quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Misery - Stephen King (Resenha)

Misery foi minha segunda leitura planejada para o "Mês do Horror" (as outras leituras programadas para esse ano estão aqui). Como sou toda ao contrário, estou me sentindo mais no clima de Halloween nessa semana do que no resto de outubro inteiro, hehe! Comecei lendo essa obra prima no início do mês, acabei deixando de lado e pegando novamente nos últimos dias. Terminei as quase 200 páginas que faltavam em menos de 48 horas, ou seja, ALERTA DE LIVRO INCRÍVEL!

Até agora Misery não saiu de dentro de mim. Eu, que nunca me impressiono, precisei fazer uma pausa pelo bem da minha sanidade mental. É uma história pesada e que causa aflição no leitor em diversos momentos. Porém, se tornou meu preferido do autor até agora (sim, ultrapassou O Iluminado! Nunca imaginei que isso aconteceria </3).

"Paul Sheldon é um famoso escritor que finalmente encontrou sua maior fã. Ela se chama Annie Wilkes, e é mais que uma leitora voraz: é a enfermeira de Paul, pois cuida dos ferimentos que ele sofreu em um grave acidente de carro. Mas Annie também é a carcereira de Paul, mantendo-o prisioneiro em sua casa isolada"

Como a própria sinopse diz, Paul Sheldon é um escritor reconhecido por publicar uma série best seller, Misery, cuja protagonista que dá nome aos livros é uma moça romântica do final do século XIX. Pelo que nos é informado, temos a impressão dos romances sobre Misery serem parecidos com aqueles que encontramos nas bancas de jornal aqui no Brasil, possuindo valor literário baixo, mas grande potencial de entretenimento e, por isso, conquistando milhares de fãs. Entretanto, Paul odeia Misery, comparando-se a um garoto de programa, uma vez que gostaria de se dedicar a livros melhores, mas não o faz por ser essa série que agrada ao público e mantém seu alto padrão de vida. 

Assim, após lançar vários volumes sobre Misery, Sheldon finalmente se liberta, dá um fim trágico à personagem e escreve algo que considera sua "obra prima", Carros Velozes, na qual a trama gira em torno de um ladrão de carros, um anti-herói moderno. Após a conclusão do manuscrito, o autor pega seu carro e decide viajar em encontro ao editor, mesmo estando bêbado, mesmo sem conseguir dirigir direito, mesmo com uma tempestade prevista. O resultado é fácil de imaginar: acidente gravíssimo, Agora, o que ninguém nunca chegaria a cogitar é que a Fã Número Um do escritor, Annie Wilkes, o encontraria e o manteria em cárcere privado. 


Annie é uma enfermeira aposentada, com um passado macabro e completamente alucinada pelas histórias de Misery. Ao voltar da cidade encontra o carro de Paul acidentado e logo reconhece seu ídolo. Decide, então, levá-lo até em casa e, assim, prestar o socorro mais adequado. Como uma tempestade estava chegando e o escritor estava muito debilitado, o ato de Annie seria completamente aceitável, não fosse por um detalhe: ela decide mantê-lo prisioneiro e nunca mais libertá-lo. 

Seu plano começa em torná-lo completamente dependente de um medicamento, o Novril (ela possui dezenas de caixas de remédios controlados em casa e não se sabe como, instigando ainda mais o mistério). Porém, tudo piora quando Annie chega ao final do último volume de Misery e percebe que sua protagonista amada está morta. Ela faz Sheldon queimar seu manuscrito de Carros Velozes, algo que causa uma dor imensa no escritor,e decide obrigá-lo a ressuscitar Misery,. Contudo, não se contenta com qualquer escrito, quer que Paul Sheldon escreva sua obra prima. Para demonstrar que não está de brincadeiras, muitas vezes convence Sheldon deixando-o sem Novril, sem comida ou até mesmo recorrendo ao auxílio de um machado. 

Os gifs que estão postados para ilustrar essa publicação são do filme "Louca Obsessão" (1990), baseado no livro e no qual Kathy Bates interpreta Annie de maneira tão incrível que ganha o Oscar de melhor atriz. Assisti o filme quando era bem pequena e lembro que fiquei transtornada por muito tempo. Além da atuação brilhante, King realmente escreve uma personagem de profundidade psicológica única. Nós conseguimos sentir a tensão de Sheldon nos momento em que ela mergulha em si mesma e apaga por alguns instantes. Parece que será em nós que ela vai descontar quando "acordar".

