domingo, 29 de março de 2015

Poesia em imagem: a poesia concreta de Arnaldo Antunes



Sabe aquelas imagens que circulam as redes sociais misturando poesia, caligrafia e formas geométricas?  Essa é uma variação contemporânea da poesia concreta que surgiu em 1952 e que voltou ao ápice com o desenvolvimento dos recursos gráficos atuais. Como a característica principal dos poemas concretos é o enfoque no visual, ou seja, o desenho formado pelas palavras em detrimento de uma possível ordem dos versos, as poesias se tornam completamente interativas e atrativas ao leitor (e por isso explodem páginas no Facebook e perfis no Instagram que abarcam o tema).

Arnaldo Antunes, além de cantor é um grande poeta brasileiro, cuja obra está repleta de poemas concretos, sendo referência no país. Eu particularmente adoro seu trabalho e sempre fico babando nas poesias. Separei algumas imagens para nossa poesia de fim de domingo de hoje e espero que vocês também adorem <3







*Para conhecer mais da obra de Arnaldo Antunes:

Facebook: Arnaldo Antunes


sexta-feira, 27 de março de 2015

Cinderela - Resenha do filme mais esperado do ano!



Começo essa resenha com aquele sentimento maravilhoso de "Ai meu Deus, acabei de sair do filme mais legal do mundo inteeiro!". Sem exageros, eu não lembro de ter ficado tão tão tão feliz assistindo alguma coisa (e olha que ultimamente eu ando bem pra baixo). Vocês sabem o quanto eu amo tudo que a Disney produz, porém, dessa vez eles se superaram ainda mais (tudo bem, eu sempre penso isso)! Toda essa minha animação motiva do fato de que eu sempre crio as maiores expectativas e, pela primeira vez em toda história mundial, elas foram quebradas! Sem exagerar, os detalhes estão impecáveis. Os atores, completamente dentro dos personagens combinam entre si, a fotografia é maravilhosa, o figurino e os efeitos especiais são de tirar o fôlego... Por mim, vou ao cinema assistir mais umas dez vezes! <3




A maravilhosidade de tudo começa com o novo curta de Frozen, Febre Congelante, exibido antes do filme. É aniversário da princesa Anna e para compensar todo o tempo que passou se isolando para tentar controlar seus poderes, Elsa planeja um dia super especial e uma festa para a aniversariante. Porém, Elsa fica gripada! Eu achei o enredo do curta completamente sensacional, porque é completamente amarradinho com o filme. Se vocês lembram, parte da letra de Let It Go diz "the cold never bothered me anyway", o que significa algo como "o frio não vai mesmo me incomodar". Porém, "cold" em inglês, além de frio, significa resfriado. Dessa forma, Anna ficava o tempo inteiro fazendo trocadilhos mais ou menos como "Assuma, Elsa, o frio te pegou!", enquanto a irmã negava e revirava os olhos incomodada. Talvez para quem não entenda muito bem inglês a brincadeira do roteiro não fique clara (e é por isso que eu tô aqui, hehe), mas eu me diverti muito com a Anna "zoando" da cara da Elsa (e com o Olaf e os pequenos irmãozinhos do Olaf que surgiam toda vez que a Elsa espirrava!). Ai ai, como não amar Frozen? Minha choradeira começou com as irmãs cantando e permaneceu o resto da sessão (passo vergonha, mas faço o que quero! :P)






A primeira imagem do filme Cinderela é exatamente igual à primeira imagem do desenho da Disney: os passarinhos voando. Com essa abertura, podemos perceber o tom e o intuito de todo roteiro, ou seja, foi feito um grande esforço para que a história não fugisse do que vimos na animação. Entretanto, pelo fato de não ser uma película apenas para crianças, o filme é mais completo, contendo cenas com explicações necessárias para que os adultos se convençam que toda a história poderia realmente acontecer. 

Ella é uma criança proveniente de um lar abençoado, com pai e mãe extremamente bondosos e repletos de amor. Por conta disso, sua educação e personalidade se mantém fiéis ao princípio da família durante toda sua vida. À beira da morte, o último pedido de sua mãe é que ela se mantenha "corajosa e gentil", ingredientes indispensáveis para toda boa heroína. Anos após a morte da mãe, o pai decide continuar sua vida e encontra uma nova mulher, a madrasta má.

Após a chegada da madrasta e das irmãs Anastásia e Drisella (que não são nada feias, porém, bregas demais), a vida da família antes recatada, se torna repleta de festas e badalações. Depois de um tempo do casamento, chega o dia em que o pai vai viajar, adoece e não volta mais. Como uma forma de contenção de gastos e para espantar a tristeza do luto, Ella assume todos os serviços de casa e passa a ser a criada da propriedade, sofrendo todos os tipos de abusos imagináveis.





