domingo, 27 de maio de 2018

Essa coisa de Internet

Oi, sumida! Faz mais de um ano que eu desapareci daqui e, sendo bem sincera, a última resenha que eu postei, só postei porque tinha que escrever de qualquer jeito pra USP e resolvi otimizar meu trabalho. MUITA COISA aconteceu no meio desse caminho e eu não sabia como voltar pra cá, o que dizer e não enxergava um sentido lógico em nada disso (não sei se agora vejo, mas nas últimas semanas tenho sentido saudades de escrever).

Eu queria muito que o meu processo de redescoberta da vida e de reencontro comigo mesma tivesse sido uma coisa bem bonita como em "Comer, Rezar e Amar", quando a Julia Roberts sai pela Itália experimentando tudo que existe de gostoso no mundo e encontrando homens tão maravilhosos quanto. Mas, não foi bem assim. Na realidade eu fiz um ano de terapia, oito tatuagens, ganhei alguns quilinhos, afoguei todas as minhas frustrações trabalhando muito mais do que deveria, tive trocentas crises de ansiedade, quis desistir de tudo, deitei em forma de ovo e senti pena de mim mesma inúmeras vezes... E no outro dia tava tudo bem!

Olha, apesar de não ter ido pra Itália e nem pra Índia, eu conheci uns lugares bem bacanas nisso tudo. Tudo começou quando eu tava em Paraty, vi uma placa "Caminho da Estrada Real" e decidi que já havia passado da hora de realizar meu sonho de conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. Pelo Instagram fiz amizade com uma companheira de viagem incrível e fomos pra Ouro Preto, Mariana, Congonhas, São João Del Rei e Tiradentes. Lembro que quando cruzamos a Estrada de Real lágrimas surgiram no meu rosto por entender que aquele era um passo que dava sozinha, pela primeira vez (vocês não têm ideia do quanto eu sou chorona!). 

É muito doida essa coisa de ser adulto. As pessoas no geral sempre me passaram a impressão que quando você atinge uma determinada idade, começa a ter todas as respostas, sabe exatamente aonde ir, com quem falar, como se comportar. Na boa, essa é a pior das mentiras possíveis! Quando meu relacionamento acabou em 2017, eu nunca tinha me visto tão adulta e, justamente por isso, tão perdida! De todas as dificuldades, saber que se está sozinho no mundo, e que só você pode mudar significativamente sua vida, é o mais difícil.

Depois de Ouro Preto tive um bate e volta incrível pro Rock In Rio, também voei pra Bahia, passei meu aniversário no Rio de Janeiro, assisti ao show da minha banda preferida no LollaPalooza, fui em todas as baladas possíveis, tomei vários porres, conheci pessoas incríveis e outras não tão incríveis assim... Enfim, aos 23 anos eu fui aprender a viver do modo mais clichê possível.

E viver dói, né? Tenho certeza absoluta que é impossível se resguardar da dor, mesmo encontrando pela frente tanta gente que parece ter envolvido seu corpo em um plástico bolha imaginário gigante. Em alguns dias estamos incríveis, no auge de tudo que pode ser mais socialmente valorizado, e, no outro, alcançamos o tão falado fundo do poço do modo mais remelento que algum ser humano pode ser. 

Eu tinha muita coisa pra fazer e aprender e, no meio disso tudo, ler não foi minha prioridade. Na verdade, eu passei meses tentando afastar pensamentos ruins e, em consequência disso, não conseguia deixar meu corpo parado por um minuto. Então, sentar em uma cadeira e me concentrar na leitura não era, de forma alguma, uma opção. Aliás, também tive muitos problemas na faculdade por não conseguir frequentar as aulas. Pra vocês terem uma noção, eu sempre coloco música pra espantar esses pensamentos e, segundo o Spotify, em 2017 eu ouvi o equivalente a 20 dias de música diretos, o que é bem assustador!

Entretanto, mais de um ano depois, sinto que tudo começou, finalmente, a se aquietar. Boa parte disso vai ficar, porque eu mudei e passei a gostar de uma infinidade de coisas que nem sabia que existiam, mas um outro pedaço já não é mais tão atrativo. Estou voltando pros meus eixos e a literatura sempre foi parte integrante deles. Voltei a ler e escrever. Quero voltar a compartilhar. 

E tenho um tanto de receios e medos e pavores de não entenderem essas mudanças todas e desaprovarem.

Lembram quando eu comecei dizendo que procurava sentido pro que faço nessa coisa de internet? Como disse, ainda não encontrei, porém, tenho uma ligeira ideia de onde NÃO está o que busco. Nunca tive e não foi agora que desenvolvi paciência pra academicismos. Não vou escrever termos esquisitos e complexos pra que valorizem minha produção intelectual. Mais do que nunca, será assim: minha cabeça pensou, escrevi. Até porque, verdade seja dita, é muito mais fácil soar inteligente fazendo todo mundo se sentir burro -e eu não tô aqui pra isso.

Voltarei a compartilhar minhas leituras e a narrar o mundo do meu jeito, com o meu olhar e interpretações (assim como eu faço, por exemplo, no meu instagram que é uma das coisas mais incríveis de toda a internet, haha!). E meu jeito é um jeito novo, mais intenso e exagerado, cheio de pormenores e coisas que eu não entendo muito bem. No, fundo, eu sei que estar perdida é meu caminho.

E, olha, se até eu estou aprendendo a gostar desse turbilhão de novos sentimentos e aventuras, tenho certeza que vocês igualmente irão gostar. Ainda que eu só fale por aqui de literatura, toda a poesia vivida se transfigura em poesia. É impossível poesia virar qualquer matéria que não poesia. Qualquer um que se esforce pra olhar é capaz de ver.


(Só mais uma coisa, antes que me esqueça: traz os refri que a ousada chegou!)


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