão bem. Eu gosto muito do estilo de escrita porque é conciso, com frases curtas, repleto de pontos, sem muitas frescuras conectivas, o que torna o ar das narrativas ainda mais duro e seco (sério, eu amo esse estilo narrativo, quando eu escrevo sempre é assim também). Eu sei que é uma vergonha não ter escrito nenhuma resenha aqui ainda sobre o livro, mas ele me emociona demais, têm muitas passagens verídicas sobre a juventude do meu avô já falecido e a infância do meu pai. Tantas histórias de pessoas que nós amamos e achamos que conhecemos, mas, na verdade, não sabemos nada. Enfim, não consigo falar muito desse livro, já estou com aquele sentimento de dorzinha no peito. 



Tempo Bom, Tempo Ruim. Esse livro foi muito especial porque além de eu ter conhecido o Jean Wyllys no lançamento e ele ter sido extremamente gentil, o livro tem muito de antropologia (o Jean é antropólogo formado pela UERJ) e isso me fez entender melhor o meu curso de ciências sociais na prática. O livro é composto por algumas crônicas sobre a vida do autor, desde a infância até seus projetos e lutas como deputado federal. Além de todo teor intelectual, a vida de Jean é muito inspiradora, uma vez que ele nasceu em uma cidade miserável no interior da Bahia (com 1 televisão na cidade inteira) e conquistou muito na vida através do estudo e da força de vontade. Uma lição!





Ele Está de Volta.  Apesar de ser muito humor negro, não tem como não dar boas risadas com esse livro! Imagina se o Hitler acordasse hoje em um lixão de Berlim? O autor estudou muito sobre o protagonista e em vários momentos o leitor acredita que quem está realmente narrando o livro é o Hitler em pessoa. O choque do führer com o comportamento contemporâneo alemão é imenso, o que acaba satirizando preconceitos que muitos indivíduos têm ainda hoje (meio que dizendo que se o leitor se identifica com aquele pensamento, algo está seriamente errado com ele). Além de tudo, Ele Está de Volta é uma crítica muito grande à mídia moderna que dá atenção para toda e qualquer aberração que gere audiência.



O Menino dos Fantoches de Varsóvia.  Esse livro foi especial porque em junho/julho eu estava exausta de só ler textos e livros pesados e cansativos por causa da USP. As minhas leituras me exigiam tantos neurônios que eu não começava nenhum livro novo. Ir na livraria, me interessar pela sinopse e ler o livro marcou uma nova fase na minha vida porque me mostrou que é possível pegar romances atuais de escrita relativamente mais simples e se divertir. A história é sobre segunda guerra e eu adoro a maior parte de ficções com esse cenário. Posso afirmar com certeza que foram essas páginas que me deram vontade de investir tempo e dedicação ao blog, dividir minhas leituras com vocês e incentivar todo mundo a ler também. Ler deve ser diversão e não apenas uma obrigação chata de todos os dias.



O Mágico de Oz.  Essa história foi um amorzinho no meu ano <3 Eu nunca tinha tido contato com nada desse livro, apenas conhecia o nome alguns personagens e dizia que não gostava (tá vendo, nunca julguem antes de ler!). Foi uma surpresa MARAVILHOSA. O gênero do livro é infantojuvenil, porém, segue o mesmo estilo de O Pequeno Príncipe, ou seja, em cada fase da sua vida você descobrirá algo novo na história e fará sentido. A narrativa é muito doce e também me incentivou em vários aspectos. Ele mostra que os seus sonhos e os empecilhos são todos resultados de você! É você quem diz que não é capaz, mas foi você mesmo quem sonhou em conseguir aquilo. Eu sei que esse papo parece muito Flavia Melissa (aliás, eu amo essa mulher!), mas eu acredito realmente nisso e é sempre bom ter alguém para te lembrar que "tudo o que você imagina é real" (eu também amo o Picasso haha).



