quarta-feira, 27 de abril de 2016

Wishlist: Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura

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Instalou-se a histeria entre os blogueiros de literatura logo após a Folha anunciar sua nova coleção de livros. Eram muitos snaps e posts no Instagram especulando quais seriam os títulos e o preço a ser cobrado em cada volume. Cá entre nós, isso de influenciar o surgimento de cada vez mais leitores acaba aumentando também nossa lista de desejos e nos tornando os maiores consumidores das editoras (eu ainda vou falir, juro! hahah). Brincadeiras a parte, toda essa expectativa se deve ao fato da Folha saber, mais do que ninguém, como lançar coleções de qualidade em edições lindas. 

Os "Grandes Nomes da Literatura" são realmente autores pesadíssimos: Proust, Fitzgerald, Tolstói, Sylvia Plath, Machado de Assis... E, além desses, a coleção surpreende por trazer escritores não tão comuns e livros praticamente fora de catálogo, como "O Marido Dela", de Luigi Pirandello, "O Compromisso", de Herta Müller e "O crime do padre Amaro", de Eça de Queirós (mal posso esperar por esse <3).  Fica fácil perceber que a escolha dos títulos foi feita com bastante cuidado e atenção para realmente compilar todos esses gênios da literatura. 

Como já adquiri 3 livros, observei que a Folha comprou os direitos para publicação das melhores editoras que possuem os títulos no mercado. Por exemplo, A Fugitiva, de Proust, é o MESMO livro da Globo Livros, sendo que a diferença está na capa (todos os livros possuem capas duras com pinturas de Weberson Santiago), na diagramação e, principalmente, no preço. Cada volume custa R$19,90 (o valor pode variar em algumas localidades). 

Deem uma olhada nos títulos (vou opinar no que der, hehe):
  1.  A Fugitiva - Proust
  2.  O curioso caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald
  3.  Admirável mundo novo - Aldous Huxley (tenho e é ótimo)
  4.  A morte de Ivan Ilitch - Tolstói
  5.  Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector   (acho que já li e gostei muito!)
  6.  O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde    (tenho)
  7.  Memórias do subsolo - Dostoiévski
  8.  Retrato do artista quando jovem - James Joyce
  9.  O marido dela - Luigi Piradello
  10.  Mrs. Dalloway - Virginia Woolf      (tenho!)
  11.  Assassinatos na rua Morgue e outras histórias - Edgar Allan Poe
  12.  A obscena senhora D - Hilda Hilst      (quero mais que a vida!)
  13.  A metamorfose - Franz Kafka             (já li, não gosto de Kafka, sou a diferentona)
  14.  O compromisso - Herta Müller
  15.  Os sofrimentos do jovem Werther - Goethe
  16.  Malone morre - Samuel Beckett
  17.  Férias de Natal - W. Somerset Maugham
  18.  Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis   (tenho, livro lindo, LEIAM!)
  19.  O coração das trevas - Joseph Conrad
  20.  A invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares
  21.  O pai Goriot - Balzac
  22.  A redoma de vidro - Sylvia Plath           (quero mais que a vida 2!)
  23.  Fahrenheit 451 - Ray Bradbury             (essa história é demais, sério!)
  24.  Livro do desassossego - Fernando Pessoa
  25.  O americano tranquilo - Graham Greene
  26.  A cartuxa de Parma - Stendhal
  27.  Ódio, amizade, namoro, amor, casamento - Alice Munro
  28.  O crime do padre Amaro - Eça de Queirós      (quero mais que a vida 3!)