Meu momento de sinceridade desse post começa comigo admitindo que a Cinderela nunca foi minha princesa preferida. Pra falar a verdade, sempre achei ela bem trouxa (deixando claro que uma princesa da Disney trouxa continua sendo mais legal do que todo o resto da humanidade!). Eu nunca entendi direito o motivo dela aceitar ser feita de palhaça pela madrasta. Nesse filme, a explicação dada foi que a protagonista se submetia às humilhações para preservar o espírito da casa e a memória dos pais que foram tão felizes ali.  Apesar da argumentação não ser totalmente convincente pra mim, achei bem bonito esse respeito e carinho com os pais, algo que exemplifica bem o nível de bondade da personagem.






Apesar da gentileza, Cinderela tem plena consciência que é feita de boba e às vezes sai para espairecer. Em um desses passeios, ao defender um alce em uma caçada (linda! <3), conhece o Príncipe, o qual se apresenta apenas como Kit. A maneira com que o personagem masculino é conduzido é incrível, uma vez que o príncipe faz questão de deixar bem claro que o casamento entre os dois só aconteceria com o consentimento da moça (apesar de um alto nobre da época ter o direito de se casar com quem bem entender, a mulher querendo ou não). Li alguns comentários dizendo que isso seria apenas uma reprodução dos tempos politicamente corretos, porém, avalio que a postura de empoderamento da mulher nesse caso é importantíssima, afinal, milhares de crianças assistirão e desde cedo vão entender que a mulher deve fazer o que ela quer! É muito bonito ver a Disney contribuindo para a mudança dos tempos e das gerações (algo que não aconteceu na minha!).





Todos nós sabemos o final da história... Talvez eu me recuse a crescer, porém me identifiquei com muitas partes do filme, como, por exemplo, acreditar no poder da magia (que eu chamo de universo hehe) . Além disso, algo que é constantemente debatido é a noção de que não é porque algo acontece de uma determinada forma que deveria ser assim. Fiquei muito tempo pensando que a Cinderela poderia ser facilmente uma cientista social e desejei por muito tempo morar no filme hahaha <3

Contudo, a questão realmente central é sobre aceitação A protagonista aceita ser feita de boba para defender sua casa e o seu amor pelos pais. Quando todos (inclusive eu, como disse anteriormente) esperam que ela se revolte e quebre a cara de todo mundo, ela continua firme e forte - corajosa. Vocês me chamam de Cinderela? Ok, eu sou Cinderela Não é porque o mundo age de uma determinada maneira e cria expectativas acerca da sua vida, que você precisa ser daquele jeito. !

No final das contas, a máxima de bondade e coragem é assumir e aceitar quem você é, suas fraquezas e qualidades, seguir sempre seu coração. Não por um príncipe, mas pelo reconhecimento de que você é exatamente a melhor pessoa que poderia ser e está no melhor lugar que poderia estar. Não é porque o mundo é doente que você precisa ser também.



Bibidi Bobidi Boo

*Antes de ir ao cinema estava pensando em fazer essa publicação comparando o conto original com a adaptação da Disney. Porém, depois, pensei "que se dane! Esse filme merece todo destaque do mundo". Porém, ainda vou escrever sobre a comparação, me cobrem se eu esquecer! hahaha Os gifs foram retirados do Google mesmo com a pesquisa "Cinderella 2015 gifs", mas todos devem ser do BuzzFeed, porque tudo na Internet é de lá hehe! Comentem muito sobre a experiência de vocês assistindo, as expectativas e sobre a resenha! <3



segunda-feira, 23 de março de 2015

TAG: Café com sabor de livros!

Imagem retirada do WeHeartIt.com


A Kelly do blog Aventuras da Leitura me marcou lá no Instagram para responder a tag "Café com Sabor de Livros" e como eu estava com saudades de postar tags no blog, resolvi escrever por aqui mesmo. Achei super curioso e engraçado responder exatamente essas questões porque um dos meus maiores segredos da vida toda é que eu nunca tomei café. Sim, é extremamente bizarro uma leitura e graduanda de ciências sociais nunca ter tomado café, porém, só o cheiro me enjoa (e há quem diga que o cheiro do café é melhor que o gosto). Entretanto, como a TAG é super completa e autoexplicativa, consegui responder todas as perguntas e até imaginar o gostinho que cada tipo de café deve ter haha Espero que vocês gostem das minhas respostas <3




  1. Café expresso: um livro que você esteja lendo atualmente.

Ensaio Sobre a Dádiva, de Marcel Mauss. Estou lendo esse livro porque está no meu programa da USP em antropologia e, apesar de ser uma leitura para antropologia, estou adorando (eu nunca gosto nem um pouquinho das leituras/filmes/aula/tudo de antropologia hahaha)! No livro o autor mostra como alguns nativos indígenas de diversos lugares do mundo trocam dádivas (que são presentes). Essas dádivas muitas vezes extrapolam o limite do agrado e da gentileza e se tornam fortes obrigações culturais a serem seguidas (e, principalmente, retribuídas). Eu sempre achei isso uma grande besteira e nunca entendia o sentido de ter que aprender esse tipo de coisa, até que um amigo da faculdade olhou pra minha cara e disse "Natália, isso é o Natal!". Siiiim, é exatamente igual o Natal. No final das contas, todos nós somos índios e por mais diferentes que sejamos, acabamos sendo iguais. Eu tô apaixonada <3