O Perfume - A história de um assassino.  Fiz a leitura desse livro para o Mês do Horror que rolou em outubro do ano passado. A narração é sobre Jean-Baptiste Grenouille, um psicopata fictício que viver na França do século XVIII. Desde criança, Jean-Baptiste possui um olfato prodigioso, conseguindo distinguir o cheiro de tudo que existe no mundo e permitisse que farejasse o que desejava há quilômetros de distância. A construção do personagem no livro é incrível, permitindo ao leitor conhecer tudo de Grenouille (o que não ocorre no filme). Você consegue adentrar plenamente o mundo de odores, sendo alguns maravilhosos e outros que me deram um princípio de náuseas. Ultimamente está bem difícil comprar esse livro e eu só encontrei essa versão pocket da foto que foi bem baratinha! O Perfume é uma boa dica para leitura de serial killers, reunindo bastante características de assassinos famosos.


O Iluminado.  Stephen King foi um autor que eu amei ter conhecido em 2014! Apesar de toda fama, nunca tinha me interessado em ler nada dele (ainda bem que teve Mês do Horror na minha vida!). Como eu nunca tinha lido nada do King, quis começar pelo classicão mesmo. Fiquei alucinada! O livro tem quase 500 páginas e eu li em 2 dias. Na verdade, não sei nem se me fez muito bem, porque eu não conseguia fazer absolutamente mais nada da minha vida antes de terminar a leitura. A história prende demais e não me deu nada de medo, ao contrário do que dizem. Quero ler muitos outros livros do autor em 2015, mas tô meio sem coragem de comprar por medo de ter minha vida paralisada outra vez! (sério, não dá pra dormir sem saber o que acontece na próxima página).



*Acho que todos vocês deveriam pelo menos ler um dos títulos dessa lista em 2015. Eles envolvem todos os gostos de leitores, afinal, como vocês perceberam, são sugestões com um pouquinho de romance, comédia, drama, não ficção, fantasia e terror (um dos 10 vai te agradar, não é possível! haha). Espero que vocês tenham gostado das dicas e leiam MUITO em 2015! <3 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Todas as Leituras de 2014 (lista completa) !



Foto para ilustrar a maravilhosidade de livros que eu li em 2014! *-*



Hoje o post é daquele jeitinho mais informal que vocês gostam! Vou listar para vocês todos os livros que eu li no ano passado (eles não são necessariamente lançamentos de 2014, apenas as leituras que realizei durante a última volta completa da Terra em torno do Sol), o que é ótimo porque vocês terão a relação completa de resenhas e poderão a evolução do blog ao longo desse ano. Desde 2008 eu costumo marcar todas as minhas leituras em forma de lista e, esse ano, arrumei um caderno super lindinho para deixar as leituras dos últimos 6 anos juntinhas - olhem o vídeo aqui embaixo!. Se vocês quiserem, depois posso fazer um texto explicando melhor sobre o caderno e a minha rotina de  organização. 






Em 2014 eu li um total de 45 livros e considero isso incrível em relação ao meu ritmo de leitura! Como vocês sabem, eu estudo praticamente em tempo integral e antes de cada aula tenho textos imensos para analisar e fichar, o que acaba consumindo a maior parte do meu tempo. Também gosto MUITO de clássicos e eles demandam uma certa quantidade de atenção e cuidado na leitura. Eu sei que têm pessoas que conseguem ler mais de 100 livros em um ano, mas, infelizmente, esse não é e dificilmente será meu perfil, então fico feliz e orgulhosa pela minha marca! 


Livros lidos em 2014 (na ordem em que as leituras foram efetuadas!)





Infelizmente, não tenho uma foto com todos os livros citados porque muitos peguei emprestados na biblioteca. Digo "infelizmente" apenas porque a foto ficaria legal aqui no blog, mas, no geral, eu amo livros de biblioteca. A maioria das leituras que fiz durante minha vida sempre foram assim, com prazo para devolução. Adoro passar horas nesse lugar mágico escolhendo o que levar pra casa e acredito que histórias devem ser lidas, não acumuladas. Muita coisa mudou em mim desde que comecei a escrever aqui, inclusive, em relação às minhas compras. Hoje em dia compro muito (quer dizer, nem tanto quanto queria), mas ainda sinto aquele desespero de querer ler logo e não deixar guardado na estante mofando. Se eu fosse uma autora iria querer que meu livro fosse apreciado, página por página, não adquirido porque "a capa é bonita" ou "a sinopse é legal", ficando, no final das contas, esquecido em um canto.

