quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Soneto de quarta-feira de cinzas - Vinícius de Moraes




Por seres quem me foste, grave e pura 
Em tão doce surpresa conquistada 
Por seres uma branca criatura 
De uma brancura de manhã raiada 


Por seres de uma rara formosura 
Malgrado a vida dura e atormentada 
Por seres mais que a simples aventura 
E menos que a constante namorada 

Porque te vi nascer de mim sozinha 
Como a noturna flor desabrochada 
A uma fala de amor, talvez perjura 

Por não te possuir, tendo-te minha 
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada 
Hei de lembrar-te sempre com ternura.


Vinícius de Moraes


*Não há nada que me lembre mais carnaval do que a morte do Vadinho em Dona Flor e Seus Dois Maridos (calma, não é spoiller, isso ocorre logo no início do livro). Porém, como nós todos aproveitamos nossos dias de folga, seja caindo na folia ou descansando bastante, resolvi colocar uma poesia para nos despedirmos e lavarmos a alma, assim como em toda quarta-feira de cinzas. 

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