2. Cappuccino: um livro romântico, mas sem muito "mimimi". 

Olhai os Lírios do Campo, de Èrico Veríssimo. Esse é o meu terceiro livro preferido da vida inteira e provavelmente já o mencionei em alguma TAG. É muito difícil encontrar um romance que não seja cheio de frescura, sejamos sinceros. Talvez o final dessa história de Érico Veríssimo seja um grande dramalhão, mas eu gosto como todo o enredo é uma história de amor, mesmo sem ser. Os protagonistas se amam, mas não passam toda a história juntos e mesmo com as separações continuam vivendo e realizando feitos extraordinários em suas vidas. Talvez seja exatamente isso uma história de amor: viver apesar de. Com certeza se tivesse esse livro em casa o leria agora mesmo! Acho que estou precisando hahaha Por favor, me indiquem mais livros desse estilo, ok? Vamos todos juntos morrer de amor e continuar vivendo.



3. Frappuccino: um livro ideal para ser lido no verão

Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellara. Já fiz uma resenha imensa e cheia de amor sobre esse livro. Sério, esse é o YA da minha vida e eu nem gosto de YA. Acredito que no verão devemos fazer leituras leves e relaxantes, uma vez que estamos de férias. Li Cartas de Amor aos Mortos na praia e foi uma delícia! A história não se passa na praia e nem nada (se você quiser algo praiano, leia A Última Música do Nicholas Sparks - tô roubando indicando dois livros, mas fazer o que hahaha), entretanto a escrita da autora flui tão bem que acaba tendo tudo a ver com o verão! Ai, não sei quem eu quero enrolar: não precisa ser verão pra você ler Carta de Amor aos Mortos, só leia e pronto! hehe




4. Café curto: um livro que você leu e acha muito forte

A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Eu poderia citar infinitos livros aqui porque dramas e livros pesados são meu estilo de leitura preferido. Na verdade, fiquei um tempão pensando, até que me lembrei da experiência de leitura de A Paixão Segundo G.H.. Clarice sempre tem a capacidade de fazer você entrar dentro de você mesmo, olhar tudo lá dentro e querer arrancar fora as suas entranhas. São sentimentos tão densos que podem ser resumidos por: "Meu Deus, eu sou essa mulher. Não, acho que eu sou a barata. Eu não sei o que eu sou! Eu não sou nada, minha vida é uma farsa e eu quero morrer". Por mais que saber da história triste dos outros doa, sempre o que dói mais está dentro de nós. E é por isso que Clarice é maravilhosa e horrível ao mesmo tempo. Desculpem-me os gregos, mas nem sempre eu quero saber quem sou eu. 



5. Café longo: um infantil que você goste muito

O Gênio do Crime, de J.C. Marinho Silva. Infanto-juvenil conta como infantil (sempre me perco com essas coisas!)? O que importa é que eu estava no auge dos meus 9 anos quando li O Gênio do Crime e adorei! O enredo se concentra em torno de um grupo de amigos que tentam desvendar o crime do ladrão de figurinhas! hahaha é muito divertido e bonitinho <3 Morro de vontade de reler. Outro detalhe que me faz amar o livro: era a história preferida do meu papai quando era criança. Ou seja, amor de família! Com certeza lerei para os meus babys um dia!







6. Café Macchiato: um livro que te deixou apaixonado pelo protagonista

Vinicius de Moraes - Nova Antologia Poética. Ok, eu estou roubando de novo. Mas, o fato é que eu nunca me apaixonei por nenhum protagonista de nenhum livro, porque sempre que eu gosto muito de um casal, quero que o cara fique com a mocinha e não comigo (hahaha, isso que é honestidade e fidelidade!)! Se abstrairmos um pouco, vamos perceber que o protagonista da poesia é o eu-lírico. E EU SOU APAIXONADA POR ESSE EU LÍRICO! Não significa que esse homem seja o Vinícius de Moraes, mas eu queria ser a musa de uma dessas poesias (hahahaha, ai meu Deus!). Eu acho que estou começando a ficar com vergonha de tudo isso, porém, escrevam poesias para os seus amores! Sério, sempre. 





7. Café Mocha: o livro ideal para se ler antes de dormir

Til, de José de Alencar. Imagino que não tenha sobrado nada para eu dizer que os convença mais ainda que eu ODEIO José de Alencar. Desculpem, eu tentei (lendo diversos livros dele), mas não dá. Entre todos os que eu li, Til consegue ser o mais chato em um milhão de anos! TE-NE-BRO-SO (porém, me fez passar na Fuvest e é isso que importa. Então, se você tiver que ler esse livro pro vestibular, leia e sem fazer cara feia!). A primeira vez que eu tentei, não consegui de jeito nenhum digerir a história e decidi assistir a peça de teatro. Resumo: também odiei. Tive que tomar coragem e ler página por página mesmo. Pra vocês terem uma ideia de como não gostei, lembro de cada palavrinha escrita. Logo, se vocês estiverem com insônia, tentem ler Til que vocês desmaiam rapidinho hehe. 