Como vocês puderam perceber, não fiz tantas resenhas quanto li. Em partes porque no começo tinha dificuldades gritantes para escrever esse tipo de texto (até hoje acho bem difícil) e porque nunca sei se vocês vão se interessar pelo título escolhido. Sinto que vocês preferem posts mais "diferentes" e eu também prefiro os escrever. Blogs só de resenhas existem muitos e eu ainda considero mais interessante dar dicas sobre editoras, locais para comprar livros mais em conta, eventos, etc! Porém, em 2015 quero fazer sim mais resenhas, até porque elas são um desafio pra mim e quero me aprimorar. Sempre.


Parte da minha coleção (coloquei no chão porque estava limpando as estantes)


*Me contem o que vocês acharam das minhas leituras e se querem resenhas de alguns dos livros que não foram deixados em destaque por mim durante o ano. Também estou curiosa para saber o que vocês leram, Um ótimo final de semana para todos, sejam felizes *-*

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba (Resenha)






                Para descontrair um pouco o clima pesado com a leitura de Estação Carandiru, ontem fui com o meu amor ao cinema assistir a sequência de das minhas comédias preferidas: Uma Noite no Museu 3 – O Segredo da Tumba. O filme estreou dia 1 e eu estava looouca para prestigiá-lo! Sábado tinha ido ao Bourbon Shopping e não havia sobrado sequer uma cadeira disponível. Tive que conter minha ansiedade um pouco e esperar para soltar minhas risadas.
                Se alguém não conseguiu ver os outros filmes da sequência, Larry (Ben Stiller), após muitos fracassos na vida assume o cargo de guarda noturno no Museu de História Natural de Nova Iorque. Logo na primeira noite de serviço, o vigia percebe que há algo de diferente naquele lugar: os personagens históricos, esculturas, animais e tudo que ali está exposto toma vida após a meia noite. E a diversão se concentra em torno disso, em diversas figuras históricas como o presidente dos Estados Unidos; Átila, o Uno; um Imperador Romano, homens das cavernas, um tiranossauro, entre outros, convivendo e se atrapalhando ao longo das madrugadas.
Toda essa magia é possível devido a uma placa encantada egípcia; contudo, no terceiro filme, ela está ameaçada, sofrendo corrosão e matando aos poucos todos os personagens não reais. Larry, então, buscando por respostas para salvar seus amigos, viaja até um museu em Londres visando conversar com um legítimo Faraó. Entretanto, ao chegar na Terra da Rainha, percebe que sua bagagem veio um pouco mais pesada, com maior parte dos bonecos enfeitiçados na mala. 
O enredo de Uma Noite no Museu 3 – O Segredo da Tumba é relativamente mais simples e mais leve em comparação aos outros filmes da sequência. O que eu mais gostei foi não ter nenhum super vilão, deixando mais a parte cômica em evidência e a participação mais que hilária do Hugh Jackman. Eu amo história, fazia tempos que um filme não me deixava tão feliz, não conseguia parar de rir!


Além de todos os motivos já citados, outro fator que deve te convencer a levantar o bumbum da cadeira agora e ir ao cinema é que, provavelmente, esse foi o último filme do grandioso Robin Willians. Confesso que fiquei até um pouco triste ao refletir sobre isso, mas, como a própria dedicatória, ao subir os créditos, afirmou: “a magia nunca termina”. Ele foi eternizado pelo cinema e espero que esteja em paz agora.