É a possibilidade de se colocar no lugar de Paul Sheldon que nos impede de largar o livro. Ele, com as pernas quebradas, preso a uma cama em uma casa desconhecida e isolada da cidade é tão incapaz de se defender de Annie quanto nós, leitores. E dentro dessa psicopata há tantas metáforas e lições duras e difíceis de acreditar. A prova disso é que em determinado ponto da história o prisioneiro resolve adiar sua fuga por concordar que precisa terminar essa última obra sobre Misery, pois ela se tornara infinitamente superior a Carros Velozes. 

Por fim, algo muito bacana é que King acaba escrevendo sobre escrever, ou seja, ensinando o leitor como é o trabalho de um escritor, pois muitas vezes temos a impressão que para ser um autor basta uma boa ideia e meia dúzia de adjetivos. Muito além disso, notamos que as estórias acabam trilhando seu próprio rumo e dependem de muito comprometimento, rotina e dedicação. Stephen King também conta bastidores de livros e personagens famosos, como a relação entre Sherlock Holmes e Arthur Conan Doyle, muito semelhante à de Misery e Paul Sheldon, na qual a criatura torna-se mais importante que o criador. 

Leiam Misery. Na minha singela opinião, livros e filmes de terror só são verdadeiramente assustadores quando se tratam de humanos. Humanos sem poderes sobrenaturais, humanos que são assombrados apenas por outros humanos. E Annie Wilkes é tenebrosamente humana. Ela é capaz de tirar nosso ar e nosso sono. Ir descobrindo seu passado junto com Sheldon significa temer pelo que está por vir. Posso dizer que até hoje foi a personagem fictícia que mais me assustou, porque acredito que todos nós temos um pouquinho de Annie em nosso anterior. Duvido que exista alguém que ao ler a última página não se questione se ela não tinha razão em determinadas indignações, apenas usou os métodos mais extremos e absurdos que possuía. Duvido que em algum momento ninguém teve vontade de agir um pouquinho como Annie Wilkes e botar fogo naquilo que nos causa dor, independentemente do que isso signifique para o outro. Annie Wilkes representa nossos desejos mais sombrios, aqueles que escondemos de todos por medo de deixarmos de ser amados, escancarados.



*Depois de ler Misery fiquei me sentindo muito mal e com a energia totalmente sugada. Por isso, decidi ler outros livros antes de Doutor Sono, não ficaria confortável em mergulhar em mais uma história com clima assustador. Parece que absorvi muito do que foi escrito, sabe? Não sei se aguentaria mais, haha. Porém, em breve lerei e com certeza postarei aqui a resenha, fiquem super tranquilos quanto a isso!

** Como vocês notaram, minhas postagens por aqui diminuíram. Estou passando por alguns momentos difíceis, então minha criatividade acaba indo lá pro chão (pasmem, as vezes nem vontade de ler tenho, o que impede minha produção de resenhas). Por isso, peço muito que vocês, que estão sendo durante todos esses anos uns lindos, sempre comentando e dando sugestões incríveis, continuem me incentivando! Curtam a página do facebook, comentem muuito nas resenhas, me sigam no Instagram (meu usuário é @nat_assarito) e no Snapchat (lá estou como nataliaassarito). O carinho de vocês faz MUITA diferença <3


4 comentários:

  1. Nat, adorei ler sua resenha, mas eu li esse livro e confesso que não gostei nada na época... Não sei se foi o momento que não era o certo e eu nunca tinha lido nada do King... ainda darei outra chance para ele depois da sua resenha tão empolgada... e força aí nas leituras. Beijos!

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    1. Lu, no começo eu achei um pouquinho parado, viu? Mas depois das 100 primeiras páginas não conseguia parar. Dê uma chance pro King, ele vai te conquistar, hehe. Beijos!

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  2. Na, não some desse jeito! Você escreve tão bem! Amo suas resenhas!
    Acredita que "Misery" é uma das minhas quatro leituras do momento? Mas estou tendo dificuldade para terminá-lo justamente pelo que você disse no post: o livro é muito pesado e angustiante. Não consigo ler muitas páginas sem ficar tensa :( Mas vou continuar firme com a leitura, nem que eu demore pra terminar!
    Adorei a resenha e o post ficou bacanérrimo!
    Adoro o filme e a atuação da Kathy! Ela se superou nesse filme!

    Bjosss

    http://bymiih.blogspot.com.br/

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    1. E aí, Mih, conseguiu terminar?! Fiquei curiosa pra saber sua opinião... Beijos!

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