8. Café coado: um livro que combine com todos os momentos

O Presente do Meu Grande Amor. Pra quem não conhece, esse livro é uma seleção que a Editora Intrínseca fez de contos de autores estrangeiros famosos sobre o Natal e as outras festas de fim de ano. Não, eu não estou louca de sugerir um livro de Natal pro ano todo. Talvez seja só eu, mas eu queria o espírito dos últimos dias em todos os dias do ano. O amor, a amizade e a família devem ser sempre celebrados. Eu não gosto nem um pouquinho dessa obrigação de demonstrar nossos sentimentos apenas em datas especiais. Nossos laços devem ser cuidados diariamente e é por isso que O Presente do Meu Grande Amor é uma celebração para qualquer momento <3





*Será que eu viajei muito nas respostas? Eu adoro responder TAGs, sempre me marquem, por favor haha Me digam aqui embaixo o que acharam das minhas indicações. Ah, não esqueçam de me seguir aqui no blog para sempre receberem meus posts e no meu Instagram (@nat_assarito), muitas coisas mágicas acontecem por lá <3 Uma semana linda para todos vocês!


domingo, 22 de março de 2015

Hoje eu chorei com o caminhão de gás - Tati Bernardi

Imagem retirada do WeHeartIt.com


A primeira coisa que eu vi quando abri os olhos foi a minha cachorrinha me espiando triste do corredor, eram quatro da manhã e eu já sabia que não iria dormir mais. Meu sono é interrompido de duas em duas horas por um pânico horrível que paralisa meus órgãos e só deixa viva a bile que toma todo o meu corpo e me faz querer vomitar até virar do avesso. Eu arregalo os olhos para o teto, fecho minhas mãos com uma força que quase faz com que minhas unhas cortem minhas palmas e deixo a onda da dor vir, ela me sacode inteira, me joga numa profundidade sem som e me afoga por completo. Abro as janelas porque preciso de ar, mas nunca tem ar para meu pulmão afogado. Coloco o santinho que meu avô me deu no peito e peço a ele: você já morreu por amor, não deixe acontecer o mesmo comigo.


Amar dói tanto que você volta a lembrar que existe algo maior, você se lembra de Deus, você se lembra de vida após a morte. Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria. Você apela pra todo e qualquer santo, pra cartomante, pra ex-namorado, pra tarólogo, astrólogo, psicólogo, numerólogo, amigo e apela até pra inimigo. Qualquer um, pelo amor de Deus, tire essa dor de mim.

Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então? Minha cama me lembra você, minha cachorra me lembra você, beber água me lembra você, viver me lembra você. Vou me levantar agora e ir para onde? Tomar banho? Tomar café? Não tenho nenhuma vontade de existência, seja de vaidade ou gula. Só quero ficar deitada, mas ficar deitada também dói. O mundo não tem posição confortável pra mim, aonde vou, essa merda de dor horrível vai junto.

Chorar não adianta, eu seco de tanto chorar e não passa. Ver TV, falar ao telefone, dançar, gritar, escrever, abraçar minha mãe, tomar suco de manga… nada adianta. Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar.

É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim.

Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto. Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim, eu imploro pra que pelo menos esse amor que eu sinto por você não me deixe, pelo menos ele, ainda que insuportável, não desista.

Minha cachorra pede um biscoitinho, aí eu choro porque eu lembro que você adorava dar biscoitinho para ela. Está sol, e eu choro porque você ficava feliz com o sol e você feliz era tão perfeito que eu tinha medo. Aí eu vou escovar meus dentes e choro porque você tirava sarro da minha escova elétrica, depois eu faço xixi e choro porque a gente tinha liberado o xixi de portas abertas. Eu abro o guarda-roupas e choro porque eu não quero ficar bonita, eu não quero dar a volta por cima, eu não quero ficar bem pra você ver que eu estou bem e quem sabe ter saudades. Choro porque acho ridículo os jogos da vida, qualquer coisa é ridícula perto desse amor que é tão simples e óbvio.

Quando finalmente eu consigo me arrumar em meio a esse rio de lágrimas, eu choro porque o caminhão do gás passou e aquela musiquinha idiota, mais algumas crianças berrando na quadra lá embaixo e mais dois passarinhos cantando na minha janela, me lembram que a rotina, a alegria e a pureza ainda existem, apesar de você não estar mais aqui.

Nada, nada aconteceu para o mundo. E eu me sinto minúscula e sozinha por não ter a cumplicidade da vida lá fora, por não ter um minuto de silêncio pela nossa morte, por ter que sentir tudo isso sozinha, entre escovas de dentes, xixis e roupas dobradas e cheirosas. Odeio a ordem de tudo, odeio a funcionalidade de tudo, odeio que a TV ligue, que o telefone toque, que meu estômago peça comida, que japonesas riam fora de hora, que meu carro corra, que a bola quique duas vezes antes e, principalmente, que você, não muito longe daqui, sorria.

Dirijo até meu trabalho sem nada dentro de mim a não ser um monstro parasita que se alimenta do meu desespero, nenhum farelo de comida. Meu lado da frente está quase colando ao de trás, talvez na falta de você eu precise mesmo me juntar mais a mim mesma. Minha mesa está lá, meu lixo está lá, minha cadeira, a menina grande que fala igual a um homem, a gordinha solícita que não pára de me olhar até que eu olhe para ela, sorria e diga bom dia. Está tudo lá, mas você, mais uma vez, não está aqui.

