terça-feira, 10 de março de 2015

O Fingidor - Teatro




No último sábado, 7 de março, estreou no TUCARENA (um dos teatros da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ PUC-SP) a peça O Fingidor, inspirada na biografia e obra do poeta Fernando Pessoa, retratando os últimos dias de vidas do autor (sim, no plural). Fiz questão de garantir meu lugar na plateia logo na estreia, afinal, a junção de teatro com a existência de um escritor tão intrigante não poderia decepcionar. E não decepcionou. 


Foto de Lenise Pinheiro

O espetáculo realizado pela companhia teatral Arnesto nos Convidou está há 15 anos rodando o Brasil e já teve o texto adaptado para diversos idiomas. Voltou ao TUCA em temporada comemorativa (o teatro completa 50 anos em 2015) e está simplesmente imperdível!

Considero natural para todos aqueles que amam poesia sentir curiosidade acerca do temperamento de Fernando Pessoa. É incrível a junção de seus heterônimos e a maneira primorosa que cada um escrevia e possuía seu próprio estilo poético. Além de expor como os 3 "eus" principais de Pessoa (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis) atuavam em sua vida, a trama central da apresentação envolve o desenvolvimento de Jorge Madeira, outro de tantos personagens do autor.

Se você digitar no Google "O Fingidor Teatro" encontrará uma infinidade de informações que me deixaram estarrecida. São diversos prêmios em torno do mundo, livros publicados e até tese assinada em uma universidade da França. 

Obviamente não tenho qualificação para fazer uma grande crítica da peça, compartilho aqui porque ela me deixou feliz e não há crítica que se oponha à isso. Meu eu leitor e espectador saiu realizado daquela sala (assisti todo o espetáculo com um sorriso no rosto). Tirei meu livro de Poesias Completas do Alberto Caeiro da estante e não consigo parar de reler. Porém, o que me tocou mais foi o fato de a peça não ser apenas sobre poesia, mas ser puramente poesia.

As cenas e falas estão sempre relacionadas ao limite em que termina a poesia e começa a vida. Mas, na realidade, vida é poesia e poesia é vida. Tudo interligado da maneira mais linda que só a natureza sabe fazer. Fernando Pessoa e seus heterônimos são a expressão máxima dessa interligação. Nas crises que o poeta têm em cena percebemos que ele nunca deixou de ser ele mesmo por ser aqueles tantos outros homens. 

O Fingidor é sobre poesia, Fernando Pessoa, limites, auto aceitação e vida. Desses sonhos. E, talvez, da melancolia que a arte sempre traz. 





O Fingidor está em cartaz de 7 de março a 19 de abril (exceto dias 27, 28 e 29 de março) no Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 - São Paulo).

Sextas às 21:30h, sábados às 21h e domingos às 19h

O ingresso custa R$50 (estudante paga meia e aluno PUC só desembolsa R$10)

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