         Para ter um 2015 e uma vida mais harmonizada, feliz e leve, permita-se rir de algo aparentemente bobo. Entregue-se para aquilo que você ama e lembre-se que a felicidade também é uma bobeira!














 *Vocês já foram ao cinema assistir algum filme esse ano? Me deixem indicações de filmes para as férias! Tô tentando manter uma postagem de indicação a cada quarta-feira, então preciso assistir muitos *-*

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Estação Carandiru, de Drauzio Varella - Resenha





Minha última leitura de 2014 foi Estação Carandiru, livro primorosamente escrito pelo médico Dr. Drauzio Varella, o qual trabalhou a partir de 1989 com a prevenção da AIDS e tratamento dos doentes no, então, maior presídio da América Latina. Eu nasci e cresci na zona norte de São Paulo, sendo minha casa, a dos meus parentes e do meu namorado bem próximas ao local em que se localizava a Casa de Detenção. Apesar de ainda ser criança quando a penitenciária foi implodida, guardo algumas vagas lembranças e uma curiosidade latente sobre o que acontecia lá. Talvez seja minha alma de cientista social falando, mas o Carandiru chegou a abrigar mais de 7000 presos e não saber absolutamente nada sobre o universo, rotina e regras que norteavam a vida desses meus vizinhos me corroía por dentro. Consegui comprar meu livro em uma banquinha de usados da USP por apenas R$10 e logo comecei a leitura.