Vou para o banheiro e choro, que novidade? Mas dessa vez porque me olho no espelho, e isso também me lembra você. Eu era sua, a sua menina, a sua criança, a sua mulher, a sua escritora predileta, a sua parceira de dar risada de programas estúpidos que passam de madrugada na TV, a sua namorada sensível que tinha medo de vomitar e de amar demais, assim como você. A sua melhor amiga pra sentar num banco de praça e falar mal de todo mundo, pra perder um trem na Itália e ainda por cima sentar num chiclete fresco ou pra cuidar do nosso porquinho de pelúcia. Eu era a mulher que encaixava a cabeça nas suas costas e sabia que tinha nascido a partir de você, eu era a mulher que esperava sofridamente você voltar mas nunca deixou de te amar mesmo quando você ia.

Todo mundo me fala que eu preciso ser minha, inclusive pra ser sua, mas eu não deixo de olhar para o espelho e ver uma metade de gente, uma metade de sonho, de sexo, de alegria e de futuro. Que se foda a auto-ajuda, que se fodam os livros com homens carecas, que se foda o terceiro olho (do cu?) e que se foda a psicologia: eu sou mesmo metade sem você e que se foda!

Se antes de você aparecer eu já te amava, eu já te esperava, eu já sabia que você existia, como eu posso não te amar agora que você tem forma, sorriso, coração e nome?

Tati Bernardi

sábado, 21 de março de 2015

Harry Potter: Oprah entrevista J.K. Rowling (vídeo completo)






Como vocês já sabem, reler a série Harry Potter é uma de minhas metas literárias para 2015! Eu sou apaixonada pelos livros e li um por um ao longo que foram lançados, lembro até hoje a emoção que era esperar pelo lançamento dos livros e pelas estreias do cinema lotaaadas (e que eu nunca conseguia entrar porque meus pais não eram os mais ligados nisso no mundo e não me compravam ingressos antecipados haha Talvez isso me faça um pouco velha, mas eu realmente acredito que crescer com o Harry, Rony e Hermione é algo para se exibir <3).

Estou terminando o terceiro livro (Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban) e vou postar todos os meses um comentário sobre um dos livros da série. Digo comentário porque não quero fazer mais uma das inúmeras resenhas espelhadas pela Internet e também porque minha leitura está focada em absorver outros detalhes e recursos estilísticos da autora. 

Sempre fico muito intrigada com a personalidade da J. K. Rowling. Todos nós, fãs, sabemos o quanto ela é fechada e como é raro encontrar uma entrevista dela. Porém, aparentemente, não há nada no mundo que a Oprah não resolva! Em uma das minhas madrugadas insones, achei uma entrevista completíssima da J. K. para um especial de último ano de programa da Oprah.

Fiquei muito emocionada, não sei nem explicar! A autora conta como era sua vida quando escreveu Harry Potter, as mudanças que foram ocorrendo com a fama, dramas familiares, enfim, tudo o que nós queremos saber. Além disso, a conversa é um choque de motivação, uma vez que tanto a Oprah quanto a J. K. foram muito pobres, passaram por situações horríveis na vida e agora são duas das mulheres mais poderosas do mundo (isso chega a ser engraçado em alguns pontos do diálogo hahaha)

Acho que não tem maneira mais maravilhosa de começar essa jornada do Aborto Literário do que postando o vídeo da entrevista! J. K. Rowling diz tantas e tantas e tantas coisas maravilhosas que a minha visão na leitura foi completamente diferente e tornou tudo um tanto quanto maduro. Imagino que Harry Potter faça sentido e ajude qualquer pessoa em qualquer fase da vida. Espero que vocês gostem e me acompanhem nesse mundo mágico e encantador e repleto de cerveja amanteigada <3



segunda-feira, 16 de março de 2015

Editora Rádio Londres, a nova parceira do Aborto Literário!

Hoje é um dia muito especial para o Aborto Literário: foi oficialmente fechada a primeira parceria do blog! No começo do mês a editora Rádio Londres entrou em contato comigo e eu fiquei incrivelmente encantada com a linha de publicações da marca e o que ela representará no mercado literário brasileiro. Eu, que nunca tinha ido atrás de nenhum tipo de parceria antes, não tive dúvidas em aceitar!

A Rádio Londres tem como proposta publicar autores estrangeiros de alta qualidade literária e de certa forma deixados de lado aqui no Brasil. Sabe quando você tá cansado de ler sempre as mesmas histórias e quer algo diferente, inteligente? É exatamente isso que eles trazem pra nós. Sinceramente, o catálogo deles é tão incrível que eu não sei nem o que escolher para contar pra vocês primeiro haha

Nunca fiz parceria antes porque acredito realmente que ela deve refletir os gostos literários do blogueiro e do público alvo do blog. Vejo muitos que são loucos para firmarem parcerias e ganharem diversos livros, mas se esquecem que é um trabalho sério de ambas as partes, do blogueiro e da editora. E a Rádio Londres me animou bastante, afinal, sempre quero trazer para os leitores do Aborto Literário livros que os tirem da zona de conforto e que façam pensar e refletir e encontrarem maneiras diversas de enxergar o mundo. E nada melhor do que conhecer novos autores, lugares e culturas para realizar tudo isso. 

