quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Paris for One - Jojo Moyes (Resenha)

Antes de mais nada, sei que vocês estão estranhando ver um livro da Jojo Moyes resenhado por aqui -eu também me estranhei ao comprá-lo, hehe. Meados do mês passado estava na Saraiva procurando livros em inglês que tivessem sido escritos há pouco tempo para praticar a leitura (e, cá entre nós, meu inglês não é a melhor coisa do mundo para começar me aventurando com Jane Austen no original). Se livros em português já são uma fortuna, importados geralmente são quase impo$$íveis de serem comprados. Porém, a livraria estava com uma mega promoção, então trouxe para casa "Paris for one", "Us", do David Nicholls (em uma edição maravilhoosa <3) e "Teus Pés Toco na Sombra", do Pablo Neruda (lançamento póstumo, bilíngue, íncrível), tudo por R$60. 

Comecei com "Paris for One" porque ele faz parte da série Quick Reads da Penguin, ou seja, apesar de serem 95 páginas, em uma sentada você consegue terminar a leitura. Por mais esquisito que pareça, gostei tanto, achei tão leve e bonitinho, que resolvi indicar e contar um pouquinho para vocês (afinal, não tem nada melhor que aprender um idioma de maneira relaxante -a gente sabe como pode ser um pouco torturante às vezes haha).

Nell é uma jovem inglesa super certinha e que de vez em quando deixa a vida passar por ela sem se agarrar muito aos momentos de prazer e lazer. Uma das suas maiores vontades da vida sempre foi visitar Paris, mas ela constantemente escolhe deixar esse desejo, super cabível para alguém que mora na Inglaterra, para depois, esperando uma oportunidade melhor, um dia melhor, um tempo melhor...

Em um determinado momento, junta toda a coragem possível, compra as passagens de trem e reserva o hotel em Paris, idealizando um fim-de-semana perfeito com o seu namorado, Pete. Porém, Pete é o maior cafajeste/trambiqueiro da vida e fica "preso no trabalho", pedindo que Nell vá na frente e dizendo que eles se encontrariam lá. Obviamente, ele nunca aparece.

Depois de toda essa frustração e do pânico de viajar sozinha, uma vez que ela é uma personagem super insegura, Nell ainda passa por uma série de dificuldades em relação à sua reserva no hotel. A sua decisão imediata é ficar trancada no quarto até o dia de voltar para casa, super confortável na sua zona de conforto e satisfeita em odiar sua sorte. Contudo, ela acaba achando um par de ingressos para uma mega exposição da Frida Kahlo (<3), sendo que após uma longa reflexão e conversa com a recepcionista do hotel, resolve se destrancar e ir viver Paris.

Por ser uma história YA, ou seja, de público jovem adulto, é claro que ela acaba conhecendo um carinha super legal, tendo romance, dando aquela vingada em relação ao namorado sem vergonha e tudo mais, mas, de verdade, gostei muito da reflexão que o livro traz. Me identifiquei em vários momentos com a Nell e tenho certeza que muitos de vocês também se identificarão. Quantas vezes a gente não acreditou na imagem que os outros têm de nós e decidimos agir exatamente igual como o esperado? Entretanto, infelizmente, o tempo, a vida, a juventude e as pessoas não esperam a gente se decidir. É incrivelmente difícil deixar a zona de conforto, mas, somente quando ela vai embora, é possível viver e se conhecer de verdade. Esse tem sido meu maior desafio e minha maior alegria em 2015.

A Nell me fez pensar tanto que me despertou esse desejo de compartilhar algo fora do usual com vocês. Vejo esse espaço não apenas como um lugar para se discutir livros, mas, antes de qualquer outra coisa, para despertar sentimentos bons em quem me lê. E tenho certeza que a Nell despertará em vocês também, assim como em mim (além, é claro, de dar um belo banho que vocabulário novo no seu cérebro -o inglês da autora é britânico, tendo algumas boas diferenças com o americano). 

Um comentário:

  1. Será que já tem ele em português?
    Consegui baixar em espanhol,vou ver se consigo ler...:)

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