                Apesar de já ter assistido algumas vezes versões cortadas do filme na tevê, não recordava nada da história e até estranhava o fato de ser um médico o narrador. A estranheza foi boa porque me trouxe surpresas maravilhosas. Se eu fosse definir o livro em uma palavra, seria violento. Muitos trechos chegam a ser repugnantes, deixando-me de boca aberta.
                Varella inicia sua escrita descrevendo o ambiente do presídio e suas sensações ao também se ver privado da liberdade durante o trabalho. As condições sanitárias são o primeiro momento de choque. Torna-se quase impossível imaginar como um local que deveria educar um indivíduo para que ele pudesse viver em sociedade pode ser tão insalubre. Uso a palavra educar porque no decorrer das páginas percebemos que aqueles protagonistas nunca foram inseridos na sociedade, uma vez que já nasceram e foram criados em locais cuja realidade é completamente diferente do que costumamos nomear como a nossa. Aquela velha história que sempre ouvi nas músicas da RAP se confirma: quem não entra, sai da cadeia bandido.
                O presídio que deveria comportar menos de 4000 indivíduos era superlotado, tendo celas com mais de 20 pessoas que dormiam amontoadas. Tuberculosos não tinham assistência e transmitiam a doença para os demais, além de que, antes da chegada do médico com seu projeto, não havia nenhum programa de prevenção à AIDS, uma epidemia que se alastrava entre os detentos. As primeiras páginas despertam uma sensação de desespero e compaixão muito grandes, a qual, com o desenrolar da história, acaba se tornando um pouco contraditória.
                Varella percebeu que apenas palestras sobre AIDS não ajudariam na situação dos presos que morriam aos montes sem receber nenhum cuidado. Seria necessário uma equipe ambulatorial disposta e bem paga para aceitar trabalhar naquelas condições, o que era impossível, devido à ausência de verba do governo. Assim, o médico escolheu se voluntariar e exercer seu ofício sozinho, apenas com ajuda de seus assistentes detentos, correndo risco de contrair inúmeras doenças ou ter sua segurança e integridade física arriscadas.
“O impasse tinha duas soluções: parar de ir à cadeia ou encontrar um horário para atender os doentes, organizadamente. Prevaleceu a segunda alternativa. Aquele mundo havia entrado em mim, era tarde para fugir dele.” (P. 80)
                Em seu consultório, Dr. Drauzio se tornou amigo de muitos presos, curando inúmeros e ouvindo suas histórias de vida, cada uma transcrita em um capítulo,  os quais eram, muitas vezes, ditados pelos próprios detentos. A vida dos presos antes da Detenção e o estilo de vida fora das grades é outro motivo de choque para o leitor.
                Fiquei boquiaberta em observar como para muitos o crime é apenas um trabalho como qualquer outro e as armas um meio de produção. Enquanto são maridos e pais exemplares, alguns não hesitam em matar se acharem necessário, uma vez que essa é a maneira que encontraram para garantir uma vida “digna” para suas famílias. Tão estarrecedor quanto adentrar essa visão banal da vida é perceber que muitos jovens que cometiam furtos, pequenos assaltos ou tráfico de maconha eram jogados ( e ainda são nos presídios espalhados pelo Brasil) com indivíduos que cometeram crimes graves. É óbvio que essa convivência nunca seria benéfica, corrompendo aqueles que entraram com penas leves.
                As drogas se tornaram outro problema forte do Carandiru. A maior parcela dos presos era viciada e a cocaína injetável se tornou o maior fator transmissor de AIDS entre os detentos. Com as massivas campanhas de Varella contra o vírus da doença, os presos concluíram que era melhor deixar de aplicar cocaína na veia e substituí-la pelo crack. Obviamente, apesar de não ser essa a intenção do médico, o número de doentes decaiu drasticamente após a cocaína perder espaço.
                Um dos fatos que mais chamam atenção no livro é a exposição das regras criadas e obedecidas pelos próprios detentos dentro da Casa. Em resumo, o preso nunca poderia perder o respeito perante o resto da comunidade e, sendo assim, se alguém o desrespeitasse, era sua obrigação matá-lo. Essa pena arbitrária de morte é tão assustadora quanto os motivos que as originavam. Na maioria dos casos, dívidas de droga que dificilmente passavam dos R$30 era a principal razão dos crimes e essa lógica de respeito acabava complicando a ficha que quem havia cometido delitos leves, uma vez que a política de matar o morrer acabava aumentando o tempo de pena.
“Neste livro, procuro mostrar que a perda de liberdade e a restrição do espaço físico não conduzem à barbárie, ao contrário do que muitos pensam. Em cativeiro, os homens, como os demais grandes primatas (orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos), criam novas regras de comportamento com o objetivo de preservar a integridade do grupo. Esse processo adaptativo é regido por um código penal não escrito, como na tradição anglo-saxônica, cujas leis são aplicadas com extremo rigor:-Entre nós um crime jamais prescreve, doutor.” (P.10)