Convido todos vocês a acompanharem o catálogo da editora e as redes sociais! Tudo está sendo construído aos poucos, porém com o maior carinho e comprometimento com o leitor. Espero que vocês gostem dos próximos posts e também me sigam pelo Instagram, @nat_assarito (lá sempre posto muito), na Página do Facebook (/AbortoLiterario) e aqui no blog!

Links da Rádio Londres:

Telefone: (21)2544-3092
E-mail: info@radiolondreseditores.com
Twitter: @radiolonlivros


domingo, 15 de março de 2015

Tabacaria - Álvaro de Campos

Imagem retirada do WeHeartIt.com

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.


Álvaro de Campos




*Álvaro de Campos é um dos mais famosos heterônimos de Fernando Pessoa. Esse é apenas um pequeno trecho do poema Tabacaria, o qual indico para todos. A foto representa a junção da estrofe com o mundo moderno e tudo o que fingimos ser, quando não somos. 

terça-feira, 10 de março de 2015

O Fingidor - Teatro




No último sábado, 7 de março, estreou no TUCARENA (um dos teatros da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ PUC-SP) a peça O Fingidor, inspirada na biografia e obra do poeta Fernando Pessoa, retratando os últimos dias de vidas do autor (sim, no plural). Fiz questão de garantir meu lugar na plateia logo na estreia, afinal, a junção de teatro com a existência de um escritor tão intrigante não poderia decepcionar. E não decepcionou. 


Foto de Lenise Pinheiro

O espetáculo realizado pela companhia teatral Arnesto nos Convidou está há 15 anos rodando o Brasil e já teve o texto adaptado para diversos idiomas. Voltou ao TUCA em temporada comemorativa (o teatro completa 50 anos em 2015) e está simplesmente imperdível!

Considero natural para todos aqueles que amam poesia sentir curiosidade acerca do temperamento de Fernando Pessoa. É incrível a junção de seus heterônimos e a maneira primorosa que cada um escrevia e possuía seu próprio estilo poético. Além de expor como os 3 "eus" principais de Pessoa (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis) atuavam em sua vida, a trama central da apresentação envolve o desenvolvimento de Jorge Madeira, outro de tantos personagens do autor.

Se você digitar no Google "O Fingidor Teatro" encontrará uma infinidade de informações que me deixaram estarrecida. São diversos prêmios em torno do mundo, livros publicados e até tese assinada em uma universidade da França. 

Obviamente não tenho qualificação para fazer uma grande crítica da peça, compartilho aqui porque ela me deixou feliz e não há crítica que se oponha à isso. Meu eu leitor e espectador saiu realizado daquela sala (assisti todo o espetáculo com um sorriso no rosto). Tirei meu livro de Poesias Completas do Alberto Caeiro da estante e não consigo parar de reler. Porém, o que me tocou mais foi o fato de a peça não ser apenas sobre poesia, mas ser puramente poesia.

As cenas e falas estão sempre relacionadas ao limite em que termina a poesia e começa a vida. Mas, na realidade, vida é poesia e poesia é vida. Tudo interligado da maneira mais linda que só a natureza sabe fazer. Fernando Pessoa e seus heterônimos são a expressão máxima dessa interligação. Nas crises que o poeta têm em cena percebemos que ele nunca deixou de ser ele mesmo por ser aqueles tantos outros homens. 

O Fingidor é sobre poesia, Fernando Pessoa, limites, auto aceitação e vida. Desses sonhos. E, talvez, da melancolia que a arte sempre traz. 





O Fingidor está em cartaz de 7 de março a 19 de abril (exceto dias 27, 28 e 29 de março) no Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 - São Paulo).

Sextas às 21:30h, sábados às 21h e domingos às 19h

O ingresso custa R$50 (estudante paga meia e aluno PUC só desembolsa R$10)

domingo, 8 de março de 2015

"Ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas" - Dia da Mulher com Frida Kahlo




"Eu costumava pensar que era a pessoa mais estranha do mundo do mundo, mas, pensei que há muita gente assim no mundo, tem que haver alguém como eu, que se sinta bizarra e danificada da mesma forma que eu me sinto. Eu a imagino e ela também deve estar por aí pensando em mim. Bem, eu espero que se você está por aí e lê isso, saibas que sim, é verdade, estou aqui, sou tão estranha como você." Frida Kahlo - me desculpem possíveis erros de tradução, meu espanhol não é dos melhores. 




A poesia de fim de domingo de hoje não é uma poesia, mas uma citação de uma das mulheres mais incríveis e que mais lutou pelas mulheres. Frida Kahlo é uma de minhas personalidades preferidas de todos os tempos. Nesse dia especial, quis deixar uma mensagem dela, que talvez não foi produzida nesse contexto, mas que se encaixa.

