terça-feira, 24 de maio de 2016

TAG: By the Book



Do fundo do meu coração: amo publicações e vídeos sobre TAGs! <3 Acho muito incrível poder acompanhar as respostas dos seus blogueiros preferidos e saber se elas batem ou não com a suas. Sempre que entro em contato com uma fico mentalmente tentando responder e imaginando se vocês curtiriam ou não minhas respostas. Por isso, hoje vim responder a TAG "By the Book!", traduzida pela Tati Feltrin (o vídeo dela tá aqui). Espero que vocês gostem.


1. Qual livro está na sua cabeceira?
É muito difícil que eu leia apenas um livro por vez, sempre faço várias leituras ao mesmo tempo e emendo um no outro. Porém, o que mais está me chamando atenção é A Vida Invisível de Eurídice Gusmão. Esse é o romance de estreia da autora, Martha Batalha, e já tem os direitos vendidos pro cinema. Na história, a escritora narra a vida das nossas avós e os tantos sonhos frustrados devido aos papéis de gênero do século passado. A leitura está mexendo muito comigo, as palavras da autora são de uma delicadeza e expressividade sem igual. De verdade, vai entrar facilmente para minha lista de livros preferidos da vida.




2. Qual foi o último livro realmente bom que você leu?
A Morte de Ivan Ilitch, do Tolstói. Esse é um daqueles livros soco no estômago total. Vamos dizer que nem é o meu melhor momento para realizar esse tipo de leitura, mas Tolstói sempre vale a pena. Nele, Ivan Ilitch é um burocrata bem sucedido que acaba morrendo após pegar uma doença misteriosa. O autor, então, passa a narrar os momentos de convalescença do protagonista, o qual rememora ao longo das páginas seus momentos de glória e de como viveu a melhor vida que alguém poderia ter vivido. Assim, somos fisgados pela narrativa e levados a refletir se os padrões e imposições sociais são realmente tudo aquilo que precisamos para ter felicidade.




3. Se você pudesse encontrar qualquer escritor/a, vivo/a ou morto/a, quem seria? E o que gostaria de perguntar a ele/ela?
Essa é em um milhão de anos a pergunta mais difícil da TAG. Se eu tivesse que escolher apenas um autor, teria que ser Machado de Assis. Cá entre nós, eu queria muito saber se ele realmente quis criar o mistério eterno de "Capitu traiu ou não Bentinho", porque sempre tive a impressão que a genialidade foi por acidente. Sei lá, fico imaginando que na cabeça dele estava bem claro se ela traiu ou não, mas isso não foi passado pro papel por algum motivo. Porém, se eu pudesse roubar um pouquinho, com certeza encontraria também o Jorge Amado e perguntaria qual o segredo para encontrar e viver um amor de uma vida toda, tão bonito, como o dele e o da Zélia Gattai (já escrevi sobre as cartas deles nesse post aqui). 



4. Um livro que ficaríamos surpresos de encontrar na sua estante?
Marley & Eu, do John Grogan. Gente, fazer o quê se o Marley é um lindo?! Se não me engano, já expliquei em alguma TAG que esse livro foi muito importante na minha adolescência. Li quando tinha 13 anos e além de reforçar meu amor pelos animais, o autor me fez querer MUITO ser jornalista. Eu amava os acontecimentos da vida dele e ficava sonhando poder viver situações parecidas quando fosse adulta. Como a vida é uma rasteira sem fim, não fiz jornalismo, mas pelo menos entendi que o meu caminho era humanas e nunca parei de escrever <3 Por falta de um, tenho dois Marley & Eu na estante, hehe.




5. Como você organiza sua biblioteca pessoal?
Então, logo que ganhei essa estante, todos os meus livros cabiam perfeitamente e a organização era maravilhosa. Na primeira fileira ficavam os livros da faculdade, na segunda, os poetas e todos os meus livros de literatura nacional, na terceira e quarta, literatura estrangeira e, na última, minhas coleções de arte. Porém, esse passado está bem distante da minha realidade atual, haha. Só os livros da faculdade já tomam praticamente a primeira e segunda fileiras inteiras e apenas faço questão de deixar eles todos juntos. Assim, todos os outros gêneros viraram uma mistureba. Além disso, meu número de volumes triplicou. então tenho livros colocados em todo e qualquer espaço que abra na minha casa #realidades.