                Com toda certeza, o ápice do livro é a narração do Massacre ocorrido no dia 2 de outubro de 1992. Na Detenção estava rolando um campeonato de futebol entre os presos, evento comum e que gerou problemas. Porém, nesse dia fatídico uma briga boba tomou proporções maiores e desencadeou uma rebelião (não se sabe ao certo qual o motivo da confusão, algumas testemunhas afirmam que começou por causa de um espaço no varal). Como boa parte dos detentos não perceberam o que ocorria por estarem no jogo, não puderam tomar posição para se defenderem de uma provável invasão policial.
                O Choque (ROTA) chegou para “conter os ânimos” no meio da tarde, desrespeitou o diretor da Casa que tinha conseguido fazer com que os detentos entregassem as armas e passou por cima das bandeiras brancas exibidas pelos próprios presos, invadindo o pavilhão 9, onde ficavam os réus primários, ou seja, que foram presos pela primeira vez, e:
“-Um polícia abriu o guichêzinho da porta, enfiou uma metralhadora e gritou: Surpresa, chegou o diabo para carregar vocês para o inferno! Deu duas rajadas pra lá e pra cá. Encheu o barraco de fumaça, maior cheirão de pólvora. Só fui perceber que estava vivo quando senti um quente pingando nas costas. Era sangue, na hora até pensei que fosse meu. Olhei para os parceiros, tudo esfumaçado, furado de bala, pondo sangue pela boca. Morreram onze, escapei só eu, com um tiro de raspão no pescoço , e um companheiro da Cohab de Itaquera, ó, ileso, maior sorte.”
                Vamos dizer que eles fizeram isso em mais da metade das celas do pavilhão inteiro. A impressão que se tem é que eles queriam realmente fazer uma “limpeza”, afinal, o presídio estava lotado. O governador da época, Fleury, foi avisado antes da invasão e enquanto todas as mortes aconteciam, almoçava na tranquilidade de Sorocaba.
                O massacre ocorreu um dia antes da eleição para governador e o número “oficial” de mortos, 111 (o autor dá a entender que o número real de mortes foi muito maior, podendo ser constatado por uma simples caminhada no pavilhão esvaziado após o ocorrido), só foi divulgado 20 minutos antes do fechamento das urnas. O episódio é extremamente polêmico, uma vez que o médico apenas ouviu a versão dos presos, a qual é muito divergente das alegações dos policiais. Um dos maiores motivos de dissidências, por exemplo, são os presos alegarem que os cachorros do Choque os atacou, fato comprovado por exame de corpo de delito e negado pelos policiais.
                Assisti à uma entrevista do Fleury em que ele baseia sua argumentação em uma suposta falta de comunicação com o dirigente da operação e a necessidade de “conter vagabundos rebeldes”. Ainda que a rebelião não estivesse controlada antes da invasão, cabe a reflexão de quais os motivos levavam os presos a agirem com tamanha violência: a falta de estrutura do sistema carcerário? Nascerem com o título de marginais e nunca terem oportunidade de quebrar com essa expectativa? Presos não terem a menor possibilidade de reincorporação social? Se a invasão não foi culpa do governador que tranquilamente fazia sua refeição acompanhado da família, todas essas indagações são.
                As perguntas geradas pela leitura são respondidas por um círculo vicioso de violência: nascer em um ambiente violento, crescer estigmatizado pela violência, ser preso e adentrar um ambiente que consegue ser ainda mais violento que o mundo a que estão acostumados. No começo eu fiquei em uma neurose muito grande e com muito medo de sair na rua devido à normalidade de situações traumáticas por parte dos “bandidos” (coloco entre aspas porque o própriogovernador que trata os presos como lixo, também foi denunciado envolvido emesquema de corrupção, ou seja, também é um bandido).  A contradição de sentimentos que citei acima se deve à esse fator: ao mesmo tempo que me sentia desesperada com a situação precária dos detentos, a grande maioria dos mesmos não pensaria duas vezes antes de me assaltar ou matar alguém da minha família se achasse necessário.
                O foco da leitura, então, não se deve concentrar entre quem é o bandido e quem é o mocinho, pois todos são os mesmos.  Consequentemente, revela-se importante, acima de tudo, compreender qual a nossa falha (sim, de todos nós brasileiros) que faz com que alguns sejam durante toda a vida mocinhos, enquanto outros nascerão e morrerão bandidos.




Faixa exposta pelos detentos após o massacre


* Como vocês puderam perceber, adorei a leitura e o tema, o que acabou refletindo um pouquinho no tamanho da resenha! Tentei escrever da forma mais didática e leve possível, porque como estou acostumada com textos com uma pegada um pouco mais sociológica, tenho que me policiar sempre para explicar de maneira clara. Vou deixar alguns links de reportagens que me ajudaram a entender tudo o que aconteceu (até mesmo após a implosão do presídio). Se você não quiser/puder ler o livro, indico o filme Carandiru do diretor Hector Babenco (tem no Netflix <3) que é bem fiel a história, apenas juntando em alguns personagens vários detentos reais. Ouçam e assistam ao clipe dos Racionais gravado dentro do Carandiru em atividade, ele expõe bastante a rotina e pensamentos os detentos. Por fim, como sempre,me  deixem comentários sobre o livro ou o meu texto, adoro saber o que vocês acham! <3




domingo, 4 de janeiro de 2015

Esperança - Mário Quintana





Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mário Quintana


*Meus amores, como está sendo o 2015 de vocês? Me contem, quero saber tudo! Fiquem ligados essa semana no blog, vou soltar diversos posts com novidades! Vocês vão adorar *-*