Em alguns momentos observo que principalmente a minha geração se acostumou a acreditar que homens e mulheres têm direitos iguais. Outra mulher ilustre, Chimamanda Ngozi Adichie, autora de livros como Sejamos Todas Feministas, Hibisco Roxo e Americanah, esclarece que quando se fala em direitos femininos existem diferenças entre racionalizar e sentir. Na Constituição meus direitos podem ser iguais aos de um homem, mas nas ruas não são.

Nós sentimos o que é sair nas ruas e sermos assediadas, sentimos medo de voltar para casa tarde (ainda que de taxi), vivemos um regime de toque de recolher ilegal. Nós sentimos salários menores para os mesmos cargos e sentimos que são sempre homens ocupando posições de lideranças. Nós sentimos o que são jornadas triplas ou quádruplas, quando somos mães, esposas, profissionais, donas de casa e sentimos que devemos nos acostumar a carregar o mundo nas costas porque essa é a alegria de ser "a mulher moderna e livre do século XXI".

Todas as vezes que penso como seria meu ideal de mulher moderna e livre do século, penso em uma mulher que vive da maneira que quiser. Tendo ou não filhos, casando ou não casando, cuidando da casa ou não, tendo direito de sair na hora que quiser e beber o quanto quiser e fazer com o próprio corpo o que quiser. 

Nós sentimos que na nossa cultura ainda não temos os mesmos direitos e o mesmo respeito dos homens. Escrevo isso porque quero que nos lembremos de como somos fortes e maioria, colocando todos os dias a cara a tapa e mudando o mundo. Feliz dia de luta, mulher (mãe, avó, hétero, LGBT, dona-de-casa, executiva, dançarina, escritora, leitora... todas nós). 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Quando eu quis ser cientista social




Como eu disse no post anterior, o Book Haul de fevereiro, voltei pra USP depois de longos dias de férias. Parece que foi ontem que eu entrei no prédio do meio pela primeira vez, sem ter a menor ideia do que me esperava, com todos meus medos e inseguranças. Voltar me fez ter mais certeza de como é gratificante estudar Ciências Sociais, apesar da dificuldade de arrumar emprego, apesar do curso ser extremamente cansativo, apesar da sociedade olhar para o nosso esforço com desprezo e normalmente ignorar tudo o que nós fazemos.

As vezes penso que alguns já nascem propícios a serem cientistas sociais e depois desenvolvem isso -ainda mais no nosso país. Tem gente que mora no Morumbi e não se incomoda de ter como vizinhos uma das maiores favelas do mundo, mas tem gente que se incomoda. Tem gente que não se incomoda com uma criança descalça pedindo dinheiro no farol, mas tem gente que se incomoda. Eu sempre me incomodei demais (mesmo não morando no Morumbi e com meu pai só comprando um carro depois dos meus treze anos). 

Eu nunca fui rica, principalmente na minha infância, quando muitas coisas faltavam em casa. Porém, muitas coisas faltavam porque minha mãe parou de trabalhar aos 24 anos, quando engravidou, para me educar. Meu pai e seu salário eram a única fonte de renda de casa. Eles sempre fizeram questão que eu estudasse em um colégio de primeira categoria. Muitos dias meu pai viveu com só um cachorro quente no estômago e deixou de pagar algumas contas para quitar a mensalidade do meu colégio.

Convivi com pessoas de uma classe social completamente diferente da minha e diversas vezes sofri com isso, como se fosse pecado não ter dinheiro. Claro que também fiz muitos amigos e encontrei pessoas e memórias que guardo para sempre. E, apesar dos muros do meu colégio serem alheios à realidade e aos jovens do Brasil, eu continuava me importando (mesmo em um ambiente em que a maioria, desculpem-me, não se incomoda).

Quando finalmente chegou a hora de escolher minha profissão, ficava inquieta tentando encontrar algo em que eu pudesse reverter os esforços dos meus pais pra sociedade. No início achei que o caminho seria o jornalismo, ideia que se mostrou errada e que me deixou em depressão profunda por um ano (pra mim é assustador não ter controle de tudo, ainda mais de qual profissão seguir aos 19 anos). 

Escolhi ciências sociais na maior incerteza. Hoje em dia ainda tenho minhas recaídas, principalmente em relação aos apesares descritos no primeiro parágrafo. Quando isso acontece, lembro de tudo o que meus pais abriram mão para que eu fosse alguém que pudesse transformar o mundo. E é incrível saber que mesmo no segundo ano de graduação, já mudei o mundo de muitas pessoas, principalmente o meu.

Já visitei um bairro que se localiza à menos de 30 minutos do centro de São Paulo (Jardim Pery) e nem rede de esgoto tem na maioria da casas. O rosto de gratidão por alguém da USP se preocupar com o bairro, sentar, conversar e anotar o que eles, moradores, pensam sobre como a cidade poderia ser melhor foi incrível. Em outra ocasião, visitei mulheres sem teto que moravam em uma ocupação irregular para compreender o que as colocou naquela situação e, consequentemente, como a cidade deve lidar com aquilo. Participei de Saraus de autores da periferia, conversei com veteranas dos porões da ditadura militar, com o prefeito, com o senador... 