O que eu acho mais incrível dessas coleções é poder conhecer novos e excelente autores pagando pouco (nunca li nada da maioria e não tenho problema nenhum com isso, afinal, estamos na vida para aprender!). Cada domingo um volume é lançado nas bancas e dá pra comprar a coleção completa, lotes ou livros individuais pelo site da Folha (link aqui). Sinceramente, como já tenho alguns em meu acervo, acho besteira comprar a coleção completa, vou adquirir apenas os que ainda não possuo. Além disso, amo ir na banca toda semana e comprar um por vez, assim, quando o livro é pequeno consigo ler na própria semana enquanto o outro não sai (é um estímulo muito bom para lermos mais)! Contudo, é óbvio que nem todo mundo mora em cidade grande e algumas pessoas estão tendo dificuldades para encontrar os livros, então vale super a pena comprar pela internet.

A equação é simples, não tem nada melhor que livro bom, barato e bonito, hehe! 

*Vocês estão gostando da coleção, pretendem completá-la? Me digam aqui embaixo!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Galileu Galilei - Teatro


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Nesse mês tive a oportunidade de assistir a última apresentação de "Galileu Galilei" no Teatro Tuca em São Paulo, peça de Brecht com direção de Cibele Forjaz e atores consagrados como Denise Fraga e Ary França. Ao final da encenação, Denise pediu aos expectadores que continuassem com o "boca-a-boca", ou seja, fizessem sua propaganda da peça, pois é isso que atrai público e mantém tudo vivo. Como amei e sempre compartilho com vocês o que acho incrível, quebrei meu jejum de posts para falar sobre esse espetáculo que não abandona meus pensamentos.

"Infeliz a terra que precisa de heróis." A famosa citação de Brecht é carro-chefe do enredo da peça, cuja temática deixa de exaltar a figura de Galileu como herói e o caracteriza de maneira humana, repleto de defeitos e fraquezas. O cientista, famoso por afirmar que, ao contrário do que a Igreja Católica proclamava, a Terra não era o centro do universo e girava em torno do Sol, precisou abdicar de suas descobertas para não ser condenado pela Inquisição. Dessa maneira, o espetáculo traz para debate os limites da ciência, os quais envolvem a moral, a política e a economia. 

Por mais estranho que pareça, até hoje Galileu é considerado covarde por alguns. Entretanto, sua biografia comprova o quanto foi um homem a frente de seu tempo. Quando jovem, largou a Universidade e voltou depois de adulto como professor. Viveu em diversos locais da Itália em busca de mecenas, nunca abrindo mão de seus projetos. Justamente por isso, para não precisar poupar a humanidade de seus trabalhos, desistiu de combater a Igreja e pode, em sigilo, terminar um dos livros mais revolucionários da ciência, I DISCORSI.

Antes de Galileu, alguns cientistas haviam afirmado que a Terra girava em torno do Sol, sendo rapidamente condenados à fogueira. O processo de Galileu, contudo, durou mais de 10 anos, uma vez que ele havia "inventado" o telescópio e podia comprovar o que dizia... Bastava olhar através do aparelho e todas as respostas seriam exibidas. Porém, as pessoas se negavam a chegar perto do telescópio, em uma tentativa de não questionar o que já era dado pela moral. 

Esse é o momento mais bonito de todo o texto, na minha humilde opinião. Fiquei muito tempo pensando o quanto essa atitude arcaica se mantém ao longo dos séculos. Os indivíduos acreditam em ideias fixas e não ousam questioná-las. As verdades sempre são muito inabaláveis. Divaguei sobre a situação política do Brasil e como alguns setores preferem tapar os ouvidos para aqueles que gritam o óbvio. Senti tristeza e felicidade, tudo ao mesmo tempo. Até agora me arrepio relembrando. 

Galileu Galilei saiu de cartaz em São Paulo para ganhar o Brasil. Entre os dias 29/04 e 01/05 ficará em curtíssima temporada no teatro Unip, em Brasília. Deixarei todas as datas aqui embaixo. Não deixem de conferir! Juro que não fui só eu que amei, a peça fez o maior sucesso no Tuca e todos meus amigos e conhecidos que admiro intelectualmente foram. Façam esse favor a vocês mesmos e não deixem de conferir, hehe <3



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