6. Qual livro você já deveria ter lido?
Os Miseráveis, de Victor Hugo. Li as primeiras 300 páginas desse livro e simplesmente amei. Falando sério, vocês não fazem ideia de como esse clássico merece tudo de incrível e extraordinário que falam sobre ele! Me emocionei muito apenas assistindo o filme musical. Contudo, está quase impossível, na minha realidade, conseguir ler algo com mais de 1000 páginas. Esse ano meu transtorno de ansiedade está pior do que nunca, o que, acrescido da faculdade, sugam 100% do meu tempo (e semana que vem eu começo a trabalhar também!). Ou seja, me cobro muito de retomar a leitura, mas sei que infelizmente não será agora.



7. Um livro que o/a desapontou, superestimado, nada bom?
As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Não apenas esse livro específico, como "O Incêndio de Tróia", ou seja, tudo o que eu tentei ler da autora, me desapontaram. É um pouco chato admitir isso, porque os temas adotados pela escritora são muito do meu interesse (ela recria mitos e histórias famosas a partir do ponto de vista das personagens mulheres), mas não casei com a escrita dela. Todos os blogueiros elogiam e, sinceramente, acho que todo mundo deveria tentar ler, porque é muito interessante. Contudo, euzinha, infelizmente, sempre largo por não conseguir absorver nada além de tédio.




8. Que tipos de histórias chamam a sua atenção? De quais tipo de histórias você mantém distância?
Vocês sabem que esse ano tenho dois grandes projetos no blog: Lendo a América Latina e Lendo Mulheres. Tive essa ideia motivada pelo livro Travessuras da Menina Má, do Mario Vargas Llosa. Gosto muito de romances com abstrações mais adultas e com a América Latina como cenário (e esse é o livro perfeito para aproveitar isso). Me sinto muito feliz em aprender um pouco mais sobre o passado e costumes dos diferentes povos do nosso continente através da literatura. Por outro lado, estou bem distanciada de "romances YA", ou livros com pegada mais jovem. Eu amo de paixão assistir filmes baseados em livros YA, não nego e nem tenho vergonha, mas não tenho muita paciência para as leituras.



9. Se você pudesse indicar um livro para o/a presidente, qual seria?
Não gosto de falar sobre política nesse espaço do blog especificamente, porque acredito que a minha função aqui é estimular a leitura em um país que tão pouco lê, sendo que no momento em que estamos, política divide e cria ódio. Mass, já que a pergunta está feita e levando em consideração que nosso presidente em exercício é o Michel Temer, indicaria o 18 de Brumário de Luís Bonaparte, brilhantemente escrito por Karl Marx. Até agora na minha graduação precisei ler o livro todo 3 vezes, de tão importante para ciência política. Além disso, pensar em Temer é lembrar a frase de abertura do livro: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". Deixando aqui minha humilde opinião, Michel Temer não representa absolutamente nada além de uma grande farsa.



10. Quais livros você pretende ler em breve?
Minha lista de leituras em andamento é imensa, mas vou tentar listar alguns aqui: "Rock and Roll é o nosso trabalho. A Legião Urbana do underground ao mainstream", da Érica Ribeiro Magi, "O Essencial da Década de 1970", de Caio Fernando Abreu"Correspondência: 1928-1940", de Theodor Adorno e Walter Benjamin e "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres", de Clarice Lispector. (Coloquei uma foto de Dom Casmurro para ilustrar porque uma vez por ano faço questão de parar tudo e ler esse que é meu livro preferido).




*Era isso! O que vocês acharam das respostas? Mudariam algo ou querem ver algo resenhado em breve? Não briguem comigo por causa de política, hein, a gente deixa esse micão pro Facebook <3


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Para Poder Viver - Yeonmi Park (Resenha!)