O mito da educação no Brasil é totalmente inacreditável. O que me diferencia de um morador do Jardim Pery? A minha carteirinha da USP não prova nada, ela não me faz mais inteligente, aliás, estudo para ficar um pouco menos burra, apenas. É absurdo uma matrícula diferenciar quem "vence na vida" de quem é só mais um brasileiro esquecido. Educação não deveria ser um privilégio. E isso me incomoda. 

São mais de 100 páginas por aula e fichamentos e redações e cansaço e medo de nunca ter como se sustentar e comentários hostis de gente esnobe. Mas eu estudo hoje para que todo dia alguém, de qualquer classe social, em qualquer região do Brasil, possa estudar. E eu estudo e leio e escrevo no blog e luto para que, além de educação, cultura também não seja um privilégio. Moro na cidade mais cultural do Brasil, mas quantos paulistanos podem usufruir disso? 

Até o conceito de cultura é meio torto na nossa sociedade. Cultura é música clássica, são as exposições do MASP, mas cultura também é a arte da periferia, grafiti, RAP, funk. Não sei se vocês em algum momento pararam para pensar nisso, mas eu sempre penso. Eu sonho com uma São Paulo misturada, periferia e nobre, tudo junto, todos com os mesmos direitos. A cidade ocupada em todos os pedacinhos por todos os paulistanos e não uma São Paulo periférica e outra São Paulo classe média, média alta. 

Muitas vezes me perguntaram aqui ou no Instagram porque eu quis ser uma cientista social. Ficava elaborando respostas e respostas, mas nunca me dava por satisfeita. No final das contas, é algo bem simples. Eu quis ser cientista social porque eu me incomodo. E eu sei que parece algo abstrato, mas com o meu incômodo, eu mudo o mundo de muitas pessoas. E eu vou continuar todos os dias da minha vida mudando o mundo porque eu me incomodo. Então, eu quis ser cientista social porque o mundo precisa ser mudado e ponto final. 


E desde dessa foto já se passaram 1 ano e 8 kg (ganhos. 2kg eu já perdi, mas, nossa, como ser adulta dá fome!)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Livros de Fevereiro (Book Haul)!




Fevereiro foi um daqueles meses excepcionais em que eu não consigo me decidir se passou rápido ou devagar. Quando penso no geral, levo um daqueles sustos de "Daqui a pouco já é Páscoa e eu nem percebi que o Natal já foi", mas, quando avalio tudo o que fiz no mês... UFA! Ainda bem que estamos em março haha.

Foram dias espetaculares porque trouxeram tantas coisas boas para mim e o blog! Uma delas é que a partir do dia 28 de março vou começar a fazer um curso de História da Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Sempre tive o sonho de estudar história da arte e não consigo acreditar que tenho uma vaga para realizar esse sonho na Pinacoteca (é muito mais do que eu imaginei)! Tenho certeza que vou aprender muito e vocês, meus leitores, também, afinal, um dos posts mais vistos aqui no blog é sobre a pintora e maravilhosa, Frida Kahlo. Nossa, estou tão tão tão animada!

Mas, deixando de lado todo esse bla bla blá, o mês foi muito produtivo literariamente falando! Vocês sabem que eu não ligo para quantidade de livros lidos, mas pela qualidade dos mesmos e todos os quatro desse mês são incríveis, cada um com suas particularidades e estilo!

Dei sequência para minha meta de 2015 de reler Harry Potter, dessa vez notando as particularidades da escrita da autora e caçando os elementos que tornam a obra dela uma maravilha dos nossos tempos. Além de J.K. Rowling, li dois clássicos estrangeiros e uma das nossas obras primas nacionais. Pra ser bem sincera, se eu não tivesse decidido passar a última semana do mês focada nas leituras da USP, teria conseguido terminar até mais um!

Livros Lidos

  • Peter Pan - J. M. Barrie
  • Harry Potter e a Câmara Secreta - J. K. Rowling
  • O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë
  • Morte e Vida severina - João Cabral de Melo Neto


Outra parte maravilhosa do mês: não comprei nada! Ou seja, estou conseguindo ler os coitados que estavam encostados na estante em busca de atenção. Isso me deixa tão tão tão feliz. Afinal, como eu sempre digo: menos livros empilhados, mais histórias lidas!






*Em breve vou postar resenha de O Morro dos Ventos Uivantes. Mas, antes disso, quero saber o que vocês leram em fevereiro! Me contem aqui nos comentários <3

domingo, 1 de março de 2015

Garota de Ipanema - Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Imagem retirada do Google

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de lpanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor



Tom Jobim e Vinícius de Moraes






*Hoje é aniversário da cidade que eu mais tenho vontade de conhecer no mundo e, sendo assim, deixo aqui minha homenagem <3 Eu continuo sendo aquela garota que conhece pouco, mas sonha muito. E eu imagino o Rio e seus cariocas maravilhosos, como esses dois poetas excepcionais. Sonhos são feitos para serem realizados e eu espero em breve vivenciar esse também!