Meu primeiro livro escolhido enquanto parceira da Companhia das Letras foi o lançamento "Para Poder Viver", de Yeonmi Park. Confesso que queria algo que fugisse totalmente da minha zona de conforto, ao mesmo tempo em que não me deixasse totalmente perdida. Assim, o primeiro livro lançado sobre uma desertora da Coreia da Norte me pareceu tentador, uma vez que não costumo ler muitas biografias e enquanto estudante de ciências sociais me interesso muito por geopolítica e culturas diferentes da nossa.

Me causa muito estranhismo imaginar que em pleno 2016, com as redes sociais bombando, ainda existam países tão inacessíveis ao nosso conhecimento. A Coreia do Norte talvez seja o principal desses países, afinal, até Cuba tem aberto suas relações com o capitalismo.

Yeonmi Park tem 22 anos e ficou famosa ao contar sua história em um discurso do One Young World (você pode ver aqui)- o vídeo original possui mais de 2 milhões de visualizações. No livro, decidiu escrever fatos inéditos sobre sua trajetória, os quais envolvem suas memórias de infância, a fuga para a China, seu envolvimento com o tráfico de pessoas e tudo que aconteceu em sua vida até tornar-se uma ativista dos direitos humanos reconhecida mundialmente. 

Para Poder Viver é um livro extremamente surreal, Park descreve particularidades que nos parecem completamente absurdas, tornando-se difícil, em diversos momentos, acreditar na autora (o que me levou a pesquisar bastante). Em diversas passagens tive a impressão de ler George Orwell ou Huxley, inclusive citados várias vezes durante a narrativa. 

Temos amplo conhecimento sobre ditaduras, uma vez que até mesmo o Brasil viveu longos anos em um regime militar. Talvez por isso não seja tão difícil crer quando Yeonmi conta que pessoas morrem na Coreia do Norte por contestarem o governo ou fazerem ligações internacionais não autorizadas. Contudo, é difícil compreender que seus compatriotas acreditam que seu líder é imortal ou possui capacidade de ler suas mentes (e, por incrível que pareça, isso é verdade).

Outra passagem absurda é quando Park narra que viveu em uma cidade fronteiriça com o interior da China e seu sonho era poder cruzar a fronteira para usufruir do conforto que seus vizinhos possuíam. Não havia eletricidade ou uma quantidade de comida diária razoável em sua cidade. Nós sabemos sobre fome, trabalho escravo e feminicídio na China. Que tipo de vida pode ser tão cruel a ponto de tornar a China um sonho luxuoso?

É essa a vida narrada pela autora. Um lugar em que corpos ficam estendidos nas ruas, pais morrem de câncer sem nunca terem um diagnóstico, famílias inteiras pagam por um erro de um parente distante, relações amorosas não existem e a única crença permitida envolve a família do ditador. Porém, isso engloba apenas metade das 308 páginas.

O conto de terror piora quando Park consegue chegar à China e é traficada, separada da família, vendida por poucos dólares e estuprada por anos. Foi muito duro ler essas páginas. A violência contra mulher ainda é muito forte em todo mundo e precisa ser combatida. É inaceitável que meninas não tenham o direito de trilhar o próprio caminho e escolher viver como desejam.

Contudo, é muito bonito observar como cada um carrega um instinto de sobrevivência e forças dignas de super heróis dentro de si. Park cruzou o deserto somente guiada pelas estrelas em busca de uma vida melhor. Quando conseguiu, estudou e lutou ainda mais para poder se integrar em uma sociedade totalmente alheia à sua existência.

"Aprendi outra coisa naquele dia: todos temos nossos próprios desertos. Podem não ser iguais ao meu deserto, mas sempre teremos de atravessá-los para encontrar propósito na vida e para sermos livres."

Por mais contraditórias que algumas passagens pareçam, Para Poder Viver cumpre um papel importantíssimo: disseminar informações. O que ali está escrito não pode ser contestado, porque ninguém na Coreia do Norte pode escrever livremente sobre sua realidade (e isso, por si só já é problemático). Yeonmi Park é uma mulher que lutou por cada dia de sua liberdade e hoje vive em função de libertar seu povo. O livro me fez dar valor às pequenas e grandes coisas do meu dia-a-dia. Todos deveriam ler.